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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Nice! O fim da Europa?


Deparámo-nos ontem com o choque de mais um hediondo e desumano ataque a homens, mulheres e crianças que comemoravam em família e de forma pacífica, a festa nacional francesa. A França celebrava a tomada da Bastilha, ocorrida no dia 14 de julho de 1789, aquando do início da sublevação popular e da Revolução Francesa. Foi, infelizmente, mais um ato bárbaro, desumano, selvagem, reflexo da carência absoluta de valores e da incivilidade com a qual todos nós temos de lidar. Uma realidade, nem sempre percetível, por vezes distante, à distância dos 5000 km que nos separam da Síria, mas que ontem, lamentavelmente, voltou a entrar por nossa casa adentro. Uma realidade nua e crua que reduziu a vida de 84 inocentes a nada e cujo significado importa desvendar.
 
Hoje, ao ler o Artigo do Observador, assinado por Rui Ramos, intitulado“ Esta Europa pode acabar em Nice”, estremeci com o visível equivoco. O autor coloca a tónica no facto da Europa albergar hoje ”grandes comunidades imigrantes em crescimento descontrolado, e onde demasiada gente rejeita os valores ocidentais.” Erro! O problema não é esse. O problema é mais profundo, está dentro da sociedade europeia e intimamente ligado à inoperância dos políticos europeus, à falta de solidez política da Europa,  às ingerências geopolíticas ocidentais por todo o Mundo, com o fomentar da instabilidade política e religiosa e, consequentemente, da guerra, fenómeno que está na origem dos grandes êxodos migratórios que batem hoje à porta da Europa.

Mas porquê? Qual foi o resultado da primavera árabe? O que é que derivou da destruiu do Estado Líbio? Tinha a Europa interesse em criar um antro de terrorismo no norte de África? Quem é que fragilizou o Bashar Hafez al-Assad, armando grupos de jihadistas sunitas, potenciando o crescimento  do “Estado Islâmico” e levando ao extermínio das populações minoritárias como a xiita, alauita e cristã? Quem é que originou a vaga migratória síria que se atira ao mar para vir morrer nas praias da Itália e da Grécia? Seja como for, os agentes terroristas que atuam na Europa têm sido, na sua grande maioria, europeus de segunda e terceira geração, portanto, gente que se esperava, à partida, estar integrada há muito.
 
Rui Ramos e muitos outros estão enganados. Não são os emigrantes que a Europa e os EUA geram, a verdadeira ameaça aos “padrões atuais de liberdade, tolerância e pluralismo” europeus nem será a tragédia de Nice que levará ao fim da Europa. Espero, pelo contrário não estar perante um fenómeno de autoflagelação. Na realidade, este episódio e tantos outros, que têm ocorrido nos últimos anos na Europa ou à sua “porta”, são reflexo de uma crise profunda de princípios e valores que afeta o projeto da construção europeia e que coloca em causa os seus alicerces políticos, culturais e sociais. Numa Europa minada pela falta de solidariedade,  o lema da Revolução Francesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade não passa hoje de uma bandeira esquecida e sem significado para muitos responsáveis políticos e para uma significativa franja da população virada para correntes de estrema direita. Os resultados eleitorais da Frente Nacional, em França, com 41% nas eleições regionais ou do Partido da Liberdade, na Áustria, com 48% nas últimas eleições presidenciais são um sinal importante.

Foi esse o lema que levou à tomada da Bastilha, mas é também é esse lema e são esses os valores que a França e um pouco por toda a Europa, se esquecem quando se assiste de forma impávida e serena à morte de milhares de inocentes nas águas do Mediterrâneo. No entanto, esse esquecimento não é pontual ou apenas visível à medida que as tragédias se vão somando aqui, em Africa ou no Médio Oriente. Na realidade estas tragédias são, também, fruto de uma sociedade europeia doente, que desconhece a verdadeira dimensão de valores como o da igualdade e da fraternidade e que trata os emigrantes e os estrangeiros com desrespeito e desdém.

Penso que, na realidade, existe uma verdadeira classe de rejeitados, de acossados, de discriminados, mentalmente desequilibrados, perdidos, sem valores, na sociedade europeia, que se começa a insurgir e encontra nas mensagens extremistas de organizações como o “Estado Islâmico”, o estímulo para desencadear uma verdadeira onda de vingança contra a sociedade que os humilha. Não será, certamente, de ânimo leve que um individuo pega num camião de 17 toneladas para atropelar centenas de pessoas que não conhece. Não se trata, certamente, de um ato surgido do nada, de um momento para o outro. Mas porquê no dia da festa nacional francesa? Porque não durante o desorganizado e tumultuoso Europeu de Futebol, terminado há 5 dias, aproveitando as grandes concentrações de milhares de adeptos vindos de toda a Europa? É simples, estamos perante o início de uma verdadeira sublevação assassina de franceses contra franceses, fruto de décadas de discriminação social, racial, cultural e religiosa. Um drama que apenas aos responsáveis políticos franceses se poderão imputar responsabilidades, pela ausência de uma política eficaz de segurança, mas também e a montante, de políticas de integração social e de uma política educacional que potencie, junto dos jovens franceses, uma cultura de civismo, tolerância e de respeito pela diferença.
 
As reações de desportistas, políticos, jornalistas e artistas franceses contra os portugueses, ocorridas após o Europeu de Futebol não foram uma simples coincidência nem uma sonora ventosidade de alguma corrente ligada a movimentos xenófobos. Foi sim, uma ventosidade generalizada que, apesar de se terem ouvido algumas vozes da civilidade gaulesa, preocupa pela falta de reparo e censura, das autoridades francesas. Aquilo que ocorreu em França, com naturalidade, tolerância e sem consequências, com afirmações como a do “musico” MERZO que atacou a nação portuguesa e deu a entender que os portugueses só serviam para a construção civil, em Portugal, são crimes de discriminação racial e ultraje de símbolos nacionais. Ora, estas ocorrências não são sintoma de uma sociedade democraticamente saudável, mas, antes, sinal de uma sociedade assente numa tensão social e cultural que espero, a França e todos os franceses a capacidade de corrigir, fazendo, assim, jus aos valores originais da Revolução Francesa.
 
 
 
 
"A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes - brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias - que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções." Fernando Pessoa


http://observador.pt/opiniao/esta-europa-pode-acabar-em-nice/
 
 
 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Homossexualidade punida com prisão na "primavera árabe"!


Primavera árabe (cont.):
 
Estamos em pleno inverno, mas lembro-me muitas vezes da "primavera árabe". Sim... No Médio Oriente e no Norte de África, para além das clássicas e ultrapassadas estações do ano, experimentou-se, nos últimos anos uma estação inovadora em que se associa a chuva, o frio e o calor aos dramas humanos e à violência, associados à destruição das pouco democráticas organizações públicas de poder. Pouco democráticas pois faltava a participação cívica de alguns movimentos jihadistas de tez sunita, hoje, muito bem representados pelo daesh.

A ideia, como sempre, "completamente desprovida de qualquer objetivo económico ou geoestratégico e balizada pela experiência colhida no Iraque", consistia em laborar em prol da implementação de sistemas democráticos no Mundo Árabe. Um "Mundo", como sabemos, muito dado à sã convivência interétnica e inter-religiosa e onde a religião  está "absolutamente" separada da política. Reforço a linha de raciocínio sublinhando que a jocosidade da observação corrobora o ridículo da teoria.
 
Até parece que o principal aliado norte-americano, em tão infeliz terra, não é a uaabista Arábia Saudita, uma monarquia absolutista e teocrática, o grande impulsionador do daesh na guerra contra Assad e campeã das execuções por decapitação.
 
O resultado está à vista: violência terrorista e insegurança na Europa, escalada da guerra na Síria e no Iraque, êxodo de milhões de refugiados das zonas de conflito para a Europa. Hoje, à conta das aventuras américo-anglo-francesas, damos por nós a discutir os alicerces da UE, colocando-se em causa o Acordo de Schengen e política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas.
 
 
 
 
Bem, voltando ao estímulo inicial, há pouco lembrei-me, novamente, da "primavera árabe", quando soube que seis estudantes de Kairouan, na Tunísia, foram condenados a três anos de prisão efetiva por "práticas homossexuais", tendo ficado ainda proibidos de residirem naquela cidade no centro do país durante cinco anos.
 

 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Nem Liberdade, nem Igualdade, nem Fraternidade.

O Costa é um indivíduo genuinamente perigoso.

A teoria de que o Costa não se apercebeu do que lhe aconteceu, ou seja, de que perdeu as eleições, está cada vez mais dissipada. Ele sabe muito bem que perdeu, aliás, ele sabe bem demais que perdeu.



Assim, perdidas as eleições como manter o poder?

Tática 1: Maioria Parlamentar
Criar a ideia que se consegue estabilidade num acordo com o PCP e BE. Na realidade apenas é necessário apresentar um documento que transpareça um acordo, mesmo que na prática não o seja (Lê mais aqui). 
Detalhes: Governo tem de ser apenas do PS para transmitir a ideia que se irão cumprir os compromissos internacionais e que ainda se mantém o sonho do projeto europeu; Manter o PCP e o BE fora do Governo permite ainda deixar a luta pelo eleitorado da contestação à esquerda aberta entre estes dois partidos (Lê mais aqui)

Tática 2: Pressionar o Presidente da República 
Opor-se sempre a soluções conjuntas, garantir sempre que as decisões da coligação de esquerda é oposta à do Governo, aproveitando sempre as limitações e fragilidades do Governo de Gestão.
Neste processo, não interessa ideologia, não interessa a opinião pública, não interessam os compromissos e responsabilidade do País, só interessa a tática.

E lá anda ele perdido em movimentações táticas...

Apenas desta forma consigo compreender a frase proferida ontem pelo António Costa, querendo excluir Portugal de uma intervenção militar na defesa da Europa (Lê mais aqui). Fala de formas diferentes sem intervenção direta... Para o Costa, aparentemente não interessa se a Europa está em guerra, não interessa se está a ser posta em causa a liberdade e segurança de Portugal (Ler mais aqui). 

Ou seja, nem Liberdade, nem Igualdade e nem Fraternidade, ele quer é ser indigitado.

É que parece que não existe qualquer razão para clarificar nas urnas o que quer quer seja, basta que as contas de secretaria continuem a bater certo, há liberdade para ouvir os deputados, ponto final. Para não falar no ataque à liberdade dos portugueses, dos europeus, ao projeto europeu, isso muito menos, é como se nada se passasse. E aqui entramos no desprezo pela Fraternidade, quais compromissos internacionais quais quê, se o ataque tivesse sido em solo nacional duvido que dispensasse a solidariedade francesa (lê mais aqui). Estará ele tão absorvido que não entende que se a França está em guerra, a Europa também está e que Portugal está na Europa (Lê mais aqui)? 
Assim, aparentemente, aos seus olhos uns parecem ser mais iguais do que outros, aliás quando o caso se aplica a ele, não há ninguém mais igual do que ele (Lê mais aqui).



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Qualquer pessoa pode errar, mas ninguém que não seja tolo persiste no erro." Marcus Cícero

 
Apesar de um pouco tendencioso no retrato da Síria, o artigo do Público não deixa de colocar o dedo no cerne da questão dos refugiados. Um problema que está intimamente relacionado com as intervenções militares do Ocidente na Síria e com a eminente destruição do Estado Sírio. Sublinho o último parágrafo dado que, na realidade, “há algo de hipócrita acerca das críticas norte-americanas a um possível aumento do papel militar da Rússia na Síria – embora os russos neguem que isto esteja a acontecer –, porque ninguém ficaria mais horrorizado do que Washington se o exército sírio colapsasse e o Estado Islâmico e a Al-Qaeda se tornassem a força dominante na Síria”.
 




Isto é, Assad, mais do que o problema, é cada vez mais parte da solução. Ou melhor, "qualquer pessoa pode errar, mas ninguém que não seja tolo persiste no erro." Marcus Cícero

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Europa só é Europa para a alta finança.

Gosto de acreditar que o humanismo é um dos princípios da Europa. Por isso, nem considero discutível a questão dos refugiados. 

Obviamente que a Europa deve e vai receber os refugiados.

No entanto, acolher os refugiados mitiga a dor e sofrimento de quem foge de um regime cruel e inumano, do auto-proclamado estado islâmico, mas não resolve mais do que isso. A Europa está sob ameaça, a humanidade está sob a ameaça de um grupo de ignorantes extremistas.



No passado a Europa já esteve muitas vezes sob ameaça de grupos extremistas, que provocaram milhões de refugiados. Nessa altura, houve quem olhasse para o lado, tentasse acordos, até houve quem quisesse ceder parte da Europa para acalmar os loucos.

Sim, em 1938 o Chamberlain acreditou que seria possível evitar uma nova guerra entre a Alemanha e o Reino Unido e assinou o acordo de Munique, que dava aos nazis o controlo da Checoslováquia. Seria a "paz dos nossos tempos".  Resultado? Não houve apaziguamento nenhum, um louco é um louco, um extremista é um extremista.

Sobre este acordo o Churchill  comentou "Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra", dito e feito, há momentos em que não há alternativa, momentos em que a única resposta à inumanidade de um regime extremista se dá com tanques.

Tristes são estes tempos da Europa em que para além do populismo à volta dos refugiados, ninguém tem a coragem de assumir que a resposta militar que se impõe tem de ser Europeia e não da França, do Reino Unido ou da Alemanha. 

Felizmente que do outro lado do mundo há países que vêm em nosso socorro quando a Europa fica sob ameaça... (Austrália junta-se aos ataques aéreos contra o Estado Islâmico)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...

 
Onde estão os "je suis charlie" que andaram em Janeiro deste ano a passear de mão dada pelas ruas de Paris? A Europa tem de deixar de assumir o papel de cúmplice do estado islâmico (EI), continuando nas praias do Mediterrânio, por inépcia e dormência hipócrita, o genocídio que aqueles iniciaram na Síria e no Iraque.

 
 
 


Não posso, agora, deixar de me lembrar dos esforços ocidentais (norte-americanos, ingleses e franceses) na desestabilização política do Norte de Africa e do Médio Oriente até há bem pouco tempo. Eis, pois, uma das facetas da primavera árabe. "Parabéns"! E tudo em prol, supostamente, dos valores democráticos. O combate cego ao regime sírio merece, aliás, especial sublinhado. Sem tecer considerações sobre o espírito democrático de Bashar Hafez al-Assad, como é possível que se continue, ainda, a combater a única força capaz de, no terreno, fazer recuar o EI? Como se justifica que se tolere o combate da Turquia aos curdos, abrindo as portas do norte do Iraque ao terrorismo jihadista?
 
Não obstante as asneiras e os erros geoestratégicos decorrentes da arrogância cultural do Ocidente, é de reconhecer aos EUA o mérito de ser, neste momento, a única força ocidental verdadeiramente empenhada em destruir os facínoras que perseguem aqueles que veem morrer nas praias do sul da Europa.
 
A UE têm a obrigação moral de dar ao Mundo um exemplo de humanidade, de tolerância e de fraternidade para com os fracos e oprimidos. São esses os valores que estão na base da construção europeia. E para isso é fundamental que se criem as condições necessárias a acolher os milhares de homens, mulheres e crianças que se arriscam a procurar, no velho continente, a paz, a segurança e o bem-estar que não encontraram nos seus países de origem. Em simultâneo, é fundamental que declare, sem hesitações, guerra ao terrorismo. A Europa tem de se empenhar militarmente na destruição do EI construindo, assim, a estabilidade necessária à resolução do êxodo atual.
 

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Foi-vos dada a opção entre a desonra e a guerra. Escolheram a desonra e terão a guerra


Periodicamente ao longo da história deparamo-nos com figuras e movimentos que representam um retrocesso civilizacional. Movimentos assentes naquele que é o lado mais negro do Ser Humano, o sectarismo, a intolerância e a injustiça.

A história do mundo está carregada destes períodos, basta olhar para o Século XX, Século dos totalitarismos, do Nazismo e das perseguições étnicas no Ruanda e na Bósnia. Estas três situações em particular partilharam da mesma inação, do mesmo assobiar para o lado da comunidade internacional, que optou pelo caminho mais simples, o caminho com menos contestação interna nos seus países, o caminho que evitava a intervenção, que evitava a guerra, que vendia a alma em troca da paz.

Deu no que deu... Milhões de mortos e três manchas na evolução humana.

Atualmente, a Europa começa a ter muita dificuldade em assobiar para o lado. E torna-se cada vez mais difícil esconder este problema global que se autoproclama como Estado Islâmico.

Para além das questões de segurança (já escrevi sobre isto aqui e aqui), dos assassinatos e atentados contra inocentes, turistas, jornalistas e todos o que diferem da sua forma de pensar ou agir

Para além da questão humanitária (lê mais aqui e aqui), dos deslocados e refugiados que diariamente põe a sua vida e das suas famílias em risco para fugir para a segurança na Europa...

Para além da ameaça cultural e da destruição de património mundial (já escrevi sobre isto aqui)

Este é um problema civilizacional que afeta o mundo todo e não será um muro que o irá resolver.



Raramente olhar para o lado faz com que um problema desapareça e a escolha do caminho mais fácil pouco mais faz do que adiar o inevitável.

Talvez, por isso, hoje valha a pena relembrar a frase que Churchill proferiu em 1938, aquando da tentativa de viabilização de uma solução pacífica com Hitler, por parte do então PM do Reino Unido, Chamberlain.

"Foi-vos dada a opção entre a desonra e a guerra. Escolheram a desonra e terão a guerra"


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

sábado, 6 de setembro de 2014

#ThinkAgainTurnAway #estadoislamico #isis #Siria #Iraque #Foley #Sotloff

Os Estados Unidos lançaram a campanha "Think Again Turn Away" para dissuadir quem pensa aderir aos apelos dos jihadistas e combater pela instituição do "Estado Islâmico". 

Já tive oportunidade comentar este flagelo (Lê mais aqui).

Fica o vídeo 




Fica também a foto do britânico "Abdel Bary" que os serviços secretos terão identificado como o executor dos Jornalistas James Foley e de Steve Sotloff... (Lê mais aqui)



Quem o viu e quem o vê:



quinta-feira, 4 de setembro de 2014



A ameaça do EI à Rússia traz à memória o monumental erro estratégico cometido por Hitler na II Guerra Mundial. Abrir uma frente de combate a Leste, quando a Alemanha já se encontrava empenhada num considerável esforço de guerra no Ocidente, ditou o início da derrocada do regime nazi.
Esperemos que nos dias de hoje o Ocidente e a Rússia consigam aproveitar a ocasião para debelarem o espectro de um confronto e possam dar ao EI o mesmo fim que deram a Hitler.

Incompreensível

O Estado Islâmico fatura mais de dois milhões de euros por dia (Lê mais aqui), fruto de extorsão, da venda de petróleo e de resgates... Por outro lado a Al-Quaeda, estima-se, ter precisado de dois milhões de Euros para atacar o World Trade Center... 

Só fazendo esta conta podemos compreender como é que o Estado Islâmico acredita conseguir conquistar Portugal e Espanha em 5 anos (Lê mais aqui)


Esta luta até podia estar mascarada por uma questão de defesa da liberdade, ou por uma questão de autodeterminação de um povo, com uma cultura, uma língua, ou tradições diferentes. 

Mas não, trata-se mesmo de uma cruzada religiosa, da instauração de um Estado Islâmico que agregue o ramo islâmico sunita presente no Iraque e na Síria e que limpe os infiéis dos territórios marcados a negro.  

Por exemplo, os Curdos (lê mais aqui) que são efetivamente um povo, apesar de sunita não apoiam as pretensões do Estado Islâmico.


Mas a hipocrisia piora quando se ouve da boca do assassino de James Foley e de Steve Sotloff que os Estados Unidos são os opressores, quando tudo o que se sabe deste movimento terrorista são os seus atos de opressão, como o que estão a fazer aos cristãos no Iraque (Lê mais aqui, atenção que são imagens chocantes), ou aos seus presos de guerra (lê mais aqui).

Este tipo de discurso da pureza religiosa não é original, por cá também já se ouviu isso... Em 1517...
"Ó cavaleiros de Deos; A vós estou esperando,Que morrestes pelejando; Por Cristo, Sennor dos Ceos.; Sois livres de todo o mal; Santos por certo sem falha, Que quem morre em tal batalha; Merece paz eternal" Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente,
Apesar do desfasamento temporal de 500 anos que poderia indiciar um fenómeno gerado pela miséria, pela falta de educação, não explica as centenas de europeus, educados na Europa, que cometem as maiores atrocidades em nome deste Estado Islâmico (o principal suspeito do assassinato dos dois jornalistas é britânico - lê mais aqui). 
Entre os quais também há cidadãos portugueses (Lê mais aqui)

Também não explica os posts em alguns blogues portugueses que estão mais preocupados em criticar Israel e os Estados Unidos do que em distanciarem-se deste Estado Islâmico. Preferem tentar demonstrar que a culpa é do papão israelita do que assumir que o Estado Islâmico tem de ser travado.

Às vezes até parece que não acham tão interessante a política expansionista e opressiva do Estado Islâmico. Estão tão concentrados na guerra contra os Estados Unidos e Israel que já não acham assim tão estranho que haja quem preveja conquistar o seu país e impor a Sharia, acabando com a liberdade que lhes permite escrever o que querem.

Não pretendo defender a estratégia Norte Americana no Médio Oriente, mas se há coisa que o Estado Islâmico consegue com esta atitude é legitimar essa mesma política que tanto criticam.

Não há religião ou ideologia que se sobreponha ao direito à vida e à liberdade. E a única coisa que os militantes do Estado Islâmico conseguem demonstrar é que não têm qualquer respeito pela vida humana.