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sexta-feira, 2 de março de 2018

Síria | O mundo do Trump e do Putin

A Síria é um país distante, onde poucos europeus devem ter família. As imagens dos bombardeamentos à população pouco mexem com uma comunidade virada para os seus próprios problemas. A mesma comunidade que tem tanta gente a contestar a presença de migrantes nas suas fronteiras, prefere fingir que não há razão nenhuma que leve uma família a fugir para a Europa - afinal de contas quando isto aconteceu na Europa nem sequer eram nascidos.

Para tantos e tantos europeus a solução é fecharem-se numa redoma. É muito mais fácil fingir que o problema são os migrantes...

Entretanto as Nações Unidas continuam a ser gozadas...


(foto de MOHAMMED BADRA/EPA retirada daqui)


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Qualquer pessoa pode errar, mas ninguém que não seja tolo persiste no erro." Marcus Cícero

 
Apesar de um pouco tendencioso no retrato da Síria, o artigo do Público não deixa de colocar o dedo no cerne da questão dos refugiados. Um problema que está intimamente relacionado com as intervenções militares do Ocidente na Síria e com a eminente destruição do Estado Sírio. Sublinho o último parágrafo dado que, na realidade, “há algo de hipócrita acerca das críticas norte-americanas a um possível aumento do papel militar da Rússia na Síria – embora os russos neguem que isto esteja a acontecer –, porque ninguém ficaria mais horrorizado do que Washington se o exército sírio colapsasse e o Estado Islâmico e a Al-Qaeda se tornassem a força dominante na Síria”.
 




Isto é, Assad, mais do que o problema, é cada vez mais parte da solução. Ou melhor, "qualquer pessoa pode errar, mas ninguém que não seja tolo persiste no erro." Marcus Cícero

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...

 
Onde estão os "je suis charlie" que andaram em Janeiro deste ano a passear de mão dada pelas ruas de Paris? A Europa tem de deixar de assumir o papel de cúmplice do estado islâmico (EI), continuando nas praias do Mediterrânio, por inépcia e dormência hipócrita, o genocídio que aqueles iniciaram na Síria e no Iraque.

 
 
 


Não posso, agora, deixar de me lembrar dos esforços ocidentais (norte-americanos, ingleses e franceses) na desestabilização política do Norte de Africa e do Médio Oriente até há bem pouco tempo. Eis, pois, uma das facetas da primavera árabe. "Parabéns"! E tudo em prol, supostamente, dos valores democráticos. O combate cego ao regime sírio merece, aliás, especial sublinhado. Sem tecer considerações sobre o espírito democrático de Bashar Hafez al-Assad, como é possível que se continue, ainda, a combater a única força capaz de, no terreno, fazer recuar o EI? Como se justifica que se tolere o combate da Turquia aos curdos, abrindo as portas do norte do Iraque ao terrorismo jihadista?
 
Não obstante as asneiras e os erros geoestratégicos decorrentes da arrogância cultural do Ocidente, é de reconhecer aos EUA o mérito de ser, neste momento, a única força ocidental verdadeiramente empenhada em destruir os facínoras que perseguem aqueles que veem morrer nas praias do sul da Europa.
 
A UE têm a obrigação moral de dar ao Mundo um exemplo de humanidade, de tolerância e de fraternidade para com os fracos e oprimidos. São esses os valores que estão na base da construção europeia. E para isso é fundamental que se criem as condições necessárias a acolher os milhares de homens, mulheres e crianças que se arriscam a procurar, no velho continente, a paz, a segurança e o bem-estar que não encontraram nos seus países de origem. Em simultâneo, é fundamental que declare, sem hesitações, guerra ao terrorismo. A Europa tem de se empenhar militarmente na destruição do EI construindo, assim, a estabilidade necessária à resolução do êxodo atual.
 

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...