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domingo, 6 de agosto de 2017

Momento Chave




A menos de 3 meses das eleições autárquicas, o ruído em volta das candidaturas e candidatos começa a aumentar.

Convém relembrar que o PS detém 150 câmaras municipais das 308 espalhadas pelo território nacional detendo por isso a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Para o PS a vitória nas autárquicas só pode ser reconquistar a ANMP.

O mesmo critério deve aplicar-se ao PSD, como, aliás, já o admitiu o próprio líder do partido em várias ocasiões e sem que qualquer social-democrata, esteja ou não mais ligado a Passos Coelho, tenha discutido essa premissa.

Nesta matéria os Socialistas partem em vantagem, mas nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando desde já a inevitabilidade de uma vitória do PS.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição social-democrata se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva.

Mas é preciso considerar que em Portugal não são os diretórios partidários que se submetem a eleições. Antes dos diretórios estão as estruturas locais que têm sabido afirmar-se ao longo de mais de 40 anos de Poder Local.

No caso do PSD, excluindo os erros de casting óbvios do líder e do coordenador autárquico, as estruturas locais, salvo “Leais” excepções, submetem a eleições mulheres e homens que acreditam que podem fazer algo melhor pelas suas populações e que são herdeiros de uma obra incontornável nas freguesias, vilas e cidades de Portugal, no continente e nas regiões autónomas.

Os autarcas escolhidos que se entregaram ou vão entregar a esta difícil missão em nome do PSD têm nas suas mãos o futuro de um partido chave da democracia portuguesa e essencial do poder local, enquanto primeira entidade a velar pelas populações.

À falta de energia e de estratégia ganhadora que a liderança manifestamente revela, cabe aos autarcas um esforço redobrado para garantir o único resultado aceitável que é a vitória em termos de câmaras e freguesias.

É um fardo pesado que infelizmente não se pode partilhar com todos. Mas, é preciso dizer agora, que conquistar mais câmaras do que o PS e sobretudo assegurar a liderança da Associação Nacional de Municípios não é uma missão impossível.

Neste momento chave os autarcas precisam de um Partido inclusivo, representativo e não de um Partido sectário, populista e maniqueísta como, por vezes, se tem visto.

É essencial concentrar esforços nas eleições autárquicas, deixando de lado um discurso que não tem adesão à realidade e uma retórica que vagueia entre o Diabo e os Reis magos.

Importa deixar de lado também a demagogia, o populismo e a falta de vergonha de quem vê na desgraça alheia 64 oportunidades de sucesso mediático.

Importa deixar claro - na acção - quem são as cigarras e quem são as formigas. Não basta a retórica de um líder desgastado.

O PSD só pode ambicionar a vitória. É essa exigência que qualquer social democrata deve fazer a Passos Coelho. Contentar-se com as vitórias do passado é continuar a viver numa redoma de vidro que apenas garantirá que nada muda.

Neste momento chave nenhum líder de nenhum partido combate os seus adversários apresentando derrotas. Neste momento chave para o PSD só a vitória importa porque só ela trás e garante futuro e estabilidade.

A não concretização desse objectivo seria um rude golpe não só para a direcção, mas para todo o coletivo social-democrata. 

Há momentos em que é preciso apelar à mobilização geral, ignorando momentaneamente divergências internas, por muito profundas que possam ser.


Assim deve ser em nome de valores mais altos.



Artigo publicado na edição on-line do Jornal Publico de 6 de Agosto:





terça-feira, 5 de abril de 2016

Foi um congresso onde ficou bem demonstrado o controlo que o PedroPassos Coelho tem sobre a máquina partidária

Alguns pontos sobre o 36º Congresso do PSD

Pedro Santana Lopes - Salvou o congresso. Num congresso onde havia uma expectativa muito grande relativamente à ação do José Eduardo Martins e do Pedro Duarte, o Santana Lopes veio em socorro do Pedro Passos Coelho e fez o que poucos teriam capacidade e legitimidade para fazer. Ridicularizou os eternos opositores, o Rui Rio, a Manuela Ferreira Leite e o Pacheco Pereira. 
Num discurso bem humorado e com bastante nível disse tudo o que Passos Coelho precisava que fosse dito.

Aguiar Branco - defendendo a direção nacional, tentou colocar o Pedro Duarte e o José Eduardo Martins acima da imagem de "efant terribles". O desafio que fez aos principais atores políticos do PSD para concorrem nas próximas eleições autárquicas foi aparentemente ignorado. Se é compreensível que este desafio tenha sido visto com algum pânico pela Teresa Leal Coelho e por muitos dos que integram a Comissão Política Nacional, tratando-se de algo que não é inédito no PSD, ia requerer que conseguissem identificar o desafio do Aguiar Branco como uma oportunidade.

Paulo Rangel - Foi o melhor discurso que fez até hoje. Evoluiu bastante desde o momento em que perdeu as eleições diretas para o Pedro Passos Coelho.

Podemos assumir com bastante certeza que o Congresso, numa perspectiva interna do partido, correu muito bem ao Pedro Passos Coelho. 
Com a alteração de abordagem ao governo esvaziou completamente o discurso dos descontentes internos e forçou-os a apresentarem-se com discursos mornos e cheios de banalidades.
Os convites para a Comissão Política e a pressão exercida sobre as distritais e concelhias também evitou movimentações para a criação de listas fortes alternativas à lista oficial, garantindo um resultado esmagador para a lista patrocinada por si.

Foi um congresso onde ficou bem demonstrado o controlo que o Pedro Passos Coelho tem sobre a máquina partidária. Também foi muito evidente a prudência que os presidentes de distrital e de concelhia demonstraram com os olhos postos nas próximas eleições autárquicas. Aliás, a cedência à vontade das bases ficou bem explicita pelas afirmações do Almeida Henriques, ao assumir o regresso dos autarcas "empurrados" para candidaturas independentes (lê mais aqui), pondo fim a guerras com mais de 10 anos. 

Claramente o PSD quer ganhar as próximas eleições autárquicas e parece que está disponível para fazer tudo ao seu alcance para que isso aconteça.


(A figura do Congresso)