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sábado, 22 de setembro de 2018

Ação construtiva


Em tempos de alguma agitação política, que antecede a discussão do Orçamento de Estado, as mentes mais inquietas e impreparadas precipitam-se. Convém portanto descer à terra.

Acabou a Silly Season e com isso reaparecem os problemas que só o mês de Agosto (e algumas agências de comunicação) consegue esconder.

Na saúde afinal ainda temos 711.000 portugueses sem médico de família (segundo dados de 2017) e milhares em filas de espera para consultas e cirurgias.

Na educação inicia-se o ano letivo com falta de profissionais nas escolas e temos os professores descontentes por não lhes verem reconhecida a contagem de tempo de serviço.

Na defesa, o roubo de Tancos continua por resolver e nem um valente puxão de orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa ao Ministro parece vir a resolver esta vergonhosa e grave situação como disse Rui Rio.

Na justiça, para além da novela da nova PGR, mantem-se a ausência de coragem para reformas sérias e reverte-se – por pressão política – qualquer medida que possa baixar a popularidade do governo ou de António Costa.

Na administração interna assistimos à degradação dos serviços de segurança e à degradação das condições de trabalho dos profissionais da PSP e da GNR a cada dia.

Nas finanças, onde nos vendem o “el Dorado”, regressamos da utopia cada vez que a UTAO comunica a real situação do País e nos diz que a fatura com a dívida cresce 3,8% quando o governo previa 1,4%.

E até os comentários domingueiros de Marques Mendes, a defender com vigor a governação socialista - lembrando o saudoso Vasco Granja quando falava de desenhos animados checos – regressaram sem disfarces do autor, tamanho é o entusiasmo.

O País está anestesiado. A CGTP, a UGT e os sindicatos em geral estão amordaçados. Os Professores, os Policias, os Médicos, os Enfermeiros, os Funcionários Públicos em geral, embora descontentes, parecem estar sob o efeito placebo.

Esta falta de adesão à realidade só pode ser combatida com uma ação construtiva. Compete, portanto, aos partidos da oposição construírem uma alternativa a este estado de coisas e isso só será possível com uma ação disruptiva que contrarie o que tem sido imposto pelo Status Quo.

Falamos de um Status Quo que se move nos corredores do poder, faz já muitos anos, e por consequência disso não aceita que alguém lhes mude as regras, lhe reduza o poder, ainda por cima se esse alguém é um político incontrolável e classificado, por muitos, como sério.

A receita para combater este cancro que espalha metástases por todo o lado é uma quimioterapia cheia de ação construtiva, onde o politicamente correto não tem lugar e onde só cabe a defesa dos verdadeiros interesses nacionais.

Não podemos continuar a fingir que não vemos a realidade. Este é o momento de ação, como disse Álvaro Cunhal, “Tomemos nas nossas mãos os destinos das nossas vidas.”

Mas devemos fazê-lo por via de uma ação construtiva, firme e séria. Assim a diferença será evidente e ganharemos a disponibilidade daqueles que hoje estão afastados para, em conjunto, participarem na construção do futuro.

E para os que, pensando no que está mal se vão acomodando, termino citando Francisco Sá Carneiro que conscientemente disse, “O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for.”.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Mundo mudou e o caminho é outro.


Em matéria de Segurança e Defesa, o caminho doutrinário seguido ao longo dos últimos anos aponta no sentido de uma maior cooperação e articulação multi-nível destas áreas. Conceitos como o “duplo uso” e “pooling and sharing” ou a realização de operações e treinos conjuntos entre Forças Armadas (FA) e Forças e Serviços de Segurança (FSS) são prova disso mesmo.
Não é só a escassez dos recursos disponíveis (todos os recursos são finitos) potenciada pela crise económico-financeira que aconselha a seguir esse caminho. A crescente difusão da natureza das ameaças e consequente esbatimento da fronteira entre segurança interna e segurança externa desaconselham abordagens estanques aos fenómenos.
Não obstante, por cá a tradição ainda leva as principais entidades com responsabilidades operacionais nestas áreas a seguirem um rumo talvez excessivamente autárcico.
A comummente designada lógica de “quintinhas” tem ainda uma forte implementação no contexto nacional, o que até contrasta com a multiplicidade de atores com competências em diversas áreas operacionais no âmbito da Segurança e da Defesa (veja-se por exemplo a multiplicidade de entidades com competências nas áreas costeira e marítima).
Uma coisa seria a clara definição de competências de cada um dos atores, a respectiva cadeia hierárquica e escopo de intervenção, outra bem distinta seria uma hipotética “separação clara” da Segurança e Defesa. Se a primeira opção é de saudar, por permitir consideráveis ganhos em matéria de planeamento e intervenção, a segunda será um passo no sentido errado, anacrónico e com potenciais consequências desastrosas para a Segurança Nacional.
A cooperação e articulação entre a Segurança e a Defesa, entre FA e FSS, mas também contando com organismos do sistema de Protecção Civil e da comunidade das Informações, são condições indispensáveis para a prossecução do Interesse Nacional, que não se pode compadecer com interesses sectoriais e de natureza eminentemente corporativa.