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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A quarta "Era" da comunicação


Em tempos passados, a forma de comunicação política era direta e fazia-se através de reuniões públicas em salões de igrejas, cinemas, salões de baile e campanhas políticas de porta-a-porta. Nos dias de hoje, estes métodos são cada vez menos comuns e limitados, principalmente a países onde a tecnologia não permite que a mensagem seja enviada diretamente para casa das pessoas.

Estamos perante uma evolução da comunicação e nesse sentido, já em 1999, os autores Blumler e Kavanaugh distinguiam a evolução da comunicação política em três eras distintas. 

A primeira era, ocorreu antes do início da televisão, quando os principais canais de comunicação eram instituições políticas fortes e estáveis, como os partidos políticos tradicionais ligados aos regimes.

A segunda era, foi aquela onde as mensagens passaram a ser transmitidas através dos meios de comunicação de massa, o que fez com que a procura por profissionais de comunicação tenha aumentado uma vez que estando estes profissionais inseridos no meio, poderiam explorar melhor as suas vantagens.

Na terceira era, ainda emergente, a componente essencial distinguida foi a existência dos média e todos os seus canais de comunicação. Nesta era, a profissionalização da comunicação política torna-se cada vez mais evidente e passa a ser um fator essencial de sucesso. Os seus melhores profissionais colocam como prioridade a orientação dos agentes políticos, para que possam comunicar através da multiplicidade de canais, cada um deles com um conjunto de necessidades e formatos específicos.

É hoje claro que estamos na terceira era da comunicação política e esta tornou-se uma atividade voltada para as grandes massas usando os meios de comunicação (jornais, televisões e redes sociais). Esta mudança de paradigma permitiu que os média não só escolham o que transmitir como notícia, mas também escolham a maneira como essa notícia deve chegar aos respetivos grupos que compõem a sociedade.

A comunicação política, hoje, deixou de ser uma atividade direta, pessoal, face a face, para ser conduzida, indiretamente, através dos órgãos de comunicação social e dos vários canais de comunicação. Neste caso só as redes sociais podem fugir deste controlo dos órgãos de comunicação social.

Embora estas mudanças possam ter algumas perversões - e é fatual que têm - não deixam de representar um avanço enorme para a comunicação política, conseguindo desta forma, um meio para chegar o mais longe possível.

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação, a mensagem política chega a cada vez mais eleitores e isso significa que a evolução tecnológica ajudou, e ajuda a influenciar mais pessoas e mais instituições.

Se tivermos em conta a proliferação da internet nas últimas décadas temos de reconhecer que esta representou uma verdadeira revolução para a democracia global. Hoje cada vez mais cidadãos têm acesso à informação política o que, de certa forma, permite dar-lhes as ferramentas e conhecimentos para que as escolhas que possam vir a fazer sejam cada vez mais conscientes e sustentadas.

Além disso cada cidadão com acesso à comunicação passa a ser um meio de difusão da mensagem política, o que permite que esta mesma mensagem atinja todos os cantos do mundo.

Mas nesta era da abundância dos média, a comunicação política tem vindo a ser reformulada por tendências que fogem da origem da ciência política e da comunicação simples.

O aumento das pressões competitivas dos órgãos de comunicação social; o populismo anti-elitista e tão “acarinhado” por alguns jornalistas de uma pertença esquerda; o sebastianismo defendido por jornalistas de uma pertença direita que desvaloriza as opiniões contrárias; o experimentalismo e ambição (desmedida) de alguns profissionais da comunicação política; a avidez selvagem de algumas agências de comunicação; o jornalismo tendencioso (que recorre a falsas fontes); e por fim a mudança dos eleitores na abordagem às mensagens políticas, são fatores que obrigam a repensar a estratégia futura da comunicação política.

Surge então, dentro da terceira era emergente da comunicação política, a necessidade de procurar um meio eficaz que não permita que sejam os média a decidir o que se comunica ou não, ao nível da mensagem política, mas sim os agentes políticos em conjunto com os responsáveis da comunicação social.

Compete a estes responsáveis construir os canais para termos uma comunicação política que se quer sem ruído, sem filtros prévios, esclarecedora e acima de tudo, com a capacidade de chegar aos seus verdadeiros destinatários que são os eleitores.

O desafio é criar uma quarta era da comunicação política onde os agentes políticos e os representantes dos média possam, em conjunto, contribuir de forma responsável para uma sociedade mais informada, mais esclarecida e por consequência mais democrática.


sábado, 6 de outubro de 2018

A última oportunidade

Hoje, o paradigma do líder político assenta em bases que são definidas no seio dos próprios partidos políticos e nas ideias defendidas por um status quo, uma pequena oligarquia, que procura não mudar nada. Já em 2016 escrevi sobre este tema e objetivamente pouco ou nada mudou.

Existem vários fatores que têm provocado o afastamento dos cidadãos da participação política, entre os quais o facto de os líderes, nos últimos anos, desiludirem os seus eleitores.  E isto tem levado cada vez maior número de pessoas a questionar os atuais líderes, a sua ação e o próprio futuro de Portugal.

Começa a ser óbvio que a necessidade de encontrar um novo paradigma de liderança é um imperativo nacional. Esta deve ser, aliás, uma discussão e um debate centrado na verdadeira necessidade de Portugal enquanto País periférico e dependente no quadro da União Europeia.

A política faz-se para as pessoas e com as pessoas, e um qualquer líder que despreze esta verdade fracassará.

Isto leva-nos à chamada “pergunta de um milhão de Euros”. Que líder queremos para o futuro? Será aquele que faz as perguntas certas ou aquele que nos oferece as respostas certas? Será um coordenador ou um catalisador? Será o homem do leme ou o navegador que estabelece a direção? Um futuro líder deverá ser um mestre na arquitetura financeira, económica ou social? Será um político? Um tecnocrata? Um gestor e um empreendedor de sucesso? Alguém com total independência do status quo? Ou um pouco de tudo isto?

Provavelmente é um líder com um pouco disto tudo. Alguém que desafie a “corte” de Lisboa (os interesses instalados)…alguém que possa agir em função de convicções (sem utopias e eleitoralismos), alguém que comunique para as pessoas e não para os média (mesmo que seja politicamente incorreto)…alguém que seja visto pelos portugueses como intrinsecamente sério (qualidade sine qua non para liderar)…alguém que corra como um Rio até atingir o Mar (que ultrapassa todos os obstáculos).

Assumamos que se fala do líder do PSD, afinal enquadra-se no perfil. Tendo em conta este cenário e sabendo que hoje é consensual que para ser um bom líder não basta ser um bom político, Rui Rio parece estar confortável com os desafios de um novo tempo onde a globalização é hoje uma realidade e onde os mercados comandam e definem as circunstâncias.

Os modelos de governação e os líderes do presente e do futuro têm de se adaptar aos novos tempos e Rio, apesar do ruído, está a trilhar esse caminho que talvez nunca tenha sido desbravado.

Trata-se de um caminho que põe em causa a estratégia das muitas das lideranças passadas que colocaram como prioridade a prática de técnicas de sobrevivência, em vez de darem prioridade ao desenvolvimento e ao sucesso do País.

Rui Rio parece querer fazer diferente e entendeu a diferença entre a sobrevivência política e o sucesso político. Por isso parece estar já a adaptar-se às novas realidades inovando na forma de agir e recriando o modelo de liderança assente nas bases corretas, de acordo com os interesses dos portugueses.

A ser assim, Rui Rio não só sobreviverá, como terá o sucesso associado à forma eficaz de gestão que defende para o País e à força das suas convicções. Mesmo que vozes residuais lhe vaticinem a morte política prematura.

Mas o líder do PSD não deve ceder, aliás deve procurar o sucesso de Portugal evitando a miopia que apenas vê a sobrevivência da sua liderança. Rui Rio deve abraçar uma estratégia de longo prazo, assente num programa verdadeiramente social-democrata, onde, sem tabus e sem dogmas, devem ser defendidos pactos de regime que garantam a estabilidade que perdurará no tempo garantindo um futuro de sucesso para Portugal.

Ninguém procura um D. Sebastião, mas sim uma alternativa ao estilo “ilusionista” e pouco confiável de António Costa. Os portugueses não querem um líder que diga hoje (5 vezes) que o Infarmed vai para o Porto e afinal amanhã já não vai. Os portugueses não querem um líder que enche a boca com a palavra dada, mas que nunca lhes dá uma palavra honrada.

Os portugueses querem um líder que seja motivador e que possa renovar a confiança dos cidadãos, cada vez mais afastados. Objetivamente procura-se “um de nós”, que transmita confiança, seriedade e acima de tudo esperança. Os portugueses procuram um líder, em quem possam depositar o futuro dos seus filhos e dos seus netos.

Rui Rio, como líder do maior partido com assento parlamentar e candidato a primeiro-ministro, tem a responsabilidade de criar o futuro e de inspirar os líderes de amanhã. Hoje é o tempo certo para resistir aos obstáculos e ter a coragem de implementar novas soluções que rompam com o status quo.

O líder do PSD tem a oportunidade de poder mudar uma receita falhada com mais de 40 anos de vida e os portugueses não lhe iriam perdoar que a transformasse numa oportunidade perdida…isso sim seria imperdoável.

As lideranças que defendem genuinamente as suas causas e que procuram o sucesso e bem-estar do seu povo, são as únicas capazes de mudar e de garantir que Portugal, ou qualquer outro País, tem Futuro.



Artigo publicado a 06/10/2018, na edição online do jornal Público:

https://www.publico.pt/2018/10/06/politica/opiniao/a-ultima-oportunidade-1846007


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A substância da Comunicação Política




A Comunicação Política é uma área em plena expansão quer do ponto de vista da reflexão teórica, quer do ponto de vista da sua prática nos mais variados domínios. Trata-se de uma temática central no panorama político atual e que tem de ser executada tendo em conta a essência da prática política e os princípios mais básicos da comunicação.

Na essência da prática política devemos apostar numa estratégia de comunicação inovadora e eficaz que responda e desmistifique a descrença que existe atualmente para com a classe política e que tem afastado os eleitores de participar.  

Nesta matéria para a comunicação ter sucesso é fundamental conhecer a "praxis" política, os comportamentos dos partidos políticos e dos aparelhos, as dinâmicas que existem nas relações inter-partidos e acima de tudo a forma como se relacionam com a comunicação social. Este é um conhecimento essencial para obter uma comunicação política eficaz. 

Relativamente aos princípios básicos de comunicação eles dizem-nos que quanto mais informação, quanto melhor o conhecimento acerca da governação e da liderança, dos programas eleitorais e do estado do país, mais se afirma a Democracia. 

Ora então poderíamos dizer que mais informação é a garantia de eleitorado esclarecido. Mas neste campo não é a quantidade da informação que importa, mas sim a qualidade e a clareza dessa informação.

Para o fornecimento dessa informação clara e de qualidade muito contribuem a grande maioria dos profissionais - da área da Ciência Política, da Comunicação e do marketing - que suportam a comunicação política recolhendo e interpretando informação e comunicando, da forma mais positiva possível, as decisões que são tomadas pelos líderes com quem colaboram.

Hoje a arena política é um meio que exige cada vez mais profissionalismo, técnica, rigor científico e nestas circunstâncias a comunicação política pressupõe planeamento, previsão e controlo. O que o líder político diz e faz e o modo como ele se apresenta, tem de ser acompanhado por uma mensagem política profissionalmente estabelecida e orientada para ser eficaz.

Nos dias que correm há cada vez menos espaço para o amadorismo, para o recurso ao improviso e para a falsa espontaneidade que faz com que muitos atores políticos prometam, sob pressão mediática, o que não podem fazer.

Importa cada vez mais controlar o acaso e conseguir antecipar e prever os impactos da comunicação política. O recurso a sondagens, pesquisas e análises rigorosas de matérias concretas permitem a antevisão e a intervenção que leva uma comunicação eficaz.

Mas na comunicação política - que se pretende sempre de confiança - nenhuma estratégia, por mais inovadora que seja, prevalece se no essencial um dirigente político não tiver ideias próprias, objectivos claros, convicções sólidas, um perfil de seriedade e acima de tudo valores.

Resta saber se os partidos políticos portugueses e os órgãos de comunicação social já compreenderam isso e se querem, em conjunto, renovar a confiança com os eleitores e os telespectadores para reduzir a falta de informação credível e acima de tudo a abstenção.


Linkedin: https://www.linkedin.com/pulse/subst%C3%A2ncia-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-pol%C3%ADtica-rodrigo-gon%C3%A7alves/?published=t



sábado, 22 de setembro de 2018

Ação construtiva


Em tempos de alguma agitação política, que antecede a discussão do Orçamento de Estado, as mentes mais inquietas e impreparadas precipitam-se. Convém portanto descer à terra.

Acabou a Silly Season e com isso reaparecem os problemas que só o mês de Agosto (e algumas agências de comunicação) consegue esconder.

Na saúde afinal ainda temos 711.000 portugueses sem médico de família (segundo dados de 2017) e milhares em filas de espera para consultas e cirurgias.

Na educação inicia-se o ano letivo com falta de profissionais nas escolas e temos os professores descontentes por não lhes verem reconhecida a contagem de tempo de serviço.

Na defesa, o roubo de Tancos continua por resolver e nem um valente puxão de orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa ao Ministro parece vir a resolver esta vergonhosa e grave situação como disse Rui Rio.

Na justiça, para além da novela da nova PGR, mantem-se a ausência de coragem para reformas sérias e reverte-se – por pressão política – qualquer medida que possa baixar a popularidade do governo ou de António Costa.

Na administração interna assistimos à degradação dos serviços de segurança e à degradação das condições de trabalho dos profissionais da PSP e da GNR a cada dia.

Nas finanças, onde nos vendem o “el Dorado”, regressamos da utopia cada vez que a UTAO comunica a real situação do País e nos diz que a fatura com a dívida cresce 3,8% quando o governo previa 1,4%.

E até os comentários domingueiros de Marques Mendes, a defender com vigor a governação socialista - lembrando o saudoso Vasco Granja quando falava de desenhos animados checos – regressaram sem disfarces do autor, tamanho é o entusiasmo.

O País está anestesiado. A CGTP, a UGT e os sindicatos em geral estão amordaçados. Os Professores, os Policias, os Médicos, os Enfermeiros, os Funcionários Públicos em geral, embora descontentes, parecem estar sob o efeito placebo.

Esta falta de adesão à realidade só pode ser combatida com uma ação construtiva. Compete, portanto, aos partidos da oposição construírem uma alternativa a este estado de coisas e isso só será possível com uma ação disruptiva que contrarie o que tem sido imposto pelo Status Quo.

Falamos de um Status Quo que se move nos corredores do poder, faz já muitos anos, e por consequência disso não aceita que alguém lhes mude as regras, lhe reduza o poder, ainda por cima se esse alguém é um político incontrolável e classificado, por muitos, como sério.

A receita para combater este cancro que espalha metástases por todo o lado é uma quimioterapia cheia de ação construtiva, onde o politicamente correto não tem lugar e onde só cabe a defesa dos verdadeiros interesses nacionais.

Não podemos continuar a fingir que não vemos a realidade. Este é o momento de ação, como disse Álvaro Cunhal, “Tomemos nas nossas mãos os destinos das nossas vidas.”

Mas devemos fazê-lo por via de uma ação construtiva, firme e séria. Assim a diferença será evidente e ganharemos a disponibilidade daqueles que hoje estão afastados para, em conjunto, participarem na construção do futuro.

E para os que, pensando no que está mal se vão acomodando, termino citando Francisco Sá Carneiro que conscientemente disse, “O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for.”.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

O Duarte Pio no protocolo de estado. Porquê?

Li e reli esta notícia (lê aqui) que dá nota da vontade de alguns em dar ao Duarte Pio lugar de relevo no protocolo de Estado. Porquê? Esta foi a pergunta que me fiz várias vezes e que continuo a não conseguir responder.

Na notícia há quem fale que o país tem de ter memória, que se trata de uma questão de cortesia, pelo facto dele ser convidado com regularidade. Mas porquê?

Memória? E os descendentes dos presidentes da República que lugar têm no protocolo de estado? Nenhum. Porque é que é que um primo afastado (aliás, bastante afastado) do último Rei de Portugal tem de ter tratamento especial no protocolo de estado?

Pessoalmente não tenho nada contra a que alguém o convide, por cortesia, para estar presente em algumas cerimónias, da mesma forma como, por cortesia, pode convidar qualquer outro cidadão.

(foto retirada daqui)

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A Censura está de volta

A liberdade de imprensa é um direito consagrado por via da Lei 2/99 de 13 de Janeiro, que garante o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações.



Numa lista de 180 países, Portugal ocupa a 23ª posição, com uma avaliação “satisfatória” quando se fala de liberdade de imprensa.

Mesmo sabendo nós que existem alguns jornalistas que abusam das suas competências e invadem, de forma grosseira, a vida de figuras públicas (ou menos públicas), sem terem consequências do seu (pouco) profissionalismo, lá vamos andando.

Porém, durante esta semana em que se festejou o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, no dia 3 de Maio, fomos confrontados com uma situação grave, que quase faz lembrar o tempo da “censura”.

O Jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, apresentou durante o Telejornal (a 2 de Maio) a evolução da dívida pública nacional e fê-lo com recurso à imagem de um gráfico que referia o ano e o nível de evolução da dívida, recorrendo aos dados do Eurostat (Autoridade Estatística da União Europeia).

Até aqui tudo bem, dizemos todos nós. Trata-se de matéria de facto (basta ver os dados do Eurostat) e não de matéria especulativa, portanto a garantia de uma informação fiável estava salvaguardada.

Para espanto de todos os defensores da liberdade de Imprensa e da Liberdade de expressão, vem o ex-deputado Socialista, José Magalhães, atacar o Jornalista chegando ao cúmulo de classificar a explicação dada como “uma vigarice extrema”.

Mas vai ainda mais longe o Socialista, dizendo que, “Passá-la na RTP à hora de maior audiência é um enxovalho para o serviço público”.

José Magalhães acha que informar em horário nobre só se deveria fazer se o assunto não fosse incómodo ao Partido Socialista e ao atual governo.

O Jornalista da RTP foi factual apresentando apenas e só os números. Senão vejamos, em 2000 a dívida pública era de 61 mil milhões de euros. É um facto! Em 2005 a dívida pública tinha já um valor de 96 mil milhões de euros. É um facto!

Em 2011 a dívida pública andava na ordem dos 185 mil milhões de Euros. É um facto! Em Abril de 2016 a dívida pública portuguesa atingiu os 233 mil milhões de euros, valor que representa mais do dobro dos 60% a que Portugal se comprometeu com a assinatura do tratado da moeda única. É um facto!

Para os Socialistas se uma notícia lhes é favorável trata-se de bom “serviço público” e o(a) jornalista que apresenta a notícia é um(a) profissional de primeira e merece todo o crédito.

Caso a notícia seja desfavorável ao Partido Socialista e ao governo, então estamos perante uma afronta á “verdade”, um abuso do poder dos média, ou como diz o ex-deputado socialista José Magalhães, estamos perante “uma vigarice extrema”.

Isto revela um padrão de comportamento preocupante de quem tem dificuldade de viver em Democracia, sem a controlar. Esta atitude é reveladora da estratégia de condicionamento que o Partido Socialista faz junto dos órgãos de comunicação social.

Analisando friamente este comportamento dos Socialistas e do governo de António Costa, leva-nos a concluir que estamos perante uma deriva a roçar a “ditadura”, que quer condicionar tudo o que se lhe oponha.

É importante lembrar que a um governo responsável cabe o papel de promover e garantir a liberdade de expressão (onde se inclui a liberdade de imprensa), permitindo que todos o possam fazer livremente, numa democracia saudável.

Triste e lamentável é o Partido Socialista e o governo acharem que têm o direito de impedir que uma notícia seja publicada, só porque não gostam do seu conteúdo. Isto sim é uma afronta à liberdade e à democracia.

Esta afronta faz-nos temer o regresso da “censura” que é agora mais moderna, mais dissimulada, mais hábil, mais engenhosa…mais Socialista!


Avaliando a forma como se vêm as liberdades básicas é evidente que o Partido Socialista vê a liberdade de expressão (e de imprensa) da mesma forma que a Coreia do Norte vê os direitos humanos. Só existe para quem não presta.



sexta-feira, 11 de março de 2016

O Bom Exemplo de Marcelo

Os políticos nunca devem ter receio de receber lições de humildade. A proximidade com o cidadão no exercício de funções legitimadas pelo voto é um dos fundamentos básicos do sistema democrático.



A arrogância, a soberba, o culto da personalidade e a incapacidade de escutar os outros são pecados mortais que minam muitas sociedades democráticas contemporâneas.

Compete a cada responsável político estar atento aos sinais da rua, sem nunca se fechar na redoma dos gabinetes à prova de som. Nesta matéria, os sinais que nos vão chegando do mundo contemporâneo – a começar por esta Europa que nos habituámos a considerar como fortaleza inexpugnável perante os inimigos da democracia – são preocupantes.

Nos mais diversos países vai aumentando a distância entre governantes e governados, cresce o descontentamento perante a incapacidade revelada pelas instituições de responder aos legítimos anseios do cidadão comum, avoluma-se a ameaça do ovo da serpente dos extremismos e dos populismos, por vezes com matrizes ideológicas opostas mas com uma inegável meta comum: contribuir para o descrédito de um sistema político que durante sete décadas trouxe paz a um continente outrora devastado pelas trincheiras da guerra.

Surgem problemas novos que exigem respostas claras e concertadas dos responsáveis europeus. Problemas relacionados com o aumento galopante dos fluxos migratórios impulsionados por conflitos sem quartel em vastas zonas do globo que se estendem do Magrebe quase aos confins do Oriente. 

A Europa tem servido de refúgio a milhões de pessoas em desespero, mas não pode ficar à mercê de infiltrações terroristas que podem acobertar-se nestas caravanas de imigrantes com todo o seu potencial destruidor. 

Isto exige, mais que nunca, esforços conjugados dos dirigentes da União Europeia de modo a acolher os verdadeiros refugiados em condições dignas e humanitárias enquanto se trava o passo ao fanatismo religioso que tantas vezes usa e abusa do desamparado idealismo de jovens sem raízes nem esperança.

Também nós, à escala portuguesa, devemos estar atentos aos sinais dos tempos. Criticando a irresponsável demagogia dos vendedores de ilusões que prometem o paraíso para a manhã seguinte, como se o crescimento económico e a prosperidade se construíssem com estribilhos e chavões. Recusando extremismos e fanatismos de toda a espécie.

Combatendo sem tréguas os inimigos da democracia com a pedagogia da tolerância e apelos contínuos à razão. Fazendo da moderação uma virtude e do diálogo uma bandeira. Recusando a todo o momento a lógica da trincheira que nos faz imaginar em cada opositor um inimigo.

Esta atitude de tolerância, esta capacidade de escutar os outros, este esforço permanente de estabelecer pontes de contacto com os cidadãos devem ser preocupação constante dos políticos no mundo contemporâneo, devassado pelo sectarismo ideológico e pelo fanatismo religioso que por vezes não hesitam em recorrer à lei da bala para imporem os seus dogmas.

Daí a importância do magistério presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, iniciado na quarta-feira. Os primeiros sinais emitidos pelo novo Chefe do Estado apontam no rumo certo. São sinais de inequívoco respeito pelas ideias e crenças alheias, sem exclusão de ninguém. 

E como a política vive muito de símbolos, nenhum foi tão significativo como a cerimónia ecuménica promovida pelo novo Presidente da República na mesquita de Lisboa. Num mundo de exclusões, num país onde a política acusa excesso de crispação, Marcelo deixou bem claro que será um líder inclusivo, funcionando como traço de união. 

É uma garantia acrescida para os cidadãos: no topo da pirâmide do Estado está um líder que saberá interpretar a voz dos portugueses anónimos. E é também um exemplo a seguir pelos restantes protagonistas do processo de decisão pública em Portugal, seja a que nível for: a política só faz sentido quando se desenvolve como verdadeiro serviço público.

Rodrigo Gonçalves
(publicado no Semanário OJE a 11/03/2016)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Democracia, esse conceito abstrato

Sempre ouvi dizer que é de desconfiar dos auto-proclamados paladinos disto e daquilo. É que diz a tradição que o pregão nem sempre corresponde à realidade.

Depois da austeridade imposta pela esquerda na Grécia, agora é em Espanha que o Podemos nos brinda a sua visão desse conceito tão abstrato a que chamam democracia.


(retirado do CM de hoje)


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Maioria dos portugueses queria Passos como líder do Governo." Perdoem-me a superficialidade da leitura, mas...

Perdoem-me a superficialidade da leitura, mas quando vi os resultados da última sondagem da Católica não consegui deixar de soltar uma gargalhada. Recordo que em 4 de Outubro deste ano, a coligação Portugal Mais à Frente, constituída pelo PSD e pelo CDS, obteve 36,86% dos votos, contra 32,31% do PS, 10,19% do BE e 8,25% da CDU.
 

   
 
Sabemos  agora, lendo a sondagem realizada pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Antena 1 e RTP, nos dias 5 e 6 de dezembro de 2015, que intuímos como reflexo da sensibilidade da sociedade portuguesa, que a maioria dos eleitores defende que o primeiro-ministro deveria ser Pedro Passos Coelho (52%) e não António Costa (37%).
 
Chamo a atenção para o facto do resultado eleitoral do PS coincidir com a percentagem de eleitores que desejava ver AC como PM. No entanto, o facto relevante e que suscita sérias preocupações sobre a saúde mental dos portugueses, tem a ver com a dissonância entre aqueles que votaram PaF e aqueles que, na realidade, gostavam de ver PPC como PM. Isto é, 15% do eleitorado, embora preferindo, desejando, querendo ou pretendendo PPC como PM, ou votou à esquerda ou ficou em casa a orar aos santinhos. Note-se que a época balnear terminou em 30 de setembro.
 
Se nos recordamos que dos 9.682.553 eleitores inscritos, apenas 5.408.805 votaram (44%), mais me deixo envolver pela convicção de que, apesar do 25 de Abril ter ocorrido há quase 42 anos, a sociedade portuguesa continua a dar alarmantes sinais de uma imaturidade política, sintomas que se confundem, por vezes, com os de uma eventual disfuncionalidade mental cujos ecos não encontro no resto do Continente Europeu.
 
Pois, podem dizer-me que a  Democracia tem destas coisas, pelo menos enquanto não ocorrer uma revisão constitucional que facilite cenários de maior estabilidade politica, social e económica em Portugal. Não deixei, no entanto, de me lembrar da atualidade das palavras do General Ramalho Eanes, ao Expresso 27 de janeiro de2007: “A democracia representativa está em crise, porque ela é só e pouco representativa. É muito fechada às elites que se cooptam e se reproduzem, não se abre convenientemente à sociedade civil e aos cidadãos, que devem ser obrigados a participar na decisão sobre as grandes questões.”
 
Porque não conceber a obrigatoriedade do voto, atuando, assim, de forma pedagógica sobre as margens mais imberbes e irresponsáveis da sociedade portuguesa?

PS. Apenas mais uma nota: PSD/CDS subiriam para 41% e o PS para 34%, com o conjunto dos partidos de Esquerda a crescerem de 50,8% para 52%.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Viva a República! #España #República #Justiça #Liberdade


O sistema político espanhol é um problema dos espanhóis (vê mais aqui), mas a pior coisa que pode acontecer à causa republicana em Espanha é deixar que se transforme numa bandeira da esquerda...



A República não é uma questão de esquerda ou direita é uma questão de Justiça e Liberdade

Porque ninguém pode herdar um poder do Estado apenas por ter nascido numa determinada família... Viva a República!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hoje Mário Soares começou o dia a tomar Rennies...

Para azia de alguma esquerda Francisco Sá Carneiro é reconhecido pelos portugueses como a figura política mais próxima dos valores do 25 de Abril  (ver Barómetro i/Pitagória)

quinta-feira, 20 de março de 2014

#ouvidonoelevador "A malta do manifesto dos 70 teve de ir pedir credibilidade emprestada lá fora"

Se não fosse suficiente o facto da maioria dos subscritores do manifesto dos 70 terem tido responsabilidade na governação do país durante as décadas que levaram Portugal à beira do colapso financeiro, agora, ao perceberem que a sua credibilidade não é assim tanta foram pedi-la emprestada lá fora... LOL 



quinta-feira, 6 de março de 2014