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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








sábado, 22 de setembro de 2018

Ação construtiva


Em tempos de alguma agitação política, que antecede a discussão do Orçamento de Estado, as mentes mais inquietas e impreparadas precipitam-se. Convém portanto descer à terra.

Acabou a Silly Season e com isso reaparecem os problemas que só o mês de Agosto (e algumas agências de comunicação) consegue esconder.

Na saúde afinal ainda temos 711.000 portugueses sem médico de família (segundo dados de 2017) e milhares em filas de espera para consultas e cirurgias.

Na educação inicia-se o ano letivo com falta de profissionais nas escolas e temos os professores descontentes por não lhes verem reconhecida a contagem de tempo de serviço.

Na defesa, o roubo de Tancos continua por resolver e nem um valente puxão de orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa ao Ministro parece vir a resolver esta vergonhosa e grave situação como disse Rui Rio.

Na justiça, para além da novela da nova PGR, mantem-se a ausência de coragem para reformas sérias e reverte-se – por pressão política – qualquer medida que possa baixar a popularidade do governo ou de António Costa.

Na administração interna assistimos à degradação dos serviços de segurança e à degradação das condições de trabalho dos profissionais da PSP e da GNR a cada dia.

Nas finanças, onde nos vendem o “el Dorado”, regressamos da utopia cada vez que a UTAO comunica a real situação do País e nos diz que a fatura com a dívida cresce 3,8% quando o governo previa 1,4%.

E até os comentários domingueiros de Marques Mendes, a defender com vigor a governação socialista - lembrando o saudoso Vasco Granja quando falava de desenhos animados checos – regressaram sem disfarces do autor, tamanho é o entusiasmo.

O País está anestesiado. A CGTP, a UGT e os sindicatos em geral estão amordaçados. Os Professores, os Policias, os Médicos, os Enfermeiros, os Funcionários Públicos em geral, embora descontentes, parecem estar sob o efeito placebo.

Esta falta de adesão à realidade só pode ser combatida com uma ação construtiva. Compete, portanto, aos partidos da oposição construírem uma alternativa a este estado de coisas e isso só será possível com uma ação disruptiva que contrarie o que tem sido imposto pelo Status Quo.

Falamos de um Status Quo que se move nos corredores do poder, faz já muitos anos, e por consequência disso não aceita que alguém lhes mude as regras, lhe reduza o poder, ainda por cima se esse alguém é um político incontrolável e classificado, por muitos, como sério.

A receita para combater este cancro que espalha metástases por todo o lado é uma quimioterapia cheia de ação construtiva, onde o politicamente correto não tem lugar e onde só cabe a defesa dos verdadeiros interesses nacionais.

Não podemos continuar a fingir que não vemos a realidade. Este é o momento de ação, como disse Álvaro Cunhal, “Tomemos nas nossas mãos os destinos das nossas vidas.”

Mas devemos fazê-lo por via de uma ação construtiva, firme e séria. Assim a diferença será evidente e ganharemos a disponibilidade daqueles que hoje estão afastados para, em conjunto, participarem na construção do futuro.

E para os que, pensando no que está mal se vão acomodando, termino citando Francisco Sá Carneiro que conscientemente disse, “O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for.”.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Sucessor de Costa no Partido Socialista

O Partido Socialista já têm um sucessor para a cadeira de António Costa… O próximo líder Socialista será o Facebook! Sim está entidade que tem governado Portugal na sombra, decidiu sair do armário e revelar-se aos portugueses e já conta com vários nomes para a sua comissão politica, o Twitter, o Snapchat, o Instagram, entre outros...


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Tapar o Sol com a Peneira no Urban Beach


As agressões à porta da Discoteca “Urban Beach” não têm justificação possível, mesmo que fossem em auxilio e proteção de vitimas, ninguém se pode substituir ao estado e fazer justiça pelas suas próprias mãos. Os atos de violência demonstrados no vídeo, que se tornou viral, são lamentáveis e repugnantes, mas, num estado de direito como o nosso, todos têm direito à defesa e ao contraditório e não nos cabe a nós julgarmos nenhum dos intervenientes na praça pública.
A verdade é que o Estado ordenou o encerramento desta discoteca baseando-se nas imagens que se tornaram virais, que também poderiam prejudicar a imagem já desgastada do governo por causa de outro assunto… Os incêndios. Sim, porque não me digam que foi por causa das 40 queixas anteriores… Aliás, foram necessárias 40 queixas para fecharem a discoteca?
Tal como nos incêndios, a noite de Lisboa e não só, precisa de uma intervenção de fundo, não apenas ir remediando casos mediático que vão surgindo. Só quando a noite arder por completo é que se vai chegar a essa conclusão…
Esta decisão, feita à presa para estancar a ferida, poderá nos próximos tempos levar ao encerramento de vários locais de diversão noturna, à medida que forem aparecendo novas gravações. À boa maneira da comunicação social que adora explorar um tema “viral”, sempre com as audiências em mente, lá estará o estado a socorrer como pode os incêndios que vão aparecendo… Até porque existem muitas casas noturnas que trabalham exemplarmente e são uma mais-valia, quer por serem uma forma de descontração e lazer, quer por ajudarem a impulsionar o setor do turismo que tem contribuído e muito para a nossa recuperação económica.
É por isso necessário saber separar o trigo do joio


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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O Presidente da res pública

O Presidente da República tem sido incansável nas suas visitas pelos concelhos mais afetados pelos incêndios. As suas palavras de conforto, os seus abraços, o seu espírito de missão é inspirador e os seus gestos revelam a sua enorme nobreza. Eu, tal como a maioria dos portugueses, revejo-me em Marcelo Rebelo de Sousa. 

Mais do que o Presidente dos afetos, é incontestavelmente o Presidente da República, da res pública. Não se tratam de beijos em tempo de campanha politica, são gestos que transparecem genuinidade e dedicação ao seu povo, um homem talhado para o mais alto cargo da nação. 

Numa sociedade onde o Estado está cada vez mais distante da população, onde cada vez mais os sites e os atendimentos automáticos se substituem às pessoas o Presidente da República marca a diferença e traz de volta a Humanidade aos órgãos do Estado.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Votam mas não sabem o quê...


Em relação à vinda da sede da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), considerando-a como de interesse nacional, foi aprovado na Assembleia da República, por unanimidade, um Voto de Saudação de Apoio à candidatura de Portugal, no dia 10 de maio. 


No voto de saudação estava expresso claramente que a colocação deveria ser em Lisboa e sem reservas de nenhum deputado foi aprovado, repito, por unanimidade. 

Ver agora os partidos criticarem a mesma decisão do Governo (de quem não sou especial adepto) é de uma enorme hipocrisia. 

No tempo certo (a 10 de Maio) nenhum dos seus deputados do Porto, Braga ou Coimbra, que aprovaram o Voto de Saudação na Assembleia, levantou a mínima questão e agora vêm, como mártires de um "centralismo intolerante", criticar na praça pública aquilo que aprovaram sem reservas! 

Esta é uma das causas do afastamento dos cidadãos da política. Esta é uma das causas que não ajuda a credibilizar a classe política e o parlamento em particular.


Além disso devemos também alertar para a acção pouco esclarecedora da nossa comunicação social que já devia ter passado esta informação. 

Ao contrário, tem vindo a alimentar este espectáculo que em nada favorece a imagem de Portugal e diminui as hipóteses de atrair esta Agência para o nosso País.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

30% Gasolina...70% Impostos.



Sabiam que cerca de 70% do valor dos combustíveis são impostos?

Sabiam que a gasolina portuguesa é a segunda da UE com impostos mais pesados?

Como diz o nosso 1º Ministro, "Palavra dada é palavra honrada."



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Pior cego é o que não quer ver



Chegamos ao final de agosto e temos a noticia de que a dívida pública portuguesa subiu para os 131,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre, acima dos 128,9% registados no final de 2015, segundo dados do Banco de Portugal. Estes dados são também confirmados pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), o que não deixa margem para qualquer dúvida.

A dívida pública estimada no primeiro semestre terá atingido, em termos absolutos, os 240.100 milhões de euros, um acréscimo de 8700 milhões de euros face ao final de 2015.

No Programa de Estabilidade 2016-2020, o atual Governo comprometeu-se com uma redução da dívida pública para os 124,8% este ano, um objetivo que está 6,8% abaixo do valor registado na primeira metade do ano. Também quanto ao crescimento, a previsão do Governo que era de 1,6%, falhou redondamente atingindo apenas 0,8%.

Para agravar o cenário macroeconómico temos a agência canadiana DBRS a alertar para a possibilidade de rever o “rating” de Portugal, o que colocaria o país numa situação muito fragilizada. Recordo que uma descida do “rating” para o nível “lixo”, por parte da DBRS, fará automaticamente com que as obrigações soberanas de Portugal deixem de ser elegíveis para a compra do Banco Central Europeu (BCE). Ou seja, deixamos de ter acesso ao financiamento, por via da aquisição de dívida soberana que o BCE vem fazendo. 

Começa a ficar claro que a estratégia defendida pelo atual Governo não está a dar resultado. A inversão de reformas chave, a implementação de medidas que aumentam a despesa (sem a respetiva compensação de acréscimo de receita), o estímulo ao consumo como solução (falhada) para a revitalização da economia (que tem aumentado o endividamento das famílias), o aumento de impostos indiretos (exemplo dos combustíveis), as alterações ao IMI que agravam ainda mais a tributação, a manutenção da taxa do IRC (prejudicando as empresas e retraindo o investimento privado), consubstanciam, factualmente, o fracasso da atual política económica e financeira do Governo.

Por mais que venham os partidos que suportam o Governo referir que estamos no caminho certo, a inevitabilidade dos resultados negativos não deixa margem para populismo barato. Até as melhores previsões sobre a dívida pública do FMI e OCDE de 128,9% do PIB e a previsão da Comissão Europeia de 126% do PIB foram já ultrapassadas e ainda vamos a meio do ano.

António Costa estará a preparar uma estratégia para encarar a negociação do Orçamento de Estado de 2017, que poderá culminar na demissão do Governo, garantindo assim eleições antecipadas enquanto ainda goza de alguma popularidade.

Catarina Martins, por seu turno, já está a ensaiar o discurso de rutura e revela-nos agora (pasme-se o descaramento) que se arrepende todos os dias de fazer parte da geringonça. Também Jerónimo de Sousa já veio avisar que dificilmente aprovará um Orçamento que traga mais constrangimentos “à classe trabalhadora”.

Ora, só falta mesmo uma oposição que comprove aquilo que as evidências têm feito. A forma envergonhada como se apresentam alternativas são demasiado confrangedoras. Não bastam as evidências de que o anterior Governo estava a garantir mais estabilidade económica, financeira e (a médio prazo) social. É necessário apresentar de novo um projeto alternativo, adaptado às novas realidades e sem receio de algumas mudanças.

Este é o tempo de começar a preparar uma alternativa credível para apresentar aos portugueses em contraponto à atual política da geringonça. Depois dependerá da escolha dos eleitores.
Diz o ditado popular que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Para reforçar este sábio ditado deixo aqui uma reflexão que define claramente a gravidade da situação atual.


Com este Governo a dívida pública cresce 1,4 milhões de euros por hora e 33,6 milhões por dia. Só não vê quem não quer.


Artigo publicado no Jornal Económico OJE:

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A Sovietização de Portugal



Em plena “silly season” quase tem passado despercebida mais uma fase da campanha de “Sovietização” de Portugal, levada a cabo pelo atual Governo e pelos partidos que o suportam.
Desde o aumento dos combustíveis (como se só os ricos tivessem carros) ao aumento do IMI para quem tem mais sol (mesmo para quem vive em Porto Brandão e Trafaria), passando pelas “bolas de Berlim”, até à banalização da promiscuidade entre governantes e empresas privadas (como se pagar viagens a secretários de Estado fosse normal), todos temos estado sujeitos à “Sovietização” estando sob o efeito placebo provocador de uma dormência generalizada na sociedade portuguesa.
Hoje, se consumimos somos tributados. Se trabalhamos somos pesadamente tributados. Se acumulamos poupança consideram-nos ricos, portanto, somos tributados. Se adquirimos casa própria somos ricos, portanto, somos tributados.
O Governo descobriu uma nova classe de ricos. São os mais de 75% de portugueses que têm casa própria. São os 50% de portugueses que têm automóvel. São os cerca de 25% de portugueses que fumam. São os cerca de 25% de portugueses que consomem pelo menos uma bebida alcoólica por dia. São os cerca de 25% de portugueses com seguros de saúde privados.
Importa recordar que o PS nas legislativas de 2015 obteve 1.747.685 votos. Ou seja, aqueles que têm levado a cabo a “Sovietização” de Portugal representam bem menos do que os 7,5 milhões de portugueses com casa própria; do que os 5 milhões de portugueses que têm automóvel; do que os 2,5 milhões que fumam; do que os 2,5 milhões que consomem álcool (moderadamente), e bem menos do que os 2,5 milhões que têm seguros de saúde privados.
Desta análise estamos a excluir ainda as nossas empresas e, principalmente, as PME que representam mais de 80% do nosso tecido empresarial e que têm visto serem agravadas as tributações às mais diversas atividades, além do eterno e pesado IRC.
O processo de “Sovietização” em curso parece querer o regresso ao modelo falhado do “socialismo real” aplicado na antiga União Soviética, que defendia o controlo económico e social através do poder musculado. O resultado final foi o paradigma do falhanço socialista.
Este processo tem também nuances do modelo cubano onde o estado, teoricamente, se apresenta como popular, socialista, defensor dos interesses dos trabalhadores e distribuidor da riqueza. Os resultados de Cuba são também um bom exemplo da miséria do socialismo com caracter totalitarista.
Mas o mais bizarro na “Sovietização” em curso são os traços do modelo venezuelano. É evidente no discurso da geringonça a defesa da política de estímulo ao consumo interno que no caso venezuelano teve o resultado de uma inflação brutal. Outro traço comum ao regime venezuelano é a despreocupação quanto ao equilíbrio da balança comercial, traduzindo-se isso num aumento das importações. Este desequilíbrio levará a um estrangulamento da iniciativa privada e, com isso, à diminuição do peso do setor privado, reduzindo o investimento e baixando a capacidade produtiva, aumentando o desemprego e, por consequência, a pobreza.
Afinal, o que nos tem trazido este processo de “Sovietização”? Temos mais desemprego (dados do INE); aumentou a dívida publica pelo 4.º mês consecutivo (dados do BdP); as exportações estão em queda (dados do INE); a poupança está em valores negativos, algo que não sucedia desde 1995 (dados do INE); o investimento cai pela 1.ª vez desde 2013 (dados do INE); a confiança dos consumidores voltou a cair (dados da CE); a atividade económica está com valores negativos, algo que não sucedia desde 2013 (dados do BdP). E a tudo isto ainda devemos acrescentar o aumento do número de famílias sobre-endividadas, resultado do estímulo ao consumo apregoado pelo Governo (dados da DECO).
Afinal, estamos pior e parece que a “Sovietização” que o Governo quer impor está a condenar Portugal ao fracasso. Até lá, veremos se escrever um artigo de opinião não passará também a pagar imposto.


Artigo publicado no jornal económico OJE

sexta-feira, 18 de março de 2016

Costa, Passos e a governabilidade





No contexto atual e depois das eleições de Outubro de 2015, com a alteração de forças no Parlamento a ditar um novo alinhamento à esquerda, faz todo o sentido falarmos de Governabilidade e ajudar a perceber o que ela representa, tanto na sua vertente teórica, como na sua vertente prática.

Governabilidade é o conjunto de condições necessárias ao exercício do poder de governar. Uma definição simples e perceptível, define o termo de Governabilidade como a habilidade de governar. Trata-se de uma circunstância que denota estabilidade social, financeira, política e permite ao Poder Executivo exercitar as suas funções, governando de maneira estável.

Governabilidade deverá ser o objetivo a atingir por António Costa tendo a sua base nos entendimentos presentes e futuros com o BE, PCP, PEV e PAN (estratégia que parece estar a conseguir com sucesso). Só esta situação pode dar legitimidade ao atual governo permitindo empreender as transformações necessárias de recuperação da nossa economia, fundamental para a manutenção da soberania.

No entanto e mesmo com a sombra da derrota (transformada em vitória) do PS e de António Costa, Pedro Passos Coelho e agora Assunção Cristas têm de resolver o dilema principal e fazer a escolha entre o que o povo precisa e o que o povo deseja, sem com isso fugir às metas de rigor orçamental e sem perder a aprovação popular, incluindo a de parte do eleitorado que votou no PS, mas que não tem fé na coligação à esquerda e que pretende ver satisfeitas as suas reivindicações mais identificadas com políticas de centro.

É inevitável que seja António Costa a ter a responsabilidade de dar a estabilidade necessária ao atual governo, mas até que ponto os entendimentos à esquerda revelam as incompatibilidades programáticas do PS e do PSD? Consegue o PSD distanciar-se dos acordos da esquerda e apresentar alternativas credíveis em simultâneo?

Uma coisa é certa, a pressão está do lado dos Socialistas e mesmo que agora não pareça, o eleitorado de centro e a classe média, não perdoaria a António Costa mais um deslize, que resulte numa nova intervenção da Troika, com consequências gravíssimas para a estabilidade do nosso País.

No entanto esse mesmo eleitorado também não perdoaria ao PSD a irresponsabilidade de continuar a viver no passado de uma vitória “que não teve” e de um Governo “que não é”. O PSD será penalizado se não conseguir traçar um novo caminho, de oposição concerteza, mas responsável e com a perspectiva de se apresentar como uma alternativa de governo.

Passos Coelho, como líder do maior partido da oposição, terá de estar preparado para apresentar alternativas credíveis e sustentadas e não basta dizer que a responsabilidade da Governabilidade é dos partidos à esquerda do PS, pois quem pretende ser governo não se pode abster de participar nas decisões que definem o rumo de Portugal.

Os governos e as oposições sempre enfrentaram dilemas para atingir a condição de governabilidade, mas depende dos seus líderes essa Governabilidade. De António Costa já se sabia ser um hábil negociador. Já Passos Coelho, também demonstrou a capacidade e resiliência suficientes para conseguir a Governabilidade necessária, senão veja-se a forma como geriu o caso do “irrevogável” Portas, que poderia ter posto em causa a Governabilidade do anterior governo.

Mas será que Passos Coelho tem a mesma capacidade para agora liderar uma oposição eficaz, responsável e resistente? Conseguirá o líder do PSD apresentar-se com novo folego perante os eleitores? Será Passos Coelho o “estadista” que precisamos?

Nicolau Maquiavel dizia que “ O destino é obra das acções previamente calculadas, por uma mente brilhante e capacitada (…) ”, veremos agora se na oposição o “estadista” calcula de forma correta as acções necessárias para garantir a Governabilidade que lhe permita crescer e reconquistar o poder, sem nunca pôr em causa a estabilidade tão necessária para Portugal.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

IVA nas refeições escolares a 23%...Vergonhoso!!!



O Orçamento de Estado aprovado ontem tem tanto de incoerente como de absurdo na questão do IVA temos aqui um exemplo flagrante.

Ora reparem só que para comer uma refeição escolar o atual Governo quer que seja aplicada a taxa de 23% de IVA. No entanto para comer num qualquer restaurante do país apenas se aplica a taxa de 13%”.

Trata-se de uma incoerência absurda e de uma profunda injustiça que revela o carácter populista que parece ser conduta recorrente da generalidade dos atuais governantes.


Esperemos que agora na especialidade o Governo possa corrigir este erro grosseiro e reduzir assim o IVA para as refeições escolares. Veremos o que tem a dizer os “distraídos” dirigentes do PCP e do BE sobre esta questão.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O valor fiscal de um filho


A nova fórmula de cálculo do IRS representa um agravamento da carga fiscal real das famílias com filhos, o que é um retrocesso na fiscalidade de apoio às famílias e nas políticas de apoio social...


O Orçamento de Estado (OE), aprovado pelo Governo no passado dia 5 e que agora está em discussão, trouxe uma medida que representa um aumento real do IRS para as famílias com filhos e dependentes a cargo. A proposta aprovada define novas deduções de 550 euros por cada filho e de 525 euros por cada ascendente, acabando com o regime de quociente familiar criado pelo anterior Governo.


O Executivo defende que a medida ajuda os que têm menos rendimentos e, assim, as famílias com salários acima de 690 euros – consideradas “ricas” pelo o atual Governo – vão pagar mais IRS por mês, mesmo com o desconto de 550 euros por filho e de 525 euros por ascendente a cargo. 

Aliás, a nova modalidade só permite utilizar o valor agora atribuído para o cálculo das deduções em sede de IRS, como uma despesa de saúde ou de educação, retirando assim o benefício do quociente que fazia acrescer à dedução o valor de 0,3 % por cada dependente. 


Mas, sem demagogia, façamos um exercício simples. Imaginemos um casal com dois salários brutos anuais no valor de 14.200 euros que usa o limite das deduções de IRS. Se calcularmos o IRS a pagar, tendo em conta estas variáveis, tem um aumento real de imposto de 70 euros por ano se tiver um filho, de 130 euros se tiver dois filhos e de 200 euros se tiver três filhos.


Ou seja, ao contrário da campanha de cosmética que o Governo tem tentado fazer, esta nova fórmula representa um agravamento da carga fiscal real das famílias com filhos, o que é um retrocesso na fiscalidade de apoio às famílias e nas políticas de apoio social.


Para que se compreenda melhor, importa saber que, em dezembro de 2014, em sede de IRS, estava em vigor o quociente conjugal que definia que o rendimento das famílias era dividido por dois sujeitos, independentemente dos filhos que tivessem. 

A partir de janeiro de 2015, no âmbito da reforma do IRS, verificou-se a substituição do quociente conjugal pelo quociente familiar, permitindo que todos os membros que integrem o agregado passem a contar na divisão do rendimento para efeitos da sua tributação.


Esta medida incluía descendentes e ascendentes, desde que o seu rendimento mensal não ultrapassasse o valor da pensão mínima do regime geral. Ora, quando deveríamos assistir a um melhoramento da medida do quociente familiar através de um aumento percentual que permitisse subir acima dos 30% em vigor, assistimos ao absurdo de verificar que o Governo considera que os nossos filhos possam ser equiparados a uma despesa de saúde ou educação.


Trata-se de um agravamento fiscal cego que prejudica as famílias com filhos e que representa um claro desincentivo à promoção da natalidade em Portugal, que agrava assim o estatuto de país com uma das piores políticas de apoio às famílias. 

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) estima que, com esta medida, mais de 1 milhão de famílias com filhos venham a ser prejudicadas.


Com o novo modelo de cálculo do IRS agora imposto aprendemos garantidamente duas lições. A primeira, que, a partir de 690 euros por mês, o contribuinte é “rico” e, portanto, se tem filhos, deve ser penalizado com mais impostos. 

A segunda é considerarem que os nossos filhos têm um valor fiscal semelhante a um aparelho dos dentes, classificando-os como objetos de uma qualquer equação e com isso desvalorizando que representam o futuro.


Para os que tinham esperança numa nova perspectiva de apoio social às famílias, aqui fica a constatação da dura realidade de que a palavra dada nem sempre é palavra honrada.


publicado in, Jornal OJE

sábado, 23 de janeiro de 2016

Este é o governo que vai ainda além do governo que foi além da troika!


Este é o governo que vai ainda além do governo que foi além da troika!

Conheceu-se agora o esboço do orçamento de Estado para 2016. E, surpreendentemente, o “Tempo Novo”, afinal, é o tempo de ir além do governo que foi além da troika.

Vejamos:

Os combustíveis irão aumentar 5 cêntimos por litro! Ao mesmo tempo o IVA da eletricidade mantém-se nos 23% e os combustíveis têm um dos maiores aumentos de impostos de sempre. Ou seja, aquilo que é básico e fundamental, para todos, fica igual ou tem um aumento brutal de impostos. Por outro lado a “necessidade básica” de ir a um restaurante baixa 10% (mas só em julho...)!

Vamos então ver os tópicos resumidos:

A receita total do Estado passa de 42,9 para 43,8% do PIB, um aumento de 0,9%, considerando o aumento do PIB em 2,1% (como o governo prevê). Trocando por miúdos (sem maçar muito com contas): um aumento de impostos de 5.000 Milhões de euros (qualquer coisa como mais 500 euros por português)!

A despesa com remunerações dos funcionários públicos passa de 11,1% (em 2015) para 10,9% do PIB (em 2016), no entanto os salários brutos sobem 2,4%... Alguém explica como?

A despesa com prestações sociais baixa de 19 para 18,6% do PIB...

Subsídios baixam de 0,5 para 0,4% do PIB...
Exportações baixam de 5 para 4%...

É só ler aqui o esboço ... Se preferir rir um bocado, nesse caso veja ISTO !


Para terminar, em 2015 o FMI, CE, OCDE e BdP previram um aumento do PIB entre 1,6 e 1,7%, a previsão do Ministério da Finanças era 1,5%.

Para 2016 essas mesmas instituições prevêem um aumento do PIB entre 1,5 e 1,7%, mas a previsão do Ministério das Finanças é de 2,1%. Pensamento positivo faz bem à saúde!

Previsão para a economia portuguesa, constante do esboço do Orçamento de Estado para 2016

Ficou confundido? Afinal a austeridade acabou? Ou este governo quer ir ainda além do governo que foi além da troika? Não se preocupe em estar confundido, não é certamente o único...

Precisa refletir sobre a sua “confusão”? Fica aqui um conselho: Vá jantar fora! O jantar vai ficar 10% mais barato (isto se os restaurantes refletirem a baixa do IVA no consumidor)!
Mas vá a pé, porque, além de ser melhor para a saúde, com 5 cêntimos de aumento nos combustíveis, se o restaurante for longe, fica a perder...

Enquanto caminha, até ao restaurante, pense sempre que “Palavra dada é palavra honrada”.

Boa caminhada.

Caminhar (altamente recomendado pelos médicos) faz bem à saúde, e, pese embora o SNS tenha, segundo este governo, sido “devastado”, ficamos hoje a saber que o orçamento para a saúde vai descer (Mas os profissionais de saúde vão ganhar mais 2,1% que em 2015)! Se não acredita em milagres, evite problemas de saúde! Caminhe!

Artigo de Alberto Moura e Joana Barroso Calisto Valério.

terça-feira, 5 de maio de 2015

E se você lesasse o estado em 70 milhões de Euros?

Depois de uma greve que tem como objetivo garantir a aquisição de 20% da TAP pelos pilotos.

No day after de uma greve com que ninguém concorda. O que acontece?

Lesar o estado em 70 milhões de euros dá direito ao quê? Julgamento? Despedimento? 








quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Felizmente imperou o bom senso…



A pretensão de restringir as capacidades de intercepção de comunicações, atribuindo o seu monopólio à Polícia Judiciária, não só representaria um retrocesso legislativo de décadas como tornaria a investigação criminal num processo (ainda) mais moroso e custoso.
Só falta mesmo alargar essas capacidades aos Serviços de Informações, no âmbito das suas competências e atribuições.

sábado, 9 de agosto de 2014

As aventuras do #Costa já estão a dar resultado no PS...

Não o quiseram para candidato a Presidente da República, ele agora não vai deixar pedra sobre pedra no PS. 

PS já caiu 8,7%... Obrigado António Costa!O país agradece.



Vê aqui os resultados da mais recente sondagem i/Pitagórica

terça-feira, 8 de abril de 2014

Há notícias que valem mais que qualquer outdoor

Podemos analisar sondagens, observar as guerras entre o PS e o PSDLisboa, questionar a forma como o Governo comunica, podemos inventar todas as estratégias e mais algumas para comunicar melhor, mas na realidade o que provavelmente irá contar é o que interfere diretamente com a nossa qualidade de vida.



(Para os que estão a fazer a leitura pela goleada do Benfica, recordo que estou a falar do aumento do Salário mínimo e da baixa dos spreads... se bem que a goleada do Benfica também conta...)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Mais uma sondagem mais uma derrota.... #Governo #PSD #PS #CDS #PPC #Seguro

Hoje saiu mais um Barómetro i/Pitagórica (ver aqui). 

Neste estudo podemos começar a perceber que impacto eleitoral terão as recentes melhorias nos indicadores económicos.   

Os resultados são claros, o PS está a subir e a aproximar-se da maioria absoluta. 

Não deixa de ser caricato, que o Governo consiga diminuir o deficit, aumentar o emprego, diminuir as taxas de juro (hoje: abaixo dos 4% pela primeira vez desde 2009) e ao mesmo tempo continuar a descer nas intenções de voto e a ser avaliado negativamente por 70,8% da população. (Já escrevi sobre isto)

É notório que Passos Coelho é, enquanto governante, diametralmente oposto a José Sócrates. Enquanto  um apenas aparecia para dar boas notícias, deixando as más para os seus ministros, o outro dá as más e deixa as boas para os seus ministros, em particular para os seus parceiros de coligação.

De facto, o que transparece é que o Passos Coelho procura cultivar a diferença de postura relativamente ao governo socialista, um gasta o outro poupa, um endivida-se o outro paga a dívida, um prepara e escolhe minuciosamente tudo o que diz o outro não faz campanha. Se esta postura de frontalidade é eticamente irrepreensível, a despreocupação com que se olha para a comunicação normalmente tem uma consequência, a derrota. 

Tanto como resolver os problemas do país, o Governo tem a obrigação de pensar no que acontecerá ao país se o partido com mais responsabilidade na crise voltar ao poder.

Se a primeira preocupação do Governo é resolver os problemas do país, também é verdade, especialmente no paradigma da comunicação em que vivemos, que tem a obrigação de dar satisfação a quem o elege, explicar o porquê das decisões mais importantes e evitar que a máquina de propaganda da oposição enviese a realidade. 

Mas Passos Coelho parece preferir deixar o PS a discutir com o PSD de Lisboa, o que deve deixar a tropa da estrutura local do PSD toda orgulhosa e alguns dirigentes nacionais a rir-se. Mas não é mais do que isto, uma massagem ao ego partidário que revela algum autismo político. É que o drama surge quando se comparam as máquinas do PSD local e do PS Nacional, como não são comparáveis a mensagem do PS terá sempre mais projeção que a da estrutura local do PSD.

Veremos quem se ficará a rir em 2015...

A guerra dos videos:

PSD de Lisboa lança este vídeo:



PS responde com este Video:


PSD de Lisboa lança logo depois este video: