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segunda-feira, 20 de maio de 2019

O spin do Bispo

Quem estuda propaganda sabe que se há instituição que percebe de comunicação é a Igreja.

No dia 20 de abril o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, vem a terreiro assumir em entrevista à TSF que a sua diocese será a primeira a recusar criar uma comissão para lidar com eventuais casos de abuso sexual de menores. Nesta entrevista, chega mesmo a dizer que criar uma comissão para lidar com casos de Pedofilia na Igreja é tão util como criar uma comissão que estude a queda de um meteorito na cidade do Porto. Aparentemente, para este Bispo, a pedofilia na Igreja é uma questão de astronomia, tão rara como a queda de um meteorito.

Feita a borrada, começa a funcionar a máquina de comunicação, no dia seguinte, dia 21 de abril, o mesmo Bispo, D. Manuel Linda, atira para os média um novo tema - O encerramento dos Supermercados ao domingo. Como não havia tempo para entrevista, as declarações foram feitas na Sé da Diocese durante a homilia da Páscoa. 

Não fosse para abafar o primeiro tema, o spin até se poderia perceber à luz de quem não tem família, nem compras para fazer ao fim de semana. Mas pronto, aparentemente é mais importante o que fazemos ao domingo do que a queda de um meteorito.

Hoje foi com espanto que vi o PCP defender o spin do Bispo.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Próximo passo: Ilegalizar os partidos?

A forma como tem sido tratado o caso da Lei do Financiamento dos Partidos Políticos demonstra bem como estes são avaliados na Opinião Pública. Infelizmente, são vistos como um bando de malfeitores, especialmente pelos que preferem o sofá ao envolvimento na vida política.

É verdade que a forma não ajudou, o secretismo de uma discussão sem atas e sem assumir os autores das propostas é no mínimo ingénuo. Achavam mesmo que isto iria passar em branco? (como passou o terminal de contentores de Alcântara). Talvez a frontalidade tivesse resultado melhor, até porque têm razão.

Todas as organizações têm problemas e membros que mancham a sua imagem, dos casos de pedofilia na Igreja, ao caso Raríssimas entre as IPSS, ou mesmo ao Bibi da Casa Pia. No entanto, o Estado não pode ser tão leve na avaliação das organizações. Qual a importância da Igreja, da Rarissimas, ou da Casa Pia para o país?

Qual a importância dos Partidos Políticos? Para que servem? Na prática, o que se espera é que o Estado saiba se são organizações essenciais ao bom funcionamento do Estado, ou se são um bando de malfeitores. 

Depois, também seria interessante saber o que é mais importante para o contribuinte, se reduzir o financiamento dos partidos por privados, ou se diminuir o financiamento público. E se for para diminuir o financiamento privado, decidir qual o aumento do financiamento público, se será em apoio financeiro direto, com mais subvenção, ou indireto, reduzindo impostos. Será que é isto que os críticos da nova Lei defendem? 

Se uma Lei não funciona para o Tribunal Constitucional e para os Partidos Políticos, se há partidos políticos que têm de recorrer ao Jacinto Leite Capelo Rego, para fingir que cumprem a Lei, porque é que não se haverá de mudar a Lei?

Também é importante saber se o Estado quer incentivar a transparência, ou se quer continuar a fingir que a Lei atual é eficaz. 

Para quê manter um teto no financiamento? O que é que se consegue com isso? Qual a razão para não isentar completamente os Partidos do IVA? De onde vem o financiamento para pagar esse IVA? Do aumento da subvenção? De financiamento privado? Há muitas questões que ainda não ouvi nenhum comentador levantar.




É que se é para se diminuir o financiamento privado só vejo mesmo três formas de o fazer:

  1. Aumentar consideravelmente as subvenções do Estado. Com financiamento direto por intermédio dos nossos impostos. E neste caso seria natural permitir a devolução do IVA.
  2. Condicionar as formas de comunicar. Atualmente já existem restrições aos outdoors, por exemplo. Podiam proibir tudo o que não seja folhetos de papel. Mas, neste casos teria lógica obrigar todos os Órgãos de Comunicação Social (OCS) a aumentar a periodicidade e os espaços para comunicação dos partidos. Isto se considerarem importante que os eleitores saibam em que é que vão votar. E os OCS alinham?
  3. Como último recurso há sempre a opção de acabar com os partidos políticos. O que não é nada de novo, aconteceu na Alemanha na década de 30, em Portugal no Estado Novo e em muitos mais países. 
A forma que encontraram para aprovar a alteração à lei trouxe Portugal para um novo nível de demagogia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O #Benfica, o Papa, o #Assis e o #Marcelo...


No passado domingo assistimos a dois momentos marcantes. A beatificação de dois papas e a vitória do Benfica. E em ambas as situações podemos observar duas estratégias de associação que não consigo deixar de referir. 

Duas figuras públicas associaram-se de forma brilhante a estes acontecimentos, Francisco Assis e Marcelo Rebelo de Sousa.

Na primeira situação, Francisco Assis, já claramente em campanha, decide ir assistir ao jogo de acesso à final da Taça da Liga, Porto vs Benfica. Decide, como figura pública que é, assistir ao jogo na tribuna de honra do FC Porto, ao lado direito do Pinto da Costa. 

O que poderá conseguir com isto? 

Para além de ver um "show de bola" do Benfica, que ganha mais uma vez com 10 jogadores em campo, consegue associar-se de forma magistral a mais uma derrota do FC Porto, bem como, cultivar todos os atributos positivos que a figura do Pinto da Costa traz consigo (situação a que a vasta massa associativa do FCP é sensível). 



Por outro lado, uns minutos mais tarde, no mesmo canal, assistimos ao comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, feito em direto do Vaticano. 

Vemos o comentador, que ainda não está em campanha, associar-se à beatificação do Papa João Paulo II e do Papa João XXIII.

Marcelo Rebelo de Sousa, que é uma figura nacional, vai ao Vaticano, sujeita-se às filas de milhares de pessoas, incluindo aos empurrões dos Polacos, para ver no meio da multidão a cerimónia de beatificação de dois Papas marcantes para o Sec. XX, um responsável pelo Concílio Vaticano II (João XXIII)e o outro com uma ligação particular a Portugal e a Fátima (João Paulo II).

Apesar de ainda não ser candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, associa-se a um momento importante da Igreja Católica e acaba por transmitir uma mensagem a que 76,9% da população portuguesa é sensível(percentagem dos portugueses que se assumem como católicos).



Olhando bem, parece ridícula esta comparação, não por se tratarem de eleições distintas, ou por um ainda nem sequer ser  candidato, mas por se tratarem de situações diametralmente opostas, em que um associa a si atributos positivos, como a humildade e a devoção cristã (a que 76,9% da população é sensível), e o outro consegue o oposto, associando-se à presunção da tribuna de honra, a uma espetacular derrota do FCP e ainda, qual cereja no topo de bolo,ao Pinto da Costa (situação a que 6.000.000 de benfiquistas são particularmente sensíveis). 

Não sei o que passou pela cabeça da malta do Assis, mas no fim de contas acho seguro assumir que se tratou de um típico erro de casting, onde Assis apenas escolheu o Papa errado.