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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Se a formula resulta para quê mudar...

A Dilma continua basear no medo a sua estratégia de comunicação. Vai cair, mas vai fazer estragos... 


(imagem retirada do CM de hoje)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Professor Chibanga e a dor de cabeça do Cavaco

De acordo com o estudo realizado pela aximage para o Jornal de Negócios (vê aqui):
  • 32,1% dos portugueses preferem um bloco central;
  • 26,6 uma coligação à esquerda;
  • 20,4% um governo minoritário do PSD/CDS;
  • 11,2% não tem opinião;
  • 5,9% governo PS/BE
  • e por fim, com 3,8% um governo minoritário do PS.
Se pensarmos que o Livre foi o único defensor de uma coligação à esquerda com o PS e teve 0,72% dos votos, podemos ter uma ideia do conceito de democracia que paira pelo Largo do Rato.

Democracia à parte, numa perspectiva de realpolitik, a posição do PS é compreensível, ou pelo menos entendível. Estão a minimizar estragos e qualquer que seja a saída, o resultado é sempre mau.

Depois de ter ficado entalado entre a Coligação PAF e a esquerda radical, ou seja, entre a manutenção das políticas de consolidação económica e as políticas anti-austeridade, o António Costa está entalado entre perder votos para a esquerda, ou perder votos para a direita, ou mesmo, perder para ambos os lados e tornar-se o PASOK português.



No dia das eleições, poucas horas antes do discurso de derrota, o António Costa deve ter analisado os seguintes cenários:

Bloco Central, PSD/CDS/PS - Aqui o PS arrisca-se a perder o seu eleitorado de esquerda. Sendo o cenário mais natural para um partido humanista e democrático, é a única opção que garante um governo estável para 4 anos. Mesmo assim, o PS sabe que perderá o apoio da sua ala esquerda, muito provavelmente para o BE. A médio prazo ganha o país, perde o PS, ganha PSD, CDS, BE e eventualmente a CDU.

Governo apenas da coligação PSD/CDS, viabilizado pelo PS - neste cenário o risco mantém-se para o PS e, como tal, a probabilidade do PS se ver obrigado a roer a corda ao fim de um ano é elevada. Nesta situação o PS corre ainda o risco de não ter uma boa desculpa, ou uma desculpa que o eleitorado aceite, para fazer cair o governo. Esta situação poderá levar à repetição do sucedido em 1987 e a coligação vir a garantir uma maioria absoluta na sequência do incumprimento do PS. Havendo uma boa desculpa, o PS será novamente governo. A médio prazo podem ganhar PSD/CDS, ou mesmo o PS.

Governo maioritário de coligação PS/BE/CDU - A perda de votos do centro do PS para a coligação parece-me óbvia. As restantes consequências são pouco previsíveis, mas uma coisa é certa, nada será como dantes. Aqui o PS corre o risco de absorver grande parte da esquerda que apoia o BE. É o cenário mais perigoso para a CDU, correndo o risco de ser finalmente absorvida pelo BE, à imagem do que aconteceu no resto da Europa.

Governo maioritário coligação PS/BE - cenário mais favorável para a CDU que poderá capitalizar o voto de esquerda, após aquele que será, tal como os outros, e como aconteceu com o Syriza, um governo alinhado com as diretrizes europeias. Aqui surgirá provavelmente um novo partido, ou uma coligação duradoura, mais distanciada do centro e de difícil gestão. A probabilidade de queda e substituição por uma maioria absoluta de direita é elevada. A médio prazo ganha o PSD/CDS e a CDU.

Governo minoritário do PS - viabilizado pelo BE e pela CDU, trata-se do melhor cenário para a coligação PSD/CDS. A probabilidade de um dos partidos viabilizadores saltar é muito elevada. O PS pouca alternativa terá se não manter as politicas de austeridade, em particular porque este cenário trará uma enorme instabilidade dos mercados. É o cenário ideal para quem quer uma maioria absoluta de direita. A médio prazo ganha o PSD/CDS.

Resumindo, numa perspectiva de médio prazo: 
  1. O melhor cenário para o PS é a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS;
  2. O melhor cenário para o PSD/CDS é um governo minoritário do PS viabilizado pelo BE e CDU;
  3. O melhor cenário para o BE é um governo de Bloco Central
  4. O melhor cenário para a CDU é um governo PS/BE.
  5. O melhor cenário para o país é uma coligação de Bloco Central.
O cenário com menos risco para o PS enquanto partido, e por isso mais provável, será o da coligação minoritária do PSD/CDS, viabilizado pelo PS. 
Considerando o histórico de António  Costa, ainda há a possibilidade deste estar a tentar deixar para o Presidente da República o odioso da questão, ou seja, perante o chumbo do governo liderado pelo partido mais votado, a bem da preservação do espírito democrático, acabar por não dar posse ao Governo liderado pelos derrotados... Neste caso volta a pairar o fantasma de 1987. 

Retirada do Jornal de Negócios, 13/10/2015

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As questões do momento



Depois da desmistificação da esquerda radical, depois do vergar do Syriza (Lê mais aqui), depois de uma campanha fraca do Partido Socialista (Lê mais aqui), parece que as duas grandes questões em véspera de eleições são:

  1. Como conseguirá a coligação PSD/CDS obter estabilidade governativa? (maioria absoluta, bloco central, ou eleições daqui a 1 ano?)
  2. Quem será o novo líder do Partido Socialista? (será que o Seguro vai voltar?)




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O PS continua com uma campanha estranha, agora assume-se como o garante da instabilidade em qualquer dos cenários...

Muito estranho mesmo, normalmente os partidos que querem ser governo procuram assumir-se como garantes da estabilidade. Mas, o PS parece estar a posicionar-se como o partido garante da instabilidade, isto porque não aprova o orçamento de um Governo minoritário da coligação, e caso ganhe sem maioria diz que quer governa sozinho...



Tamanha confusão, parece que correm a tapar os buracos no casco do navio a afundar e com isso vão destapando buracos maiores.

Para responder à ideia absurda de se ter um Jerónimo de Sousa ou, uma Catarina Martins, Vice Primeiro Ministro de Portugal,(Lê mais aqui) vem o António Arnaut dizer que PS vai tentar governar sozinho.


(Retirado do jorna i de 28 de Setembro)

Mas se o PS não aprova o Orçamento de um Governo minoritário da Coligação, fica-se com a ideia que a sua preocupação é apenas garantir um governo instável e a prazo, quer ganhe, quer perca.

Esta malta continua muito confusa...

(Retirado do Expresso de 26 de Setembro)


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Eurosondagem é a credibilidade que o Expresso e a Sic lhe emprestam

Ontem era notória a irritação da Ana Gomes com os resultados das sondagens, igual a ela própria, destilava o fel em frente à câmara de televisão. Estava incrédula, falava até de uma campanha orquestrada... Não era possível... Se ela acredita que o Costa vai ganhar, como é possível que haja portugueses a responder diferente nos inquéritos diários?

Mas não é a única, hoje no jornal i, o Correia de Campos, do alto do seu pedestal, chama estúpidos aos portugueses...

(Retirada do Jornal i de hoje)

Mas o que é realmente estranho é a partilha que alguns elementos do PS fizeram do post/artigo do Telmo Vaz Pereira a desancar de alto a baixo na Eurosondagem, do Rui Oliveira e Costa. Um artigo que acusa a Eurosondagem de ser manipulada pelo PSD. A única sondagem que dá vantagem ao PS até agora.

A confusão já é de tal ordem que até na Eurosondagem batem. Parece que a ordem é bater nas sondagens, não interessa que resultado dão, o que interessa é que são uma sondagens.

Eu até concordo que a Eurosondagem tem uma longa lista de falhanços estrondosos, deu em 2013 o Couceiro a ganhar ao Bruno Carvalho no Sporting, em 2009 o Vital Moreira a ganhar ao Rangel, em 2006 o Soares a ganhar ao Manuel Alegre, em 2001 o João Soares a ganhar ao Santana em Lisboa e o Fernando Gomes a ganhar ao Rui Rio no Porto. Agora é a única que dá a vitória ao PS.

Vale o que vale, e neste caso só vale porque o Expresso e a SIC lhe emprestam credibilidade. 

Mas, sinceramente, acho difícil que o Rui Oliveira e Costa possa continuar a apresentar os mesmos resultados quando todas as sondagens parecem por em causa a já agastada credibilidade da sua empresa. 

(Retirada do jorna Sol de hoje)





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

#Issoétudomuitobonitomas

Ontem, mais uma vez, o Paulo Portas deu "show de bola" no programa "Isso é tudo muito bonito, mas".

Vale a pena ver (Aqui) , descontraído, respondeu a tudo e ainda levou o gato fedorento às cordas duas ou três vezes (o que não é fácil).

Gostei particularmente da forma como posicionou logo ideologicamente o Ricardo Araújo Pereira e como conseguiu passar as mensagens que queria passar.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Campanha da #Uber supera expectativas

Parece que a campanha da UBER sempre resultou (lê mais aqui). 

A melhor campanha de sempre da #UBER... Pôr taxistas grevistas a bater em taxistas que querem trabalhar!


Parece que nesta greve de taxistas contra a UBER houve um que quis trabalhar... Sim, quis usufruir do tal direito ao trabalho que os grevistas continuam a não querer reconhecer(Lê mais aqui)

Ficam as imagens daquela que poderia ter sido a campanha de marketing mais brilhante que a Uber poderia ter imaginado...

(Fotos de João Profírio retiradas do site do SOL)





sexta-feira, 4 de setembro de 2015

As últimas balas...

Olhando para os últimos meses de campanha parece que tudo corre mal ao António Costa. 

São os  cartazes da Iurd, as queixas dos modelos da segunda leva de cartazes (lê mais aqui), a demissão do diretor de campanha, o aparecimento da Maria de Belém como candidata presidencial, a colagem à Ferreira Leite (lê mais aqui) e até os comentários sobre os refugiados (lê mais aqui).  

O homem anda numa maré de azar. Ainda por cima, já percebeu que do lado da coligação existe dinâmica, ao contrário do que acontece com a sua máquina partidária.

Como reagir?...


Esta é a pergunta que tem tirado o sono ao seu staff nas últimas noites.

Se o PS precisa fragilizar a dinâmica de vitória que se sente na Coligação e precisa de trabalhar o voto útil.... o que fazer? Como reagir?...

O ideal seria uma sondagem que desse o PS apenas 1% à frente, ou menos, mais não. Uma sondagem que passe a ideia que o PS está à frente, mas não o suficiente para espantar o voto útil, aliás é importante que transmita a ideia que o PS está em queda para criar um apelo informal ao voto útil da esquerda. 

Mas a quem recorrer? Teria de ser alguém alinhado, mas que seja credibilizado por um meio de Comunicação Social credível.... 

Mas quem?... 



sábado, 8 de agosto de 2015

O pesadelo do Edson Athayde

O grande duelo das próximas legislativas vai ocorrer entre dois medos, o medo de manter a austeridade e o medo de voltar ao despesismo do passado deitando a perder todo o esforço feito até agora (Já escrevi sobre isto aqui)

Com a coligação associada à austeridade, o PS fica com espaço para se assumir como alternativa e cavalgar o medo da austeridade.

E é aqui que começa a primeira parte do pesadelo, ao tentar inovar no primeiro outdoor foram buscar um simbolismo quase infantil, pouco adaptado à realidade europeia, que rapidamente se prestou à chacota. 

A senhora bonita de cabelo ao vento, que olha para um futuro solarengo e que afasta o manto da obscuridade, da austeridade...
Questões estéticas à parte, até pode ser um apelo à esperança e à confiança, mas com uma falha evidente, não é suportado pela realidade, não é suportado pela imagem do candidato do PS.  

Verdade seja dita, em defesa do Edson Athayde, a forma não ajuda, mas se o candidato fosse mais credível, se não tivesse o histórico que tem, em particular nos governos de José Sócrates, ou na Câmara de Lisboa e se não tivesse sido vendido como o grande líder no golpe palaciano contra o António José Seguro, estes outdoors não teriam sido gozados desta forma:


 ou desta forma:

Ou ainda:

Mas a ideia por trás não está má... É até óbvia, o Costa é contra a austeridade.

Mesmo assim, acho  melhor  conseguidos os novos outdoors do PS. Estes procuram dar um rosto aos números do governo, aos desempregados e a quem tem trabalho precário.

Estes sim procuram tirar proveito do sentimento que grande parte do eleitorado tem e tentam galvanizar o medo da austeridade, da insensibilidade dos números.

A estratégia não é nova, encontrar casos reais, dentro dos segmentos que se pretendem trabalhar.


O problema surge quando alguém se esquece de fazer as contas e dão como exemplo um caso que ocorreu aquando de um governo do Partido Socialista, de um governo de José Sócrates.

Ou ainda, quando tentam colocar a mensagem errada na pessoa certa (no segmento certo). 

Das duas uma, ou tiveram muita dificuldade em encontrar alguém do segmento que queriam trabalhar, ou alguém não fez o seu trabalho. (Lê mais aqui: Histórias dos cartazes não pertencem às pessoas fotografadas).
(imagem retirada daqui) 

O posicionamento até está correto, as mensagens também, mas a forma transparece uma execução em cima do joelho. Alguém não olhou para a realidade portuguesa, nem pensou na execução com a serenidade necessária. Por outras palavras, a confusão está instalada (Lê mais aqui)

A pressa de colocar cá fora outdoors que fizessem esquecer os primeiros acabou por evidenciar ainda mais o nervosismo de quem não consegue descolar nas sondagens (Lê mais aqui: PS e Coligação separados apenas por 1,5%).

Compreendo que o posicionamento de uma candidatura cujo líder está associado a maus governos, a lideres problemáticos e ainda por cima, que foi sobrevalorizado aquando da sua subida ao poder é particularmente difícil. 

Como é que alguém que integrou governos despesistas, responsáveis pela entrada da troika no país vai convencer os portugueses que será um bom Primeiro Ministro? Como irá convencer que agora sim fará diferente? 

É um desafio difícil, diria até um pesadelo, especialmente se se tiver em consideração a frustração e pressão da máquina partidária socialista. Afinal de contas, com Costa como candidato e com Seguro fora do caminho iam ser favas contadas. 

Sinceramente, não serão estes outdoors que irão dar a derrota, ou a vitória a qualquer dos candidato, mas uma coisa é certa, não ajudam nada a transmitir segurança e confiança à candidatura do António Costa.






   

domingo, 5 de julho de 2015

A força de um bom soundbite


  • Filas para levantar dinheiro nos multibancos
  • Bancos forçados a fechar
  • Prateleiras vazias nos supermercados
  • Idosos sem pensões a desesperar à porta dos bancos
  • 50 mil reservas de turistas canceladas diariamente
  • Padarias a oferecer pão gratuitamente para combater a fome entre os mais velhos e reformados...


Um país a falir... 

No meio deste drama há uma afirmação, um soundbite, que vai ecoar na cabeça dos reformados portugueses até às legislativas:

"A vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha
António Costa, 25 de Janeiro de 2015



sexta-feira, 19 de junho de 2015

3 ideias sobre a sondagem da Católica/RTP/DN/JN de hoje

I


Três ideias a tirar da Sondagem da Católica/RTP/DN/JN de hoje:

O medo que Portugal se transforme numa Grécia e de se voltar ao despesismo do passado começa a ter vantagem sobre o medo da austeridade - parece que o falhanço do projeto Syriza está a fazer moça na esquerda, a ideia que os sacrifícios que os portugueses fizeram estão a surtir efeitos positivos começa a pegar. A ideia de existir alternativa viável às políticas implementadas pelo governo parece estar a cair por terra. Afinal de contas sempre se está a confirmar que o projeto Syriza é um conto de crianças... (Sobre a oportunidade grega - lê mais aqui)

O efeito que António Costa tem no resultado eleitoral do PS é igual ou pior que o de António José Seguro - igual porque não há forma de comparar na situação atual. Pior, porque a sua ligação às governações anteriores, a Sócrates e a forma como se associou à vitória do Syriza colocam-no numa posição mais frágil do que a de Seguro  (já escrevi sobre isto aqui).

O cenário de coligação parece consolidado - Resta saber se haverá um fiel da balança chamado Marinho e Pinto, ou se não haverá alternativa a um bloco central




domingo, 12 de abril de 2015

teoria da conspiração #Guterres #SampaioDaNóvoa #presidenciais2016

Sobre o facto do Guterres ter esclarecido apenas agora que não seria candidato a Presidente da República.

Se eu fosse da direção do PS não ia gostar de ter uma segunda escolha como candidato presidencial...




segunda-feira, 30 de março de 2015

O efeito #Syriza que atravessa a Europa...

Para além da humilhação que o PS teve na Madeira, onde conseguiu apenas cerca de 11% dos votos, a derrota do populismo da Le Pen e a queda dos Socialistas Franceses (lê mais aqui) indicia que de facto podemos estar perante o efeito #Syriza.

Se a vitória do #Syriza serviu para alguma coisa, foi o desmistificar do populismo que vinha a crescer pela Europa.

Se Hollande ganhou as eleições em França com o discurso do fim da austeridade para logo depois a impor, e se o mesmo acontece hoje em dia na Grécia, pode ser que os recentes resultados eleitorais indiciem que a malta já não está para aceitar cegamente os discursos populistas.

Veremos se será suficiente para safar o Passos (já escrevi sobre isto). 




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quem festeja com uma garrafa de champanhe, não está desempregado, não tem familiares reformados, nem é funcionário público...

Ainda sobre ideias peregrinas... (outra ideia peregrina)

Vale o que vale e não será por causa disto que a coligação Aliança Portugal (PSD/CDS) irá ganhar, ou perder as eleições, mas há malta que parece que gosta de se pôr a jeito...




Se é verdade que os partidos que sustentam o Governo têm de capitalizar a saída da TROIKA (Lê mais aqui)já acho estranho que se apareça à frente da televisão com uma garrafa de champanhe na mão. 

Quem festeja com uma garrafa de champanhe não deve estar desempregado, não deve ter nenhum familiar reformado, nem ser funcionário público...


De facto, é a este governo que se deve a saída da TROIKA e de facto foi o PS que a trouxe, mas talvez ainda não seja tempo para champanhe...



terça-feira, 29 de abril de 2014

O #Benfica, o Papa, o #Assis e o #Marcelo...


No passado domingo assistimos a dois momentos marcantes. A beatificação de dois papas e a vitória do Benfica. E em ambas as situações podemos observar duas estratégias de associação que não consigo deixar de referir. 

Duas figuras públicas associaram-se de forma brilhante a estes acontecimentos, Francisco Assis e Marcelo Rebelo de Sousa.

Na primeira situação, Francisco Assis, já claramente em campanha, decide ir assistir ao jogo de acesso à final da Taça da Liga, Porto vs Benfica. Decide, como figura pública que é, assistir ao jogo na tribuna de honra do FC Porto, ao lado direito do Pinto da Costa. 

O que poderá conseguir com isto? 

Para além de ver um "show de bola" do Benfica, que ganha mais uma vez com 10 jogadores em campo, consegue associar-se de forma magistral a mais uma derrota do FC Porto, bem como, cultivar todos os atributos positivos que a figura do Pinto da Costa traz consigo (situação a que a vasta massa associativa do FCP é sensível). 



Por outro lado, uns minutos mais tarde, no mesmo canal, assistimos ao comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, feito em direto do Vaticano. 

Vemos o comentador, que ainda não está em campanha, associar-se à beatificação do Papa João Paulo II e do Papa João XXIII.

Marcelo Rebelo de Sousa, que é uma figura nacional, vai ao Vaticano, sujeita-se às filas de milhares de pessoas, incluindo aos empurrões dos Polacos, para ver no meio da multidão a cerimónia de beatificação de dois Papas marcantes para o Sec. XX, um responsável pelo Concílio Vaticano II (João XXIII)e o outro com uma ligação particular a Portugal e a Fátima (João Paulo II).

Apesar de ainda não ser candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, associa-se a um momento importante da Igreja Católica e acaba por transmitir uma mensagem a que 76,9% da população portuguesa é sensível(percentagem dos portugueses que se assumem como católicos).



Olhando bem, parece ridícula esta comparação, não por se tratarem de eleições distintas, ou por um ainda nem sequer ser  candidato, mas por se tratarem de situações diametralmente opostas, em que um associa a si atributos positivos, como a humildade e a devoção cristã (a que 76,9% da população é sensível), e o outro consegue o oposto, associando-se à presunção da tribuna de honra, a uma espetacular derrota do FCP e ainda, qual cereja no topo de bolo,ao Pinto da Costa (situação a que 6.000.000 de benfiquistas são particularmente sensíveis). 

Não sei o que passou pela cabeça da malta do Assis, mas no fim de contas acho seguro assumir que se tratou de um típico erro de casting, onde Assis apenas escolheu o Papa errado.




quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que leva alguém a votar num candidato ou num partido?



Será uma questão de ideologia?

Quantos já não se questionaram sobre o que distingue ideologicamente o PS, do PSD e do CDS? O que distingue estas forças políticas quando estão no poder? Há mudanças radicais, ou só de discurso?

Depois do que aconteceu em França com Hollande (ver aqui) poucos ainda acreditarão numa "mudança" de políticas. Então o que levará alguém a votar num candidato? Será a extensa lista de ideias e programas que apresentam nas campanhas? Será pela ideologia apresentada nos estatutos de cada força política? Será por gostarem muito do Seguro ou do Passos?

Provavelmente, a principal razão estará muito mais associada ao sentimento gerado pelo estado da conta bancária ao fim do mês, ou da situação do familiar reformado, do que a qualquer outra coisa. 

Mas então o que se pode fazer? 

Se temos de implementar medidas de austeridade e se isto terá impacto direto na intenção de voto, valerá a pena fazer campanha?

Se é certo que a ideologia vale cada vez menos aos olhos de quem vota, a busca pelo "Santo Graal" do Marketing Político, que é a razão por trás da tomada de decisão, tem levado as candidaturas a procurar serviços cada vez mais profissionais para a análise do eleitorado, em particular na área da neuro-ciência. (Ver aqui)

Já não há espaço para achismos na comunicação política.

As Candidaturas deixam cada vez mais o amadorismo de lado e isso nota-se em alguns detalhes... 




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Pessoalmente não acredito em coincidências, até porque não deixa de ser estranho utilizar-se o termo "Mudança" nas Europeias...



Por outras palavras, a esta altura do campeonato alguém já terá dito ao Seguro que para ganhar as próximas eleições legislativas precisa de falar pouco e quando falar, falar de "Mudança". 

O descontentamento e o sentimento de repulsa gerado pelas dificuldades económicas são de tal ordem que não será necessário falar muito, apenas garantir a mudança, mesmo que ninguém saiba muito bem para o quê, e que todos suspeitem que Seguro estará para Portugal como Hollande esteve para França.




terça-feira, 8 de abril de 2014

Há notícias que valem mais que qualquer outdoor

Podemos analisar sondagens, observar as guerras entre o PS e o PSDLisboa, questionar a forma como o Governo comunica, podemos inventar todas as estratégias e mais algumas para comunicar melhor, mas na realidade o que provavelmente irá contar é o que interfere diretamente com a nossa qualidade de vida.



(Para os que estão a fazer a leitura pela goleada do Benfica, recordo que estou a falar do aumento do Salário mínimo e da baixa dos spreads... se bem que a goleada do Benfica também conta...)