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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Próximo passo: Ilegalizar os partidos?

A forma como tem sido tratado o caso da Lei do Financiamento dos Partidos Políticos demonstra bem como estes são avaliados na Opinião Pública. Infelizmente, são vistos como um bando de malfeitores, especialmente pelos que preferem o sofá ao envolvimento na vida política.

É verdade que a forma não ajudou, o secretismo de uma discussão sem atas e sem assumir os autores das propostas é no mínimo ingénuo. Achavam mesmo que isto iria passar em branco? (como passou o terminal de contentores de Alcântara). Talvez a frontalidade tivesse resultado melhor, até porque têm razão.

Todas as organizações têm problemas e membros que mancham a sua imagem, dos casos de pedofilia na Igreja, ao caso Raríssimas entre as IPSS, ou mesmo ao Bibi da Casa Pia. No entanto, o Estado não pode ser tão leve na avaliação das organizações. Qual a importância da Igreja, da Rarissimas, ou da Casa Pia para o país?

Qual a importância dos Partidos Políticos? Para que servem? Na prática, o que se espera é que o Estado saiba se são organizações essenciais ao bom funcionamento do Estado, ou se são um bando de malfeitores. 

Depois, também seria interessante saber o que é mais importante para o contribuinte, se reduzir o financiamento dos partidos por privados, ou se diminuir o financiamento público. E se for para diminuir o financiamento privado, decidir qual o aumento do financiamento público, se será em apoio financeiro direto, com mais subvenção, ou indireto, reduzindo impostos. Será que é isto que os críticos da nova Lei defendem? 

Se uma Lei não funciona para o Tribunal Constitucional e para os Partidos Políticos, se há partidos políticos que têm de recorrer ao Jacinto Leite Capelo Rego, para fingir que cumprem a Lei, porque é que não se haverá de mudar a Lei?

Também é importante saber se o Estado quer incentivar a transparência, ou se quer continuar a fingir que a Lei atual é eficaz. 

Para quê manter um teto no financiamento? O que é que se consegue com isso? Qual a razão para não isentar completamente os Partidos do IVA? De onde vem o financiamento para pagar esse IVA? Do aumento da subvenção? De financiamento privado? Há muitas questões que ainda não ouvi nenhum comentador levantar.




É que se é para se diminuir o financiamento privado só vejo mesmo três formas de o fazer:

  1. Aumentar consideravelmente as subvenções do Estado. Com financiamento direto por intermédio dos nossos impostos. E neste caso seria natural permitir a devolução do IVA.
  2. Condicionar as formas de comunicar. Atualmente já existem restrições aos outdoors, por exemplo. Podiam proibir tudo o que não seja folhetos de papel. Mas, neste casos teria lógica obrigar todos os Órgãos de Comunicação Social (OCS) a aumentar a periodicidade e os espaços para comunicação dos partidos. Isto se considerarem importante que os eleitores saibam em que é que vão votar. E os OCS alinham?
  3. Como último recurso há sempre a opção de acabar com os partidos políticos. O que não é nada de novo, aconteceu na Alemanha na década de 30, em Portugal no Estado Novo e em muitos mais países. 
A forma que encontraram para aprovar a alteração à lei trouxe Portugal para um novo nível de demagogia.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Precisamos de agarrar o futuro enquanto é tempo


Excelente artigo do Pedro M A Duarte, indicando as ameaças e também as oportunidades que a transformação digital coloca à sociedade e à economia. Este fenómeno está a eliminar rapidamente milhares de empregos em mercados retalhistas e nas estruturas administrativas das empresas e do Estado.
Urge responder a este fenómeno oferecendo aos cidadãos novas soluções focadas no desenvolvimento de novas competências que lhes permitam aceder às novas necessidades do mercado de trabalho.
Esta realidade obriga os partidos e o governo a combaterem a cultura oportunista e imediatista que se instalou na vida política, em que alguns governam exclusivamente a pensar no presente (algumas notáveis exceções como o caso da Justiça e da PCM), e se faz uma oposição casuística, de exercícios de retórica "à bolina" sem uma palavra sobre o futuro, sem visão estratégica para o país (algumas notáveis exceções, não vou nomear deputados e dirigentes para não prejudicar ninguém, já que são uma minoria).
Um desabafo sobre o PSD, que foi o partido que liderou o país para uma saída limpa da troika mas ao contrário do CDS ficou preso no discurso dela.
Companheiros, "tirámos" a troika do país, falta ainda "tirarmos" a troika do partido.

Se o PSD não soltar o passado, com que mãos é que quer agarrar o futuro?



terça-feira, 14 de março de 2017

Montepio, o último Banco do Povo


O Montepio Geral Associação Mutualista é uma instituição que agrega uma Caixa Económica, podendo assim apresentar-se como um Banco com produtos e benefícios especiais para os seus clientes/associados, produtos e benefícios esses com origem na Associação Mutualista e também na Caixa Económica. 

Aquilo que poderia (e deveria) ser o paradigma da atividade financeira – que associava a nobreza e os princípios do mutualismo à intervenção financeira – parece hoje ser um mau exemplo.

O Montepio Geral Associação Mutualista, fechou as contas de 2015 com capitais negativos superiores a 107 milhões de euros, segundo refere uma auditoria da KPMG. Desta forma, clarifica a KPMG, fica claro que o passivo é superior ao ativo, incluindo um resultado negativo, imputado aos mutualistas, de 251.445 milhares de euros.

Na qualidade de Associado e de cidadão fico preocupado. O Montepio Geral enfrenta hoje um cenário de falência técnica, tendo neste momento a necessidade urgente de uma injecção de fundos. 

São apontadas duas soluções de curto prazo para resolver o (grave) problema. A primeira solução é o recurso capital por via de um empréstimo. A segunda solução passa pela venda de activos que o Montepio (Associação e Caixa Económica) possui em carteira.

Mas apesar da preocupação que devemos ter com as poupanças das pessoas e a sua salvaguarda é também importante exigir explicações e responsabilidades aos supervisores. 

No caso da Caixa Económica o supervisor (Banco de Portugal) apresentou um relatório muito crítico da liderança e gestão da instituição, no entanto vem tarde e talvez venhamos a encontrar sinais de pouca diligência na supervisão.

Quanto à Associação Mutualista a situação é bem mais preocupante e vergonhosa. Neste caso a Supervisão/Fiscalização é da responsabilidade da tutela, nomeadamente a Segurança Social (Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social) e aqui a negligência é muito mais preocupante. 

Sendo que as contas agora avaliadas dizem respeito ao ano de 2015, levantam-se várias questões a diferentes protagonistas:

O que fez o Ministro Pedro Mota Soares (PSD/CDS) para verificar a situação do Montepio enquanto responsável pela tutela? 

E o que fez o Ministro Vieira da Silva (PS) que sempre refere a necessidade de mais transparência e intervenção? 

O que fizeram estes responsáveis? Nada. Não fizeram nada!

Importa referir que ao nada fazerem permitiram que mais uma entidade do sistema financeiro português esteja hoje em posição frágil. Mas o Montepio não é só “mais uma” entidade. É a única Associação Mutualista com uma Caixa Económica em Portugal. É o último espécimen de um “Banco do Povo”. No Montepio são os Associados que intervêm e mandam(ou deveriam ser).

O Montepio Geral esteve exposto às mais variadas interferências políticas nos últimos 25 anos e para o confirmar basta verem quem compunha os órgãos sociais e respectivos Conselhos de Administração ao longo dos tempos. Esta é também uma das principais causas da atual situação - associado a má gestão -  e talvez por isso nenhum responsável político tenha feito o que deveria.

Compete agora a todos responsabilizar aqueles que fingem nada saber, desde os supervisores Banco de Portugal e Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, passando pelo Parlamento e comissões responsáveis, acabando na própria elite financeira. 

Todos, em certa medida, têm de ser responsabilizados com penalizações diferentes, mas efectivas.


Temos o dever de exigir responsabilidades e com isso ajudar a salvar o “último Banco do povo”, para bem do sistema bancário e principalmente para bem do Mutualismo.


sábado, 8 de outubro de 2016

Lisboa...o início do fim!



Lisboa é naturalmente uma câmara municipal apetecível do ponto de vista estratégico para qualquer dirigente partidário. Aliás, da autarquia lisboeta já saiu um Presidente da República (Jorge Sampaio) e dois primeiros-ministros (Pedro Santana Lopes e António Costa), o que revela a verdadeira vocação da autarquia para “alavancar” carreiras políticas.

A candidatura à Câmara de Lisboa por parte de Assunção Cristas pode revelar-se um indicador ou até um sinal “divino” no sentido de revermos o cenário de 2001 em que, por antecipação, o então líder do CDS/PP, Paulo Portas avançou com uma candidatura autónoma, procurando assim afirmar-se na liderança do CDS e tentando condicionar o PSD de Durão Barroso.

O resultado para o CDS foi dramático com Paulo Portas a conseguir apenas cerca de 7% dos votos e vendo o PSD conseguir ganhar a Câmara Municipal de Lisboa pela mão de Pedro Santana Lopes, que vinha de uma experiência autárquica muito bem-sucedida na Figueira da Foz. Recordo que Santana Lopes venceu João Soares que era um ativo do PS muito mais forte do que é hoje Fernando Medina.

Ser líder de um partido e candidata a Lisboa condiciona tudo ao resultado eleitoral e não creio que os centristas estejam esperançados numa vitória em Lisboa, muito menos sem o apoio do parceiro PSD. A derrota do CDS/PP é o resultado anunciado e apenas está em causa se será com 4% (como revelam os números do CDS nas sondagens nacionais) ou se consegue atingir o resultado de 7% de Paulo Portas (algo a roçar a utopia). Nos dois cenários, a derrota será sempre da líder do partido e as consequências são óbvias. Demissão e abrir caminho a Nuno Melo.

Quanto ao PSD terá de encontrar um candidato que tenha perfil e capacidade para vencer a corrida à capital, mas no tempo que o mesmo PSD já havia definido em Conselho Nacional. Ou seja, lá para o 1.º trimestre de 2017. Esta conjuntura pode ter dado, involuntariamente, a ajuda que faltava para motivar alguns potenciais candidatos da área do PSD. Os ativos sociais-democratas são imensos e desenganem-se os que pensam que não aparecerá uma candidatura vencedora.

Este “golpe” de Assunção Cristas e as movimentações apressadas do PS de Lisboa, que logo veio atacar a candidatura da centrista, revelam que, afinal, o nervosismo está lá e a preocupação de perder também. Como factos quase assumidos temos a provável ausência de coligação do PCP e do BE com o PS, não havendo assim (em tese) uma reconstituição da gerigonça ao nível local. 

O PCP terá de apresentar um candidato fortíssimo para garantir um resultado que lhe permita resistir eleitoralmente ou então agregar-se ao PS para garantir algumas juntas de freguesia em Lisboa. Já o BE vai, com certeza, apostar num candidato para cativar aquele que é o seu eleitorado tradicional, jovem e urbano, garantindo assim a pressão sobre o PS e a sua influência na geringonça, mas não ameaçando Medina.

Com esta pulverização de votos à esquerda o grande beneficiado pode mesmo ser o PSD. Uma coisa é certa: o cenário a que os portugueses assistiram a nível nacional – com a formação de um Governo excluindo quem havia ganho as eleições – não se repetirá em Lisboa, uma vez que a lei eleitoral, no caso das autarquias locais, não o permite, pois é eleito presidente o cidadão melhor posicionado na lista vencedora. 

Portanto, para ganhar Lisboa basta mais um voto. Apenas isso e aí, no “campeonato” de quem pode ganhar, só duas forças o disputam. O PS e o PSD.

Assim vai Lisboa...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

As saudades do António Capucho

Mesmo depois do Almeida Henriques ter assumido a vontade do PSD acabar com os conflitos dentro do PSD que levaram à expulsão e de militantes, empurrando-os para candidaturas independentes (lê mais aqui), o António Capucho ainda se presta a este tipo de filmes (lê mais aqui), deixar no ar a possibilidade de ser candidato à Câmara de Cascais pelo PS.

Depois da experiência de concorrer à Assembleia Municipal de Sintra, como independente, após uma saída atribulada do PSD (lê mais aqui), o António Capucho está a tentar seguir as pisadas do Basílio Horta, que depois de ter sido uma figura proeminente do CDS, concorreu em 2013 à Câmara de Sintra pelo PS.

Depois de ter sido presidente da Câmara de Cascais durante 10 anos; depois de ter saído de presidente da Câmara porque não o deixavam acumular o rendimento com a sua reforma; depois de ter deixado à frente da Câmara de Cascais o seu Vice-Presidente, depois deste ter ganho as eleições seguintes sem o seu apoio; depois de ter sido expulso do PSD e de ter concorrido como independente à Assembleia Municipal de Sintra e de ter perdido; aos 71 anos, o antigo secretário geral do PSD, acredita que tem hipóteses de reconquistar a Câmara Municipal de Cascais ao seu antigo vice-presidente.

Não sei se está convencido está acima dos partidos, se é a dificuldade em desprender-se do poder, ou mesmo se são as saudades de Cascais. Mas, ainda sem ter visto qualquer sondagem, acho que o risco de lhe correr mal é muito grande.

Vai ter de fazer oposição à sua anterior equipa, concorrer pelo partido contra o qual sempre combateu e a quem conquistou a câmara em 2001, e vai ter de explicar o que raio foi fazer para Sintra.


Também não deixa de ser curioso que não se consiga encontrar o comentário do António Capucho noutro meio de comunicação que não no Observador (lê mais aqui).




terça-feira, 13 de outubro de 2015

Professor Chibanga e a dor de cabeça do Cavaco

De acordo com o estudo realizado pela aximage para o Jornal de Negócios (vê aqui):
  • 32,1% dos portugueses preferem um bloco central;
  • 26,6 uma coligação à esquerda;
  • 20,4% um governo minoritário do PSD/CDS;
  • 11,2% não tem opinião;
  • 5,9% governo PS/BE
  • e por fim, com 3,8% um governo minoritário do PS.
Se pensarmos que o Livre foi o único defensor de uma coligação à esquerda com o PS e teve 0,72% dos votos, podemos ter uma ideia do conceito de democracia que paira pelo Largo do Rato.

Democracia à parte, numa perspectiva de realpolitik, a posição do PS é compreensível, ou pelo menos entendível. Estão a minimizar estragos e qualquer que seja a saída, o resultado é sempre mau.

Depois de ter ficado entalado entre a Coligação PAF e a esquerda radical, ou seja, entre a manutenção das políticas de consolidação económica e as políticas anti-austeridade, o António Costa está entalado entre perder votos para a esquerda, ou perder votos para a direita, ou mesmo, perder para ambos os lados e tornar-se o PASOK português.



No dia das eleições, poucas horas antes do discurso de derrota, o António Costa deve ter analisado os seguintes cenários:

Bloco Central, PSD/CDS/PS - Aqui o PS arrisca-se a perder o seu eleitorado de esquerda. Sendo o cenário mais natural para um partido humanista e democrático, é a única opção que garante um governo estável para 4 anos. Mesmo assim, o PS sabe que perderá o apoio da sua ala esquerda, muito provavelmente para o BE. A médio prazo ganha o país, perde o PS, ganha PSD, CDS, BE e eventualmente a CDU.

Governo apenas da coligação PSD/CDS, viabilizado pelo PS - neste cenário o risco mantém-se para o PS e, como tal, a probabilidade do PS se ver obrigado a roer a corda ao fim de um ano é elevada. Nesta situação o PS corre ainda o risco de não ter uma boa desculpa, ou uma desculpa que o eleitorado aceite, para fazer cair o governo. Esta situação poderá levar à repetição do sucedido em 1987 e a coligação vir a garantir uma maioria absoluta na sequência do incumprimento do PS. Havendo uma boa desculpa, o PS será novamente governo. A médio prazo podem ganhar PSD/CDS, ou mesmo o PS.

Governo maioritário de coligação PS/BE/CDU - A perda de votos do centro do PS para a coligação parece-me óbvia. As restantes consequências são pouco previsíveis, mas uma coisa é certa, nada será como dantes. Aqui o PS corre o risco de absorver grande parte da esquerda que apoia o BE. É o cenário mais perigoso para a CDU, correndo o risco de ser finalmente absorvida pelo BE, à imagem do que aconteceu no resto da Europa.

Governo maioritário coligação PS/BE - cenário mais favorável para a CDU que poderá capitalizar o voto de esquerda, após aquele que será, tal como os outros, e como aconteceu com o Syriza, um governo alinhado com as diretrizes europeias. Aqui surgirá provavelmente um novo partido, ou uma coligação duradoura, mais distanciada do centro e de difícil gestão. A probabilidade de queda e substituição por uma maioria absoluta de direita é elevada. A médio prazo ganha o PSD/CDS e a CDU.

Governo minoritário do PS - viabilizado pelo BE e pela CDU, trata-se do melhor cenário para a coligação PSD/CDS. A probabilidade de um dos partidos viabilizadores saltar é muito elevada. O PS pouca alternativa terá se não manter as politicas de austeridade, em particular porque este cenário trará uma enorme instabilidade dos mercados. É o cenário ideal para quem quer uma maioria absoluta de direita. A médio prazo ganha o PSD/CDS.

Resumindo, numa perspectiva de médio prazo: 
  1. O melhor cenário para o PS é a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS;
  2. O melhor cenário para o PSD/CDS é um governo minoritário do PS viabilizado pelo BE e CDU;
  3. O melhor cenário para o BE é um governo de Bloco Central
  4. O melhor cenário para a CDU é um governo PS/BE.
  5. O melhor cenário para o país é uma coligação de Bloco Central.
O cenário com menos risco para o PS enquanto partido, e por isso mais provável, será o da coligação minoritária do PSD/CDS, viabilizado pelo PS. 
Considerando o histórico de António  Costa, ainda há a possibilidade deste estar a tentar deixar para o Presidente da República o odioso da questão, ou seja, perante o chumbo do governo liderado pelo partido mais votado, a bem da preservação do espírito democrático, acabar por não dar posse ao Governo liderado pelos derrotados... Neste caso volta a pairar o fantasma de 1987. 

Retirada do Jornal de Negócios, 13/10/2015

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As questões do momento



Depois da desmistificação da esquerda radical, depois do vergar do Syriza (Lê mais aqui), depois de uma campanha fraca do Partido Socialista (Lê mais aqui), parece que as duas grandes questões em véspera de eleições são:

  1. Como conseguirá a coligação PSD/CDS obter estabilidade governativa? (maioria absoluta, bloco central, ou eleições daqui a 1 ano?)
  2. Quem será o novo líder do Partido Socialista? (será que o Seguro vai voltar?)




sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Eurosondagem é a credibilidade que o Expresso e a Sic lhe emprestam

Ontem era notória a irritação da Ana Gomes com os resultados das sondagens, igual a ela própria, destilava o fel em frente à câmara de televisão. Estava incrédula, falava até de uma campanha orquestrada... Não era possível... Se ela acredita que o Costa vai ganhar, como é possível que haja portugueses a responder diferente nos inquéritos diários?

Mas não é a única, hoje no jornal i, o Correia de Campos, do alto do seu pedestal, chama estúpidos aos portugueses...

(Retirada do Jornal i de hoje)

Mas o que é realmente estranho é a partilha que alguns elementos do PS fizeram do post/artigo do Telmo Vaz Pereira a desancar de alto a baixo na Eurosondagem, do Rui Oliveira e Costa. Um artigo que acusa a Eurosondagem de ser manipulada pelo PSD. A única sondagem que dá vantagem ao PS até agora.

A confusão já é de tal ordem que até na Eurosondagem batem. Parece que a ordem é bater nas sondagens, não interessa que resultado dão, o que interessa é que são uma sondagens.

Eu até concordo que a Eurosondagem tem uma longa lista de falhanços estrondosos, deu em 2013 o Couceiro a ganhar ao Bruno Carvalho no Sporting, em 2009 o Vital Moreira a ganhar ao Rangel, em 2006 o Soares a ganhar ao Manuel Alegre, em 2001 o João Soares a ganhar ao Santana em Lisboa e o Fernando Gomes a ganhar ao Rui Rio no Porto. Agora é a única que dá a vitória ao PS.

Vale o que vale, e neste caso só vale porque o Expresso e a SIC lhe emprestam credibilidade. 

Mas, sinceramente, acho difícil que o Rui Oliveira e Costa possa continuar a apresentar os mesmos resultados quando todas as sondagens parecem por em causa a já agastada credibilidade da sua empresa. 

(Retirada do jorna Sol de hoje)





quinta-feira, 14 de maio de 2015

Efeito Syriza e a greve dos pilotos

Depois da recuperação dos partidos de centro direita em Inglaterra (lê mais aqui) e em França (lê mais aqui),  o PSD/CDS-PP começa a dar sinais positivos.

Aparentemente os portugueses estão bloqueados entre o medo de perder o que conquistaram e o desejo de mudança, mas nas suas cabeças algo já se encontra consolidado, que não existe diferença entre Seguro e Costa. A dita onda provocada pela troca de liderança no PS não aconteceu e pelo andar da carruagem as duas forças políticas, partidos do Governo e socialistas, estão cada vez mais próximas.


(retirado do CM de hoje)


Com a desmistificação da esquerda radical, ganha força a ideia de que é importante não desperdiçar o que já se conseguiu. Ainda esta semana o Governo teve mais boas notícias sobre o crescimento do PIB (lê mais aqui).

O isolamento do SPAC perante a sociedade portuguesa terá também sido importante. É difícil para um governo em austeridade conseguir momentos de unidade nacional e o SPAC conseguiu um (lê mais aqui). Depois de três anos de sacrifícios, a ideia de um sindicato de privilegiados infligir 30 milhões de danos ao Estado, só porque querem ter uma fatia maior na privatização da TAP, é revoltante e une a sociedade e o Governo. 




Vamos ver o que fala mais alto e até que ponto o Syriza consegue alavancar o Governo (lê mais aqui e aqui)


domingo, 12 de abril de 2015

teoria da conspiração #Guterres #SampaioDaNóvoa #presidenciais2016

Sobre o facto do Guterres ter esclarecido apenas agora que não seria candidato a Presidente da República.

Se eu fosse da direção do PS não ia gostar de ter uma segunda escolha como candidato presidencial...




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quem festeja com uma garrafa de champanhe, não está desempregado, não tem familiares reformados, nem é funcionário público...

Ainda sobre ideias peregrinas... (outra ideia peregrina)

Vale o que vale e não será por causa disto que a coligação Aliança Portugal (PSD/CDS) irá ganhar, ou perder as eleições, mas há malta que parece que gosta de se pôr a jeito...




Se é verdade que os partidos que sustentam o Governo têm de capitalizar a saída da TROIKA (Lê mais aqui)já acho estranho que se apareça à frente da televisão com uma garrafa de champanhe na mão. 

Quem festeja com uma garrafa de champanhe não deve estar desempregado, não deve ter nenhum familiar reformado, nem ser funcionário público...


De facto, é a este governo que se deve a saída da TROIKA e de facto foi o PS que a trouxe, mas talvez ainda não seja tempo para champanhe...



terça-feira, 29 de abril de 2014

O #Benfica, o Papa, o #Assis e o #Marcelo...


No passado domingo assistimos a dois momentos marcantes. A beatificação de dois papas e a vitória do Benfica. E em ambas as situações podemos observar duas estratégias de associação que não consigo deixar de referir. 

Duas figuras públicas associaram-se de forma brilhante a estes acontecimentos, Francisco Assis e Marcelo Rebelo de Sousa.

Na primeira situação, Francisco Assis, já claramente em campanha, decide ir assistir ao jogo de acesso à final da Taça da Liga, Porto vs Benfica. Decide, como figura pública que é, assistir ao jogo na tribuna de honra do FC Porto, ao lado direito do Pinto da Costa. 

O que poderá conseguir com isto? 

Para além de ver um "show de bola" do Benfica, que ganha mais uma vez com 10 jogadores em campo, consegue associar-se de forma magistral a mais uma derrota do FC Porto, bem como, cultivar todos os atributos positivos que a figura do Pinto da Costa traz consigo (situação a que a vasta massa associativa do FCP é sensível). 



Por outro lado, uns minutos mais tarde, no mesmo canal, assistimos ao comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, feito em direto do Vaticano. 

Vemos o comentador, que ainda não está em campanha, associar-se à beatificação do Papa João Paulo II e do Papa João XXIII.

Marcelo Rebelo de Sousa, que é uma figura nacional, vai ao Vaticano, sujeita-se às filas de milhares de pessoas, incluindo aos empurrões dos Polacos, para ver no meio da multidão a cerimónia de beatificação de dois Papas marcantes para o Sec. XX, um responsável pelo Concílio Vaticano II (João XXIII)e o outro com uma ligação particular a Portugal e a Fátima (João Paulo II).

Apesar de ainda não ser candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, associa-se a um momento importante da Igreja Católica e acaba por transmitir uma mensagem a que 76,9% da população portuguesa é sensível(percentagem dos portugueses que se assumem como católicos).



Olhando bem, parece ridícula esta comparação, não por se tratarem de eleições distintas, ou por um ainda nem sequer ser  candidato, mas por se tratarem de situações diametralmente opostas, em que um associa a si atributos positivos, como a humildade e a devoção cristã (a que 76,9% da população é sensível), e o outro consegue o oposto, associando-se à presunção da tribuna de honra, a uma espetacular derrota do FCP e ainda, qual cereja no topo de bolo,ao Pinto da Costa (situação a que 6.000.000 de benfiquistas são particularmente sensíveis). 

Não sei o que passou pela cabeça da malta do Assis, mas no fim de contas acho seguro assumir que se tratou de um típico erro de casting, onde Assis apenas escolheu o Papa errado.




quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que leva alguém a votar num candidato ou num partido?



Será uma questão de ideologia?

Quantos já não se questionaram sobre o que distingue ideologicamente o PS, do PSD e do CDS? O que distingue estas forças políticas quando estão no poder? Há mudanças radicais, ou só de discurso?

Depois do que aconteceu em França com Hollande (ver aqui) poucos ainda acreditarão numa "mudança" de políticas. Então o que levará alguém a votar num candidato? Será a extensa lista de ideias e programas que apresentam nas campanhas? Será pela ideologia apresentada nos estatutos de cada força política? Será por gostarem muito do Seguro ou do Passos?

Provavelmente, a principal razão estará muito mais associada ao sentimento gerado pelo estado da conta bancária ao fim do mês, ou da situação do familiar reformado, do que a qualquer outra coisa. 

Mas então o que se pode fazer? 

Se temos de implementar medidas de austeridade e se isto terá impacto direto na intenção de voto, valerá a pena fazer campanha?

Se é certo que a ideologia vale cada vez menos aos olhos de quem vota, a busca pelo "Santo Graal" do Marketing Político, que é a razão por trás da tomada de decisão, tem levado as candidaturas a procurar serviços cada vez mais profissionais para a análise do eleitorado, em particular na área da neuro-ciência. (Ver aqui)

Já não há espaço para achismos na comunicação política.

As Candidaturas deixam cada vez mais o amadorismo de lado e isso nota-se em alguns detalhes... 




...

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Pessoalmente não acredito em coincidências, até porque não deixa de ser estranho utilizar-se o termo "Mudança" nas Europeias...



Por outras palavras, a esta altura do campeonato alguém já terá dito ao Seguro que para ganhar as próximas eleições legislativas precisa de falar pouco e quando falar, falar de "Mudança". 

O descontentamento e o sentimento de repulsa gerado pelas dificuldades económicas são de tal ordem que não será necessário falar muito, apenas garantir a mudança, mesmo que ninguém saiba muito bem para o quê, e que todos suspeitem que Seguro estará para Portugal como Hollande esteve para França.




terça-feira, 8 de abril de 2014

Há notícias que valem mais que qualquer outdoor

Podemos analisar sondagens, observar as guerras entre o PS e o PSDLisboa, questionar a forma como o Governo comunica, podemos inventar todas as estratégias e mais algumas para comunicar melhor, mas na realidade o que provavelmente irá contar é o que interfere diretamente com a nossa qualidade de vida.



(Para os que estão a fazer a leitura pela goleada do Benfica, recordo que estou a falar do aumento do Salário mínimo e da baixa dos spreads... se bem que a goleada do Benfica também conta...)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Mais uma sondagem mais uma derrota.... #Governo #PSD #PS #CDS #PPC #Seguro

Hoje saiu mais um Barómetro i/Pitagórica (ver aqui). 

Neste estudo podemos começar a perceber que impacto eleitoral terão as recentes melhorias nos indicadores económicos.   

Os resultados são claros, o PS está a subir e a aproximar-se da maioria absoluta. 

Não deixa de ser caricato, que o Governo consiga diminuir o deficit, aumentar o emprego, diminuir as taxas de juro (hoje: abaixo dos 4% pela primeira vez desde 2009) e ao mesmo tempo continuar a descer nas intenções de voto e a ser avaliado negativamente por 70,8% da população. (Já escrevi sobre isto)

É notório que Passos Coelho é, enquanto governante, diametralmente oposto a José Sócrates. Enquanto  um apenas aparecia para dar boas notícias, deixando as más para os seus ministros, o outro dá as más e deixa as boas para os seus ministros, em particular para os seus parceiros de coligação.

De facto, o que transparece é que o Passos Coelho procura cultivar a diferença de postura relativamente ao governo socialista, um gasta o outro poupa, um endivida-se o outro paga a dívida, um prepara e escolhe minuciosamente tudo o que diz o outro não faz campanha. Se esta postura de frontalidade é eticamente irrepreensível, a despreocupação com que se olha para a comunicação normalmente tem uma consequência, a derrota. 

Tanto como resolver os problemas do país, o Governo tem a obrigação de pensar no que acontecerá ao país se o partido com mais responsabilidade na crise voltar ao poder.

Se a primeira preocupação do Governo é resolver os problemas do país, também é verdade, especialmente no paradigma da comunicação em que vivemos, que tem a obrigação de dar satisfação a quem o elege, explicar o porquê das decisões mais importantes e evitar que a máquina de propaganda da oposição enviese a realidade. 

Mas Passos Coelho parece preferir deixar o PS a discutir com o PSD de Lisboa, o que deve deixar a tropa da estrutura local do PSD toda orgulhosa e alguns dirigentes nacionais a rir-se. Mas não é mais do que isto, uma massagem ao ego partidário que revela algum autismo político. É que o drama surge quando se comparam as máquinas do PSD local e do PS Nacional, como não são comparáveis a mensagem do PS terá sempre mais projeção que a da estrutura local do PSD.

Veremos quem se ficará a rir em 2015...

A guerra dos videos:

PSD de Lisboa lança este vídeo:



PS responde com este Video:


PSD de Lisboa lança logo depois este video:










quarta-feira, 2 de abril de 2014

A forma como o Governo se defende diz muito sobre como o #PPC pensa...

Enquanto todos os partidos já têm campanhas na rua, o PSD e o CDS continuam a deixar ao PSD de Lisboa a responsabilidade de defender o Governo.

Nisto das campanhas, às vezes há coisas tão simples que de tão simples que são ninguém se lembra de as fazer.... Como por exemplo ir ao youtube "sacar" alguns pedacinhos de memória sobre a trupe do Manifesto dos 70.


Se há muitos a expor a hipocrisia dos que assinaram e defenderam o dito Manifesto(ver aqui), agora alguém decidiu provar...(Ver o video)


Apesar disto continuo perplexo com o facto do Governo PSD/CDS continuar a deixar a sua defesa entregue uma estrutura local do PSD... 

Ser o PSD de Lisboa a defender o Governo diz muito sobre como o Passos Coelho pensa...




quarta-feira, 19 de março de 2014

Não existe má altura para desgastar o #Governo

A colocação de outdoors do BE e do PCP há muito que não se restringe ao período das campanhas eleitorais. Aos olhos destes partidos não existe má altura para desgastar o Governo. 

Para o PSD e para o CDS o inverso não se verifica, ou pelo menos não se verificava até ao momento.

Esta noite o PSD de Lisboa lançou uma campanha online e de outdoors a chamar à atenção sobre os resultados positivos que Portugal já atingiu e o falhanço das previsões feitas por alguns comentadores.


Apesar de poder pecar por tardia, uma vez que estamos mesmo em cima das #Europeias, dificilmente se conseguiria fazer uma campanha deste tipo mais cedo, uma vez que os números apenas agora começam a ser positivos para o Governo.

O que não compreendo é a razão do PSD Nacional, ou do próprio CDS/PP, não ter pensado nisto e de terem deixado a uma estrutura local a defesa do Governo. A ideia com que ficamos é que têm algum tipo de complexo com este tipo de comunicação, um tipo de complexo que a oposição não tem.

Veremos se vai a tempo.