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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Parabéns Steve Bannon

A vinda da Le Pen a Portugal, paga pelos contribuintes portugueses, é dos momentos mais caricatos promovidos pela geringonça.

Se é certo que o Steve Bannon é um estratega eficaz, ter sido a geringonça a cair na esparrela é hilariante. 

Depois do Robles ter desmascarado a esquerda façonable, o BE ser conivente com o patrocínio à Marine Le Pen, tanto na Câmara Municipal de Lisboa, como no apoio ao governo é de ir às lágrimas.

O mais grave em toda esta situação é que aconteça o que acontecer, a Marine Le Pen, o Bannon e o PNR já conseguiram o que queriam. A única forma de não cumprir os objetivos do Bannon seria ter-se conseguido explicar ao Paddy Cosgrave que não podia utilizar aquele espaço para propaganda xenófoba, pelo menos com financiamento público. Qualquer alternativa é uma vitória para a Le Pen, se não vejamos:

  • Depois da celeuma mediática a Le Pen é retirada novamente da lista de oradores - a publicidade que criou associada à vitimização que consegue, permite que muitos conservadores se deixem enredar na conversa do direito ao contraditório e da liberdade de expressão castrada (esquecendo-se de que não pode haver tolerância para quem defende o ódio e a intolerância). A simpatia pela Le Pen aumenta. 
  • Depois da celeuma a Le Pen vem à websummit - A esquerda excitada corre a manifestar-se e excede-se, como acontece sempre. O que permite a vitimização da Le Pen e leva a que muitos conservadores se deixem enredar na conversa do direito ao contraditório e da liberdade de expressão castrada (esquecendo-se de que não pode haver tolerância para quem defende o ódio e a intolerância). A simpatia pela Le Pen aumenta.

(Imagem retirada daqui)

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Os “Robles” e o Capital Político


Para que os decisores possam mobilizar e atrair, é essencial que tenham uma saudável e consistente reserva de capital político. 


Este capital relaciona-se com uma condição que os políticos precisam de ter para agir bem e com a capacidade de influenciar as decisões políticas, no sentido certo.

Um eleito, na sua acção legitima, nem sempre tem uma tarefa simples. Muitas vezes enfrentam problemas complexos e precisam tomar decisões difíceis, com consequências desagradáveis ​​para os cidadãos.  

É para que possam tomar as decisões necessárias, e para que possam sobreviver politicamente, que os nossos representantes precisam de capital político.

Este capital pode ser considerado uma unidade de medida que permite avaliar a autoridade dos que se movem na esfera do poder e mede-se essencialmente por três fatores: as habilidades, as relações com o meio envolvente e a reputação.

O primeiro fator - habilidades - refere-se, por um lado, a qualidades como a competência técnica e por outro lado, a uma visão e discurso convincente, capaz de inspirar o público. Este primeiro fator refere-se às habilidades cognitivas, físicas e de comunicação.

O segundo fator - relação com o meio envolvente – assenta na noção de que autoridade e capital político não existem isoladamente, mas surgem na sequência do relacionamento entre o individuo e o meio onde age.  

Neste caso, o capital político refere-se ao fator das lealdades que os decisores públicos mobilizam nas relações com os seus seguidores, mas também com a comunicação social e com todo o eleitorado.

O terceiro fator - reputação - pode resumir-se a uma questão simples. Até que ponto um político mantém as suas promessas e em que medida consegue corresponder às expectativas generalizadas? A resposta deve assentar em premissas como a boa formação e os valores que garantem a coerência de cumprir o que se promete e fazer o que se diz.

Assim cai o mito que associa o capital político à credibilidade. É uma associação frágil, que nem sempre tem adesão à realidade.  O valor da credibilidade deveria ser a base do capital político uma vez que os dois conceitos não parecem poder existir um sem o outro, mas nem sempre é assim.

Tem de ser cada vez mais evidente que a acção dos protagonistas deste tempo deve assentar na credibilidade e só por essa via devem ter mais (ou menos) crédito.

No entanto, ao contrário do que deveria ser, hoje o cenário português parece cópia fiel do que defendeu Pierre Bourdieu em 2000 no seu livro “Propos sur le Champ Politique”, quando defendia a ideia de que o campo político é composto por sujeitos iniciados que, ligados entre si, têm como fim perpetuar a sua posição no jogo político.

Hoje o capital político assente na credibilidade parece cada vez mais um conceito em extinção, e basta ver os exemplos dos “Robles”, das “Catarinas” e de outros protagonistas, da direita à esquerda dos nossos partidos.

É difícil aceitar que sejam estes os protagonistas que condicionam o futuro dos nossos filhos. Primeiro porque têm pouca credibilidade e segundo porque não são merecedores de qualquer capital político.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Próximo passo: Ilegalizar os partidos?

A forma como tem sido tratado o caso da Lei do Financiamento dos Partidos Políticos demonstra bem como estes são avaliados na Opinião Pública. Infelizmente, são vistos como um bando de malfeitores, especialmente pelos que preferem o sofá ao envolvimento na vida política.

É verdade que a forma não ajudou, o secretismo de uma discussão sem atas e sem assumir os autores das propostas é no mínimo ingénuo. Achavam mesmo que isto iria passar em branco? (como passou o terminal de contentores de Alcântara). Talvez a frontalidade tivesse resultado melhor, até porque têm razão.

Todas as organizações têm problemas e membros que mancham a sua imagem, dos casos de pedofilia na Igreja, ao caso Raríssimas entre as IPSS, ou mesmo ao Bibi da Casa Pia. No entanto, o Estado não pode ser tão leve na avaliação das organizações. Qual a importância da Igreja, da Rarissimas, ou da Casa Pia para o país?

Qual a importância dos Partidos Políticos? Para que servem? Na prática, o que se espera é que o Estado saiba se são organizações essenciais ao bom funcionamento do Estado, ou se são um bando de malfeitores. 

Depois, também seria interessante saber o que é mais importante para o contribuinte, se reduzir o financiamento dos partidos por privados, ou se diminuir o financiamento público. E se for para diminuir o financiamento privado, decidir qual o aumento do financiamento público, se será em apoio financeiro direto, com mais subvenção, ou indireto, reduzindo impostos. Será que é isto que os críticos da nova Lei defendem? 

Se uma Lei não funciona para o Tribunal Constitucional e para os Partidos Políticos, se há partidos políticos que têm de recorrer ao Jacinto Leite Capelo Rego, para fingir que cumprem a Lei, porque é que não se haverá de mudar a Lei?

Também é importante saber se o Estado quer incentivar a transparência, ou se quer continuar a fingir que a Lei atual é eficaz. 

Para quê manter um teto no financiamento? O que é que se consegue com isso? Qual a razão para não isentar completamente os Partidos do IVA? De onde vem o financiamento para pagar esse IVA? Do aumento da subvenção? De financiamento privado? Há muitas questões que ainda não ouvi nenhum comentador levantar.




É que se é para se diminuir o financiamento privado só vejo mesmo três formas de o fazer:

  1. Aumentar consideravelmente as subvenções do Estado. Com financiamento direto por intermédio dos nossos impostos. E neste caso seria natural permitir a devolução do IVA.
  2. Condicionar as formas de comunicar. Atualmente já existem restrições aos outdoors, por exemplo. Podiam proibir tudo o que não seja folhetos de papel. Mas, neste casos teria lógica obrigar todos os Órgãos de Comunicação Social (OCS) a aumentar a periodicidade e os espaços para comunicação dos partidos. Isto se considerarem importante que os eleitores saibam em que é que vão votar. E os OCS alinham?
  3. Como último recurso há sempre a opção de acabar com os partidos políticos. O que não é nada de novo, aconteceu na Alemanha na década de 30, em Portugal no Estado Novo e em muitos mais países. 
A forma que encontraram para aprovar a alteração à lei trouxe Portugal para um novo nível de demagogia.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quando um país inteiro ainda não está preparado para tanta sabedoria... #impostoMortágua



É triste, é muito triste. Deve ser muito frustrante saber que há um país inteiro a ter a infelicidade, a ter a incapacidade de compreender tanta sabedoria. No fundo é um desperdício.

Tal como existem associações de apoio a super dotados, a Mortágua já formava uma com o Pacheco Pereira...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Cada um dá atenção àquilo que quer...


Este pseudo liberalismo de alguma esquerda chega a ser cansativo. 

Ora o bruquini é um direito cultural, ora é um ato de opressão à mulher. Já não se percebe nada. Mas afinal era suposto a atleta ter ido de burquini?


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Pobre Bocage, não ganhava para as multas...

Esta história de quererem discutir o piropo na Assembleia da República tem tanto de idiota como de inútil...

Cada força política escolhe as prioridades que quer...





segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ménage à trois? Pior, em Abril teremos um governo de iniciativa presidencial...



Depois de tanta profissão de fé, de tantas declarações de boas intenções de António Costa, durante o processo de construção da "frente de esquerda" ou "frente sinistra", para os italianos, não conseguimos deixar de ficar na dúvida quanto à bondade da iniciativa, sobretudo, quando comparamos as declarações de AC com os seus atos. Será absoluto o seu alinhamento para com os compromissos europeus que vinculam Portugal? Resolvi, aqui há uns dias, passar os olhos pela história e pelos conteúdos programáticos dos seus aliados. Comecei pelo Partido Comunista Português...

É de relembrar que o PCP é um partido comunista marxista-leninista, fundado em 1921 como a secção Portuguesa do Internacional Comunista, foi um dos principais dinamizadores do processo revolucionário, após o 25 de Abril, tendo desempenhado importantes papeis, nomeadamente, no processo de nacionalização dos principais sectores da economia (banca, retrosarias e pastelarias) e na Reforma Agrária, que implementou a coletivização do sector agrícola e das terras em 1975. Tudo sob a batuta do camarada Vasco Gonçalves, primeiro-ministro após a renúncia do primeiro governo provisional.
Sem querer ir ao pormenor é difícil não relembrar as ações persecutórias levadas a cabo pelo COPCOM, órgão executivo do MFA, na altura dirigido por Otelo Saraiva de Carvalho. Às memórias mais frágeis trago o Plano de Acção Política do MFA, aprovado pelo conselho da Revolução em 1975 donde resultava, nomeadamente, que «O MFA reconhece que essa independência nacional passa por um processo de descolonização interna, a qual só se conseguirá através da construção de uma sociedade socialista. Por sociedade socialista entende-se uma sociedade sem classes, obtida pela colectivização dos meios de produção». A derrota dos comunistas no golpe de 25 de Novembro de 1975 resultou no fim da influência da extrema esquerda e permitiu que se instaurasse em Portugal uma democracia pluralista.
Ao longo dos anos o PCP foi fiel à sua génese, ressaltando nos últimos anos a visão romântica da URSS, o ódio irracional aos EUA e o apoio fervoroso aos regimes cubano e venezuelano, o do "passarinho" (http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/maduro-diz-que-chavez-lhe-apareceu-como-passarinho.html)
Bem, mas voltando ao seu programa eleitoral "atual", isto é, ao contrato político que vincula o PCP perante o eleitorado, sobressaem os seguintes excertos:
1- «A luta pelo socialismo no mundo sofreu ao findar o século XX derrotas de trágicas consequências para a luta dos trabalhadores e dos povos contra todas as formas de exploração e opressão, com a desintegração da URSS e dos regimes existentes nos países do Leste da Europa
2- A propósito do título... "O processo contrarrevolucionário", «A adesão de Portugal à CEE, contra a qual o PCP justamente lutou e cujas implicações negativas previu, criou acrescidos obstáculos a uma política democrática, integrou-se no processo de destruição de conquistas de Abril e inseriu o País numa dinâmica gravemente lesiva do interesse nacional...»
3- «O Mercado Comum (nomeadamente a circulação livre de mercadorias e capitais) já continha para Portugal, dado o seu atraso relativo, elementos desfavoráveis ao desenvolvimento e novas limitações à independência...»
4- «...a integração europeia nos planos económico, político e militar, o Mercado Único, as políticas comuns, o Tratado de Maastricht e a União Económica e Monetária (UEM) com a adoção do Euro, o Pacto de Estabilidade e a criação do Banco Central Europeu (BCE), a Política Externa e de Segurança Comum, o Tratado de Lisboa, o Tratado «orçamental», o recurso aos mais diversos instrumentos e a política dos sucessivos governos nacionais estão a transformar Portugal num Estado subalternizado, dependente e periférico...» Para os mais interessados deixo aqui o link: http://www.pcp.pt/programa-do-pcp
Mas o termo técnico é, mesmo,  "menage à trois". A festa do PS faz-se a três. É preciso não esquecer o Bloco de Esquerda, uma verdadeira "chamuça" requentada feita com as sobras radicais dos anos setenta. Sobras requentadas, mas servidas a 10,19% dos portugueses, pela Catarina Martins, como se se tratasse de ração dentro da validade.
 


O BE nasceu, assim, em 2000, sendo o resultado da junção da UDP - União Democrática Popular (marxista), do PSR - Partido Socialista Revolucionário (trotskista) e da Política XXI, movimento composto por ex-militantes do Partido Comunista Português e por ex-militantes do MDP-CDE. A dissecação antropológica e política diz tudo!
Dissecando um pouco mais, mas não muito, por causa do odor, a União Democrática Popular (UDP), de índole marxistas-leninistas,  foi criada em 1974, tendo na sua base o Comité de Apoio à Reconstrução do Partido Marxista-Leninista, os Comités Comunistas Revolucionários Marxistas-Leninistas e a Unidade Revolucionária Marxista-Leninista. O seu último secretário-geral, eleito em 1998, foi o  Luís Fazenda.
O Partido Socialista Revolucionário (PSR), de inspiração trotskista, foi criado em 1978, fruto da fusão da Liga Comunista Internacionalista  com o Partido Revolucionário dos Trabalhadores. Estes integram hoje a "Plataforma Anticapitalista" do BE sendo sua figura de proa Francisco Louçã. O movimento Política XXI, de Miguel Portas foi, por sua vez, fundado por antigos membros do PCP e do MDP/CDE, que nos anos oitenta integraram a coligação APU, com o PCP.
Portanto, é tudo gente de boas famílias! Bem... mas quanto aos conteúdos programáticos que hoje vinculam o BE, qual é o ponto de situação? São notórias as ligações ideológicas do BE com as estruturas que o formam e que estão no seu ADN.
A Moção aprovada na sua IX Convenção do BE em 2014 é um bom exemplo, determinando, a certa altura, a propósito do título "A UNIÃO EUROPEIA CONTRA OS POVOS", que,
1- «A UE consumou o processo de constitucionalização da austeridade. O desenvolvimento desigual condena a periferia europeia à concentração da riqueza na elite, a mais recessão, desemprego, precariedade e pobreza." Retivemos, ainda, que,
2- "O Euro, desenhado para facilitar a acumulação financeira no centro da Europa, sangra as economias periféricas. O Tratado Orçamental extingue qualquer soberania orçamental e impõe constrangimentos draconianos e permanentes. Ainda em negociação, o Tratado transatlântico (TIPP) quer impor a desregulação dos mercados e reforçar as multinacionais, inclusivé contra os Estados. A Comissão Europeia impediu a iniciativa cidadã StopTTIP e é um dos principais protagonistas deste tratado, que Portugal deve denunciar."
O estudo mais aprofundado poderá ser assegurado em http://www.bloco.org/media/mocao_IXconvbloco.pdf. Esta é a terceira muleta de AC no assalto ao poder.


 
Fazendo um juízo de prognose pouco audaz e sem querer desiludir as legítimas expetativas dos agentes envolvidos, penso que António Costa nunca poderá fazer aquele telefonema para sua mãe, anunciando a sua indigitação como PM.
Acredito, pelo contrário, que, confirmando-se a demissão do governo na sequência da rejeição do programa do Governo na AR, teremos um governo de iniciativa presidencial, com uma figura, eventualmente da área socialista que, esperemos, consiga concretizar um mandato estável, respeitador das regras do estado de Direito e dos compromissos internacionais de Portugal.

Talvez m episódio semelhante ao ocorrido em 1978, após a queda do governo socialista, quando o Presidente Eanes, entendendo que não havia condições para um governo maioritário na AR, recorreu à figura dos governos de iniciativa presidencial. Primeiro com Nobre da Costa, depois com Mota Pinto e com Maria de Lourdes Pintasilgo.
Fica, no entanto, para História o atrevimento de António, Catarina e Jerónimo ao terem, à luz do dia, assumido uma "ménage" contra natura onde na realidade estaria mais um interveniente. O passivo e expectante povo português... Resta saber quem será o Senhor que se segue!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Professor Chibanga e a dor de cabeça do Cavaco

De acordo com o estudo realizado pela aximage para o Jornal de Negócios (vê aqui):
  • 32,1% dos portugueses preferem um bloco central;
  • 26,6 uma coligação à esquerda;
  • 20,4% um governo minoritário do PSD/CDS;
  • 11,2% não tem opinião;
  • 5,9% governo PS/BE
  • e por fim, com 3,8% um governo minoritário do PS.
Se pensarmos que o Livre foi o único defensor de uma coligação à esquerda com o PS e teve 0,72% dos votos, podemos ter uma ideia do conceito de democracia que paira pelo Largo do Rato.

Democracia à parte, numa perspectiva de realpolitik, a posição do PS é compreensível, ou pelo menos entendível. Estão a minimizar estragos e qualquer que seja a saída, o resultado é sempre mau.

Depois de ter ficado entalado entre a Coligação PAF e a esquerda radical, ou seja, entre a manutenção das políticas de consolidação económica e as políticas anti-austeridade, o António Costa está entalado entre perder votos para a esquerda, ou perder votos para a direita, ou mesmo, perder para ambos os lados e tornar-se o PASOK português.



No dia das eleições, poucas horas antes do discurso de derrota, o António Costa deve ter analisado os seguintes cenários:

Bloco Central, PSD/CDS/PS - Aqui o PS arrisca-se a perder o seu eleitorado de esquerda. Sendo o cenário mais natural para um partido humanista e democrático, é a única opção que garante um governo estável para 4 anos. Mesmo assim, o PS sabe que perderá o apoio da sua ala esquerda, muito provavelmente para o BE. A médio prazo ganha o país, perde o PS, ganha PSD, CDS, BE e eventualmente a CDU.

Governo apenas da coligação PSD/CDS, viabilizado pelo PS - neste cenário o risco mantém-se para o PS e, como tal, a probabilidade do PS se ver obrigado a roer a corda ao fim de um ano é elevada. Nesta situação o PS corre ainda o risco de não ter uma boa desculpa, ou uma desculpa que o eleitorado aceite, para fazer cair o governo. Esta situação poderá levar à repetição do sucedido em 1987 e a coligação vir a garantir uma maioria absoluta na sequência do incumprimento do PS. Havendo uma boa desculpa, o PS será novamente governo. A médio prazo podem ganhar PSD/CDS, ou mesmo o PS.

Governo maioritário de coligação PS/BE/CDU - A perda de votos do centro do PS para a coligação parece-me óbvia. As restantes consequências são pouco previsíveis, mas uma coisa é certa, nada será como dantes. Aqui o PS corre o risco de absorver grande parte da esquerda que apoia o BE. É o cenário mais perigoso para a CDU, correndo o risco de ser finalmente absorvida pelo BE, à imagem do que aconteceu no resto da Europa.

Governo maioritário coligação PS/BE - cenário mais favorável para a CDU que poderá capitalizar o voto de esquerda, após aquele que será, tal como os outros, e como aconteceu com o Syriza, um governo alinhado com as diretrizes europeias. Aqui surgirá provavelmente um novo partido, ou uma coligação duradoura, mais distanciada do centro e de difícil gestão. A probabilidade de queda e substituição por uma maioria absoluta de direita é elevada. A médio prazo ganha o PSD/CDS e a CDU.

Governo minoritário do PS - viabilizado pelo BE e pela CDU, trata-se do melhor cenário para a coligação PSD/CDS. A probabilidade de um dos partidos viabilizadores saltar é muito elevada. O PS pouca alternativa terá se não manter as politicas de austeridade, em particular porque este cenário trará uma enorme instabilidade dos mercados. É o cenário ideal para quem quer uma maioria absoluta de direita. A médio prazo ganha o PSD/CDS.

Resumindo, numa perspectiva de médio prazo: 
  1. O melhor cenário para o PS é a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS;
  2. O melhor cenário para o PSD/CDS é um governo minoritário do PS viabilizado pelo BE e CDU;
  3. O melhor cenário para o BE é um governo de Bloco Central
  4. O melhor cenário para a CDU é um governo PS/BE.
  5. O melhor cenário para o país é uma coligação de Bloco Central.
O cenário com menos risco para o PS enquanto partido, e por isso mais provável, será o da coligação minoritária do PSD/CDS, viabilizado pelo PS. 
Considerando o histórico de António  Costa, ainda há a possibilidade deste estar a tentar deixar para o Presidente da República o odioso da questão, ou seja, perante o chumbo do governo liderado pelo partido mais votado, a bem da preservação do espírito democrático, acabar por não dar posse ao Governo liderado pelos derrotados... Neste caso volta a pairar o fantasma de 1987. 

Retirada do Jornal de Negócios, 13/10/2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Importante é cumprir o que ficou por cumprir no PREC

Aparentemente nos últimos dias já ninguém se importa com a mentira, ninguém do BE ou da CDU se importa com as promessas que fizeram.

A saída do Euro (lê mais aqui), o distanciamento do PS (lê mais aqui), é tudo águas passadas. Isso de enganar o eleitorado é um característica apenas da direita. A esquerda faz compromissos.

Disseram que queriam acabar com o Euro, não pagar a dívida, mas agora estão disponíveis para mudar de discurso, importante é cumprir o que ficou por cumprir no PREC.



Está encontrada a narrativa da esquerda. 

Qual burocracia do politburo qual quê, quando o que interessa é ter poder o resto é conversa, de um momento para o outro passámos a eleger deputados e os deputados é que mandam. 

O Sampaio ter dissolvido a Assembleia da República para preservar a vontade democrática, claro, mas isso é a esquerda. 

A coligação que ganhou as eleições, não, esses têm de sair e o Presidente da Republica tem de ouvir é os deputados.

É um pouco o conceito de Las Vegas, o que se disse na campanha fica na campanha...


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O PS continua com uma campanha estranha, agora assume-se como o garante da instabilidade em qualquer dos cenários...

Muito estranho mesmo, normalmente os partidos que querem ser governo procuram assumir-se como garantes da estabilidade. Mas, o PS parece estar a posicionar-se como o partido garante da instabilidade, isto porque não aprova o orçamento de um Governo minoritário da coligação, e caso ganhe sem maioria diz que quer governa sozinho...



Tamanha confusão, parece que correm a tapar os buracos no casco do navio a afundar e com isso vão destapando buracos maiores.

Para responder à ideia absurda de se ter um Jerónimo de Sousa ou, uma Catarina Martins, Vice Primeiro Ministro de Portugal,(Lê mais aqui) vem o António Arnaut dizer que PS vai tentar governar sozinho.


(Retirado do jorna i de 28 de Setembro)

Mas se o PS não aprova o Orçamento de um Governo minoritário da Coligação, fica-se com a ideia que a sua preocupação é apenas garantir um governo instável e a prazo, quer ganhe, quer perca.

Esta malta continua muito confusa...

(Retirado do Expresso de 26 de Setembro)


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Grécia o tubo de ensaio de uma experiência que está a correr mal. #Leg2015


Apesar das medidas de austeridade em Espanha não terem sido tão profundas como em Portugal, trata-se de um país com uma taxa de desemprego de 23,7% (lê mais aqui), enquanto que por cá estamos com 13,3% (lê mais aqui). No entanto, apesar de tudo, apesar de terem registado uma queda, o PP e o PSOE continuam a ser os partidos mais votados.

Parece que a contestação à austeridade continua a não conseguir superar o receio de voltar ao despesismo e descontrolo orçamental do passado (já escrevi sobre isto aqui e aqui).

Sendo o partido mais votado (Lê mais aqui), o PP espanhol ainda tem uma etapa importante, as legislativas de Dezembro, mas ao que tudo indica e apesar dos festejos do Podemos e do Ciudadanos, parece que a tendência será a de evitar que aconteça em Espanha o que está a acontecer na Grécia (lê mais aqui).





sábado, 14 de fevereiro de 2015

Portugal paga mil milhões de euros para finalmente ter um representantena Europa

A Grécia deve mais de mil milhões de euros aos contribuintes portugueses... O Louçã diz que finalmente os portugueses têm um representante na Europa, o Tsipras... (lê mais aqui)
Um representante um pouco caro não?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Há sempre uma cigarra prontinha a pegar na guitarra.



A coberto de uma suposta superioridade moral, que na prática consiste numa ostensiva desonestidade intelectual, uma das seis cabeças dirigentes do Bloco vem menosprezar (mais) uma prova do sucesso português.

Esta “gota no oceano da dívida”, como refere o BE, é “apenas” mais de metade do empréstimo do FMI e resulta do esforço colectivo de todo o País.

É também o resultado de uma efectiva renegociação constante e sustentada das condições da dívida, que não se faz aos berros na praça pública mas sim com trabalho e seriedade.
Embora não seja do agrado de muitos, o trabalho de formiga é sempre mais útil e compensador que a vozearia da cigarra.

domingo, 25 de maio de 2014

Perde o Bloco de Esquerda, ganha a Paula Teixeira da Cruz que passa a ter Marinho Pinto a 2000 km...

Não deixa de ser interessante o fenomeno Marinho Pinto, que acaba por capitalizar o voto de revolta, perde o Bloco de Esquerda, ganha a Paula Teixeira da Cruz que passa a ter Marinho Pinto a 2000 km...

quarta-feira, 19 de março de 2014

Não existe má altura para desgastar o #Governo

A colocação de outdoors do BE e do PCP há muito que não se restringe ao período das campanhas eleitorais. Aos olhos destes partidos não existe má altura para desgastar o Governo. 

Para o PSD e para o CDS o inverso não se verifica, ou pelo menos não se verificava até ao momento.

Esta noite o PSD de Lisboa lançou uma campanha online e de outdoors a chamar à atenção sobre os resultados positivos que Portugal já atingiu e o falhanço das previsões feitas por alguns comentadores.


Apesar de poder pecar por tardia, uma vez que estamos mesmo em cima das #Europeias, dificilmente se conseguiria fazer uma campanha deste tipo mais cedo, uma vez que os números apenas agora começam a ser positivos para o Governo.

O que não compreendo é a razão do PSD Nacional, ou do próprio CDS/PP, não ter pensado nisto e de terem deixado a uma estrutura local a defesa do Governo. A ideia com que ficamos é que têm algum tipo de complexo com este tipo de comunicação, um tipo de complexo que a oposição não tem.

Veremos se vai a tempo.