Mostrar mensagens com a etiqueta Ramalho Eanes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ramalho Eanes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Maioria dos portugueses queria Passos como líder do Governo." Perdoem-me a superficialidade da leitura, mas...

Perdoem-me a superficialidade da leitura, mas quando vi os resultados da última sondagem da Católica não consegui deixar de soltar uma gargalhada. Recordo que em 4 de Outubro deste ano, a coligação Portugal Mais à Frente, constituída pelo PSD e pelo CDS, obteve 36,86% dos votos, contra 32,31% do PS, 10,19% do BE e 8,25% da CDU.
 

   
 
Sabemos  agora, lendo a sondagem realizada pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Antena 1 e RTP, nos dias 5 e 6 de dezembro de 2015, que intuímos como reflexo da sensibilidade da sociedade portuguesa, que a maioria dos eleitores defende que o primeiro-ministro deveria ser Pedro Passos Coelho (52%) e não António Costa (37%).
 
Chamo a atenção para o facto do resultado eleitoral do PS coincidir com a percentagem de eleitores que desejava ver AC como PM. No entanto, o facto relevante e que suscita sérias preocupações sobre a saúde mental dos portugueses, tem a ver com a dissonância entre aqueles que votaram PaF e aqueles que, na realidade, gostavam de ver PPC como PM. Isto é, 15% do eleitorado, embora preferindo, desejando, querendo ou pretendendo PPC como PM, ou votou à esquerda ou ficou em casa a orar aos santinhos. Note-se que a época balnear terminou em 30 de setembro.
 
Se nos recordamos que dos 9.682.553 eleitores inscritos, apenas 5.408.805 votaram (44%), mais me deixo envolver pela convicção de que, apesar do 25 de Abril ter ocorrido há quase 42 anos, a sociedade portuguesa continua a dar alarmantes sinais de uma imaturidade política, sintomas que se confundem, por vezes, com os de uma eventual disfuncionalidade mental cujos ecos não encontro no resto do Continente Europeu.
 
Pois, podem dizer-me que a  Democracia tem destas coisas, pelo menos enquanto não ocorrer uma revisão constitucional que facilite cenários de maior estabilidade politica, social e económica em Portugal. Não deixei, no entanto, de me lembrar da atualidade das palavras do General Ramalho Eanes, ao Expresso 27 de janeiro de2007: “A democracia representativa está em crise, porque ela é só e pouco representativa. É muito fechada às elites que se cooptam e se reproduzem, não se abre convenientemente à sociedade civil e aos cidadãos, que devem ser obrigados a participar na decisão sobre as grandes questões.”
 
Porque não conceber a obrigatoriedade do voto, atuando, assim, de forma pedagógica sobre as margens mais imberbes e irresponsáveis da sociedade portuguesa?

PS. Apenas mais uma nota: PSD/CDS subiriam para 41% e o PS para 34%, com o conjunto dos partidos de Esquerda a crescerem de 50,8% para 52%.

terça-feira, 3 de junho de 2014

República ou Monarquia? #Cavaco #Soares #DuartePio #JuanCarlos #Eanes #Sampaio #Spínola

Muitos são os argumentos utilizados a favor da monarquia.

O argumento do desenvolvimento Económico:
Dizem que as economias mais saudáveis e estáveis são monarquias, mas esquecem-se sempre de referir os Estados Unidos, a França e a Alemanha.Também se esquecem de referir que a governação depende dos governos eleitos e dos respetivos parlamentos, pelo menos desde o fim do absolutismo. 

O argumento dos partidos:
Dizem que os Reis não estão sujeitos aos partidos. Mas esquecem-se de dizer que tanto como quem integra os partidos, estão sujeitos às famílias, à sua própria consciência e ao poder económico (vê mais aqui), para não falar que os partidos em Espanha têm tanta ou mais influência que em Portugal.

O argumento da estabilidade:
Alegam que Espanha só é Espanha por causa do Rei e que a Suécia é mais estável que a Itália e Portugal. Mas esquecem-se sempre de referir a Bélgica que tem sido incapaz de aguentar um governo, e de falar da estabilidade dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suiça.

E se em vez da casa de Bragança fosse a casa dos Cavacos, ou dos Gomes...? Já era diferente?

O argumento da representação do país:
Mas em Espanha o Rei representa mais o País que o Presidente da República? Nem toda a gente se revê no Cavaco, no Eanes, ou no Sampaio, mas a crescente simpatia pela República em Espanha indicia que também lá nem toda a gente se revê no Rei Juan Carlos. E daí? O que é isso de uma figura que una o País? O Ronaldo? Durante esta crise, o Cavaco uniu tanto Portugal como o Juan Carlos em Espanha, há quem goste, há quem não goste, mas isso faz parte da vida democrática.

Aliás, Juan Carlos há anos que deixou de ser uma figura consensual em Espanha (vê mais aqui). Facto que não lhe retira importância histórica. 

O Rei Juan Carlos foi de facto uma figura marcante para a democracia em Espanha, provavelmente a figura mais marcante do Séc. XX.

Todos estes argumentos valem o que valem... E se pensarmos bem servem para pouco mais que animar a discussão, porque no final do dia o que os povos precisam é de bons governos, sejam eles liderados por Reis, Presidentes, ou Ministros, independentemente da forma como são escolhidos.

E é este o cerne da questão, a forma como são eleitos, não a forma como vão governar, porque isso depende das condições da economia, da personalidade, da equipa, da capacidade de cada um e de milhares de outras variáveis que não controlamos. 

Um mau governante não melhora pelo facto de ser rei, se não o rei dos frangos seria provavelmente o franchising de maior sucesso em portugal. 

Por isso, a escolha do sistema político resume-se à escolha do sistema mais justo e que permita a melhor governação. 

E como não é a monarquia ou a república que fazem um bom governo, ficamos com a discussão sobre qual o sistema mais justo e democrático.

E é aqui que a monarquia cai por terra... Não é justo e não é democrático alguém ter direito a um poder do Estado apenas por ter nascido numa família específica. 

É que a meu ver, na perspetiva da Lei e do Estado, todos os homens e mulheres devem ser tidos como iguais.

No caso português ainda acresce uma condicionante, a confusão que reina entre os pretendentes à coroa, o que levaria alguém a ter de fazer uma escolha difícil....


Em qual dos reis votaria?