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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O EXEMPLO DE SOARES




Mário Soares foi uma figura muito mais controversa do que os obituários destes últimos dias deixam antever. E ainda bem que o foi: um político que não gere polémica falha a missão. Todos os verdadeiros estadistas, a seu tempo, souberam agitar e dividir águas. Não recearam a confrontação, não temeram ser criticados em manchetes ou editoriais na imprensa.
Soares foi assim. Acertou e errou, mas sempre em função de convicções profundas que soube transformar em princípios políticos e fazer deles uma linha de rumo. Esteve certo no essencial quando combateu na primeira linha da edificação do regime democrático e na nossa integração europeia. Distanciando-se daqueles que sonhavam com novas ditaduras e com uma alegada “vocação terceiro-mundista” de Portugal, nomeadamente os dirigentes do PCP.
Dono de uma das expressões mais emblemáticas de toda a nossa Democracia, “ …pôr o Socialismo na Gaveta”, Mário Soares soube assumir que ideias e métodos baseados nas palavras como mercado, concorrência, produtividade e prosperidade eram essenciais em determinada altura. Assumiu a necessidade de adotar, parcialmente, o capitalismo na sua versão moderada e abrangente, o que não abdicava, portanto, de instrumentos reguladores que garantissem ao Estado os mecanismos essenciais para garantir a justa distribuição da riqueza que o seu socialismo defendia. Suficientemente aberto e plural em termos políticos, Mário Soares permitiu que na sua ação política e governação, coexistissem modelos ideológicos distintos, sempre tendo como prioridade o interesse nacional.
Acreditava na política com ética e valores tendo dado um grande exemplo disso mesmo, na qualidade de Presidente da República, no ano de 1987, quando Cavaco Silva era Primeiro Ministro de Portugal.
Aníbal Cavaco Silva liderava um governo de minoria, sendo que no parlamento o PS liderado por Vítor Constâncio, o PCP liderado por Álvaro Cunhal e o então PRD liderado por Hermínio Martinho, tinham maioria parlamentar. Estes três partidos, aprovaram uma moção de censura, proposta pelo PRD, que fez cair o governo de Cavaco Silva.
Desejando formar governo com base na maioria parlamentar, PS e PRD não contavam, no entanto, com a postura gigante do Presidente da República Mário Soares.
Soares deu a todos uma verdadeira lição de democracia e de respeito pelo voto do povo, não aceitando a proposta do PS e PRD para formarem um governo de maioria parlamentar, tendo como base na sua decisão o facto dos cabeças de lista desses partidos não terem ganho as eleições em 1985.
Mário Soares dissolveu o parlamento e marcou novas eleições legislativas para julho de 1987. Cavaco Silva acabaria por obter a sua primeira maioria absoluta e para a história fica a ética, os princípios e acima de tudo o respeito que Mário Soares demonstrou pelos portugueses e pelas suas escolhas.
Talvez por isso Mário Soares nunca tenha comentado publicamente a opção de António Costa quando este optou pela constituição da geringonça em 2015, opção que Soares havia contrariado em 1987 e que provavelmente rejeitaria com base na sua ética, valores e respeito pelos portugueses.
Mário Soares era dotado de um carisma notável, que o transformou num líder vocacionado para seduzir multidões e mobilizar vontades coletivas através da palavra, do gesto e do seu exemplo. Foi alguém que suscitava respeito, confiança e até, para alguns, adoração.
Foi a par de Francisco Sá Carneiro e de Álvaro Cunhal uma das personalidades que mais marcou a História da política portuguesa da segunda metade do século XX. Ao contrário de muitos socialistas que tratam mal a memória de Sá Carneiro, julgo que devemos a Soares uma homenagem pela forma como sempre se empenhou na luta pela liberdade e pela democracia.
Se pudéssemos definir Mário Soares numa citação talvez fosse a famosa frase de Benjamin Franklin: "Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade nem segurança".
Soares pode constituir um exemplo no desassombro que sempre revelou na defesa dos princípios em que acreditava. Preferia navegar em águas turbulentas do que boiar em águas estagnadas. Infelizmente deixou poucos seguidores. O calculismo, a dissimulação e a falta de ousadia são hoje alguns dos mais preocupantes sinais exteriores da política portuguesa. Soares não era adepto de tais fraquezas. Soares foi um bom exemplo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

As patetices do #Soares... Afinal o Costa até nem esteve mal.

Os recentes comentários do Mário Soares têm sido cada tiro cada melro, afinal a idade já vai pesando e nota-se cada vez mais. 

Não sei o que será mais cruel para quem já foi Presidente da Republica, se não lhe darem mais palco ou permitirem-lhe o ridículo sempre que sobe ao palco.

A atitude mais humana é certamente privarem-no do vexame da patetice (lê aqui uma delas)...

Por isso há que reconhecer que o Costa não esteve mal ao evitar que ele falasse no último congresso. Nem que seja pelo que ele representou no desenvolvimento da democracia em Portugal.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

República ou Monarquia? #Cavaco #Soares #DuartePio #JuanCarlos #Eanes #Sampaio #Spínola

Muitos são os argumentos utilizados a favor da monarquia.

O argumento do desenvolvimento Económico:
Dizem que as economias mais saudáveis e estáveis são monarquias, mas esquecem-se sempre de referir os Estados Unidos, a França e a Alemanha.Também se esquecem de referir que a governação depende dos governos eleitos e dos respetivos parlamentos, pelo menos desde o fim do absolutismo. 

O argumento dos partidos:
Dizem que os Reis não estão sujeitos aos partidos. Mas esquecem-se de dizer que tanto como quem integra os partidos, estão sujeitos às famílias, à sua própria consciência e ao poder económico (vê mais aqui), para não falar que os partidos em Espanha têm tanta ou mais influência que em Portugal.

O argumento da estabilidade:
Alegam que Espanha só é Espanha por causa do Rei e que a Suécia é mais estável que a Itália e Portugal. Mas esquecem-se sempre de referir a Bélgica que tem sido incapaz de aguentar um governo, e de falar da estabilidade dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suiça.

E se em vez da casa de Bragança fosse a casa dos Cavacos, ou dos Gomes...? Já era diferente?

O argumento da representação do país:
Mas em Espanha o Rei representa mais o País que o Presidente da República? Nem toda a gente se revê no Cavaco, no Eanes, ou no Sampaio, mas a crescente simpatia pela República em Espanha indicia que também lá nem toda a gente se revê no Rei Juan Carlos. E daí? O que é isso de uma figura que una o País? O Ronaldo? Durante esta crise, o Cavaco uniu tanto Portugal como o Juan Carlos em Espanha, há quem goste, há quem não goste, mas isso faz parte da vida democrática.

Aliás, Juan Carlos há anos que deixou de ser uma figura consensual em Espanha (vê mais aqui). Facto que não lhe retira importância histórica. 

O Rei Juan Carlos foi de facto uma figura marcante para a democracia em Espanha, provavelmente a figura mais marcante do Séc. XX.

Todos estes argumentos valem o que valem... E se pensarmos bem servem para pouco mais que animar a discussão, porque no final do dia o que os povos precisam é de bons governos, sejam eles liderados por Reis, Presidentes, ou Ministros, independentemente da forma como são escolhidos.

E é este o cerne da questão, a forma como são eleitos, não a forma como vão governar, porque isso depende das condições da economia, da personalidade, da equipa, da capacidade de cada um e de milhares de outras variáveis que não controlamos. 

Um mau governante não melhora pelo facto de ser rei, se não o rei dos frangos seria provavelmente o franchising de maior sucesso em portugal. 

Por isso, a escolha do sistema político resume-se à escolha do sistema mais justo e que permita a melhor governação. 

E como não é a monarquia ou a república que fazem um bom governo, ficamos com a discussão sobre qual o sistema mais justo e democrático.

E é aqui que a monarquia cai por terra... Não é justo e não é democrático alguém ter direito a um poder do Estado apenas por ter nascido numa família específica. 

É que a meu ver, na perspetiva da Lei e do Estado, todos os homens e mulheres devem ser tidos como iguais.

No caso português ainda acresce uma condicionante, a confusão que reina entre os pretendentes à coroa, o que levaria alguém a ter de fazer uma escolha difícil....


Em qual dos reis votaria?





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hoje Mário Soares começou o dia a tomar Rennies...

Para azia de alguma esquerda Francisco Sá Carneiro é reconhecido pelos portugueses como a figura política mais próxima dos valores do 25 de Abril  (ver Barómetro i/Pitagória)