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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Esta Europa não está pronta para um projeto Europeu

Quando leio notícias como a das reuniões apenas com os países fundadores da União Europeia para debater as consequências BREXIT, (lê mais aqui), não consigo deixa de me sentir incomodado. 

Mas somos uma união ou não? Porquê? Qual é a lógica de relegarem os restantes países para segundo plano?

Uma União que tinha como principal objetivo mitigar as diferenças existentes entre os diversos estados e evitar as guerras constantes que assolaram o continente europeu, parece estar mais preocupada em acentuar estas diferenças. 

Definitivamente esta não é a Europa do Adenauer, do Churchill, do Kohl, do d'Estaing, ou do Mitterrand. 

É incompreensível como é que em pleno século XXI continua a existir a necessidade de mostrar aos mais fracos quem manda, especialmente num momento em que a Europa é atacada e onde mais do que nunca deveria prevalecer a união (já escrevi sobre isto aqui).

Esta conversa das sanções é outra idiotice de uma Europa sem rumo. Ou seja, parece que esta Europa quer transmitir uma ideia simples: "Depois do BREXIT, vamos lá é garantir que aumenta o desconforto da opinião pública contra a União Europeia". 

Se o caminho natural do projeto europeu é o federalismo, onde o poder é partilhado, e onde largamos este estado de "chove mas não molha", os atuais cabecilhas desta coisa a que alguns chamam união estão mais preocupados em evitar que o Nigel Farage seja fotografado (já escrevi sobre o Brexit aqui).


Como é que é possível alguém pensar em sancionar qualquer país neste momento? (lê mais aqui)

Eu sei que esta coisa não é recente, já em 1919, no Tratado de Versalhes, a Europa e o Mundo se preocuparam mais em castigar, em sancionar, do que em resolver o problema. Mas acho que a história nos deveria ter ensinado que a hipocrisia não traz bom resultado.

É que se  houve 114 incumprimentodo pacto orçamental desde 1999, 11 vezes pela França, 10 vezes por Portugal, Polónia e Grécia, 8 pela Itália e 5 pela Alemanha, porque é que só agora se fala de sanções? O que é que esta malta pretende?

  (retirado da sic notícias, Comentário do Francisco Louçã)


Em Portugal, só há um beneficiado com isto, o Partido Socialista. Por isso, custa-me muito a acreditar que haja no PSD quem defenda, ou se sinta minimamente satisfeito com estas ameaças de sanções. A acontecer, esta será a desculpa que faltava para justificar a forma irresponsável com que o António Costa tem governado. 

Mesmo que não aconteça, a simples ameaça, na forma e momento em que está a ocorrer, indicia que a Europa pode estar perto do fim.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

O novo Paradigma de Liderança



Os sistemas de Governo atuais têm a sua base nos interesses partidários, desvirtuando assim a génese da gestão da polis, defendida desde os tempos da antiga Grécia.

Hoje, o paradigma do líder politico assenta em bases que são definidas no seio dos próprios partidos politicos e nas ideias defendidas por um status quo, uma pequena oligarquia, que procura não mudar nada.

Existem vários fatores que têm vindo a provocar o afastamento dos cidadãos da participação política, entre os quais o facto de os líderes, nos últimos anos, desiludirem os seus eleitores.  

E isto tem levado cada vez maior número de pessoas a questionar os atuais líderes, a sua ação e o próprio futuro de Portugal.

Começa a ser óbvio que a necessidade de encontrar um novo paradigma de liderança é um imperativo nacional; esta deve ser, aliás, uma discussão e um debate centrado na verdadeira necessidade de Portugal enquanto País periférico e dependente no quadro da União Europeia.

Portugal necessita de se libertar de amarras e consolidar uma soberania e independência assente em três ideias chave: Justiça, Trabalho e Generosidade. O crescimento económico e um ajustamento, decerto doloroso, são uma necessidade e um ponto de partida, mas não devem, nem podem, ser a receita por si só. Não podemos deixar de considerar que sem uma justiça célere e eficaz, sem criação de trabalho e sem Justiça social, nenhuma receita de gestão pode ser eficaz. 

A política faz-se para as pessoas e com as pessoas, e um qualquer líder que despreze esta verdade fracassará.

Isto leva-nos à chamada “pergunta de um milhão de Euros”. Que líder queremos para o futuro? Será aquele que faz as perguntas certas ou aquele que nos oferece as respostas certas? Será um coordenador ou um catalisador? Será o homem do leme ou o navegador que estabelece a direção? Um futuro líder deverá ser um mestre na arquitectura financeira, económica ou social? Será um político? Um tecnocrata? Um gestor e um empreendedor de sucesso? Alguém com total independência do status quo? Ou um pouco de tudo isto?

É hoje consensual que para ser um bom líder não basta ser um bom político. As sociedades mudaram com o decorrer dos tempos. A globalização é hoje uma realidade. Os mercados comandam e definem as circunstâncias. Os modelos de governação e os líderes têm de se adaptar aos novos tempos e têm de se renovar.

Os líderes de hoje têm a responsabilidade de criar o futuro e de formar os líderes de amanhã. Hoje é o tempo certo para resistir e encontrar novas soluções. É uma oportunidade que se nos apresenta de podermos mudar uma receita com cerca de 40 anos de vida.

A estratégia das lideranças tem tido como prioridade desenvolver técnicas de sobrevivência, em vez de dar prioridade ao desenvolvimento e ao sucesso do País. Os líderes (do presente e do futuro), que entenderem a diferença entre a sobrevivência política e o sucesso político, vão certamente adaptar-se às novas realidades, inovar, recriar os modelos de governação e as suas bases corretas de acordo com os seus eleitores. A ser assim, estes líderes não só sobreviverão, como terão o sucesso associado à eficaz gestão do País.

O líder que se precisa deve procurar o sucesso evitando a miopia que apenas vê a sobrevivência da sua liderança e do seu País e deve abraçar uma estratégia de longo prazo para a sustentabilidade que, assente na Justiça, Trabalho e Generosidade, possa alcançar o sucesso para Portugal.

Ninguém procura um D. Sebastião, mas sim um líder que seja motivador e que possa renovar a confiança dos portugueses, cada vez mais afastados. Procuramos “um de nós” que transmita confiança e esperança. Procuramos “um de nós”, em quem possamos depositar o futuro dos nossos filhos.

Muitos podem dizer que o que defendo neste artigo é uma utopia, mas exemplos como o de John F. Kennedy, Winston Churchill, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, Abraham Lincoln e de Francisco Sá Carneiro provam que estas ideias estão próximas da realidade se assim o desejarmos.

As lideranças que defendem genuinamente as suas causas e que procuram o sucesso e bem-estar do seu povo, são as únicas capazes de mudar e de garantir que Portugal, ou qualquer outro País, tem Futuro.

fonte: Jornal OJE: http://www.oje.pt/novo-paradigma-lideranca/