Mostrar mensagens com a etiqueta Realpolitik. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Realpolitik. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O novo Paradigma de Liderança



Os sistemas de Governo atuais têm a sua base nos interesses partidários, desvirtuando assim a génese da gestão da polis, defendida desde os tempos da antiga Grécia.

Hoje, o paradigma do líder politico assenta em bases que são definidas no seio dos próprios partidos politicos e nas ideias defendidas por um status quo, uma pequena oligarquia, que procura não mudar nada.

Existem vários fatores que têm vindo a provocar o afastamento dos cidadãos da participação política, entre os quais o facto de os líderes, nos últimos anos, desiludirem os seus eleitores.  

E isto tem levado cada vez maior número de pessoas a questionar os atuais líderes, a sua ação e o próprio futuro de Portugal.

Começa a ser óbvio que a necessidade de encontrar um novo paradigma de liderança é um imperativo nacional; esta deve ser, aliás, uma discussão e um debate centrado na verdadeira necessidade de Portugal enquanto País periférico e dependente no quadro da União Europeia.

Portugal necessita de se libertar de amarras e consolidar uma soberania e independência assente em três ideias chave: Justiça, Trabalho e Generosidade. O crescimento económico e um ajustamento, decerto doloroso, são uma necessidade e um ponto de partida, mas não devem, nem podem, ser a receita por si só. Não podemos deixar de considerar que sem uma justiça célere e eficaz, sem criação de trabalho e sem Justiça social, nenhuma receita de gestão pode ser eficaz. 

A política faz-se para as pessoas e com as pessoas, e um qualquer líder que despreze esta verdade fracassará.

Isto leva-nos à chamada “pergunta de um milhão de Euros”. Que líder queremos para o futuro? Será aquele que faz as perguntas certas ou aquele que nos oferece as respostas certas? Será um coordenador ou um catalisador? Será o homem do leme ou o navegador que estabelece a direção? Um futuro líder deverá ser um mestre na arquitectura financeira, económica ou social? Será um político? Um tecnocrata? Um gestor e um empreendedor de sucesso? Alguém com total independência do status quo? Ou um pouco de tudo isto?

É hoje consensual que para ser um bom líder não basta ser um bom político. As sociedades mudaram com o decorrer dos tempos. A globalização é hoje uma realidade. Os mercados comandam e definem as circunstâncias. Os modelos de governação e os líderes têm de se adaptar aos novos tempos e têm de se renovar.

Os líderes de hoje têm a responsabilidade de criar o futuro e de formar os líderes de amanhã. Hoje é o tempo certo para resistir e encontrar novas soluções. É uma oportunidade que se nos apresenta de podermos mudar uma receita com cerca de 40 anos de vida.

A estratégia das lideranças tem tido como prioridade desenvolver técnicas de sobrevivência, em vez de dar prioridade ao desenvolvimento e ao sucesso do País. Os líderes (do presente e do futuro), que entenderem a diferença entre a sobrevivência política e o sucesso político, vão certamente adaptar-se às novas realidades, inovar, recriar os modelos de governação e as suas bases corretas de acordo com os seus eleitores. A ser assim, estes líderes não só sobreviverão, como terão o sucesso associado à eficaz gestão do País.

O líder que se precisa deve procurar o sucesso evitando a miopia que apenas vê a sobrevivência da sua liderança e do seu País e deve abraçar uma estratégia de longo prazo para a sustentabilidade que, assente na Justiça, Trabalho e Generosidade, possa alcançar o sucesso para Portugal.

Ninguém procura um D. Sebastião, mas sim um líder que seja motivador e que possa renovar a confiança dos portugueses, cada vez mais afastados. Procuramos “um de nós” que transmita confiança e esperança. Procuramos “um de nós”, em quem possamos depositar o futuro dos nossos filhos.

Muitos podem dizer que o que defendo neste artigo é uma utopia, mas exemplos como o de John F. Kennedy, Winston Churchill, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, Abraham Lincoln e de Francisco Sá Carneiro provam que estas ideias estão próximas da realidade se assim o desejarmos.

As lideranças que defendem genuinamente as suas causas e que procuram o sucesso e bem-estar do seu povo, são as únicas capazes de mudar e de garantir que Portugal, ou qualquer outro País, tem Futuro.

fonte: Jornal OJE: http://www.oje.pt/novo-paradigma-lideranca/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Manifesto eleitoral do PSD...porque Não?



Hoje e com o aproximar do Congresso do PSD começam a surgir algumas vozes a criticar o caminho que o PSD tem vindo a trilhar pelas mãos de Pedro Passos Coelho.

A crítica mais recorrente tem sido a de que o PSD necessita de centrar as suas políticas, aproximando-se do centro político em contraponto ao caminho mais liberal que tem seguido nos últimos anos. Mas na génese desta crítica as vozes que se começam a ouvir têm defendido que o PSD deve voltar à matriz social-democrata do PPD/PSD de Francisco Sá Carneiro.

Atento ao que se vai passando e percebendo que existe uma necessidade de reaproximar o PSD do eleitorado, vejo com agrado (por valorizar o debate interno) mas também com grande desconfiança as críticas que defendem o regresso à social-democracia do PPD/PSD.

Quero acreditar que não é por desconhecimento que os críticos defendem esta ideia mas sim porque é “popular” dizê-lo em tempo de oposição. Ora quem pretende o regresso do PSD à social-democracia não sabe com certeza de que na génese ideológica do PPD/PSD estiveram influências do socialismo democrático e principalmente da social-democracia adoptada pelos movimentos de centro-esquerda na Alemanha.

Estes críticos desconhecem também que Francisco Sá Carneiro procurou integrar o então PPD na Internacional Socialista e, consequentemente, no Partido Socialista Europeu, procurando assim sedimentar a natureza de partido reformista, social-democrata e europeísta que o fundador pretendia, ocupando, a par do PS, o centro-esquerda.

Aliás esta pretensão de Sá Carneiro explica a mudança de designação para Partido Social Democrata (PSD), que hoje tantos usam como se soubessem o que de facto representa. 

Portanto quando se pretende falar na ideologia social-democrata como matriz inicial do PPD/PSD está correto mas, não podemos pretender que nos tempos atuais, onde as ideologias representam muito pouco para o eleitorado, se possa regressar a um passado que já não existe. 

A crise das ideologias e a necessidade de aproximar os cidadãos da política transforma um discurso popular num discurso demagógico e sem sustentação na atualidade. Os tempos são outros e o PSD é hoje um partido que é caracterizado na ciência política como um “Catch-all party”, ou seja um partido abrangente que procura eleitorado num vasto campo do espectro político.

Hoje o PSD movimenta-se entre o centro-esquerda e o centro-direita do espectro político português e tem vindo a sustentar a sua conduta em princípios da social-democracia, do Liberalismos e até do conservadorismo.

No entanto e tendo em consideração as regras necessárias à convivência europeia, a impreterível necessidade do cumprimento do tratado europeu e principalmente ao período de intervenção a que Portugal esteve sujeito por via da Governação Socialista de José Sócrates, o PSD viu a necessidade de adoptar medidas e políticas de cariz mais liberal (liberalismo político e financeiro) uma vez que o regresso da soberania financeira e a saída deste período de intervenção assim o obrigavam.

Mas para os críticos que defendem a necessidade de regressar a um debate ideológico do PSD e da sua colocação (debate que pouco interessa ao eleitorado) eu sugeria que se estivessem abertos àquilo a que se chama a “realpolitik”, conceito que se baseia em políticas e medidas práticas em detrimento de noções meramente ideológicas.

Ou seja, o debate importante que devemos ter, na minha opinião, deve perguntar quais devem ser as causas a defender pelo PSD na atualidade e no contexto global em que Portugal se insere. Objectivamente o que os portugueses pretendem saber são as ideias que o PSD tem sobre matérias vitais no presente e para o futuro.

Ora o debate no PSD deve portanto fugir do ideológico (para muitos ultrapassado) e centrar-se por exemplo em questões como:

Qual é o modelo de Segurança Social que o PSD pretende? Como pretende defender a sustentabilidade da Segurança Social? Quais as garantias de pagamento para as reformas presentes e futuras?

Qual o modelo de Serviço Nacional de Saúde que o PSD pretende e como pretende garantir a sua sustentabilidade? No âmbito da sustentabilidade da ADSE deverá esta ser alargada também aos privados? Quais os modelos de financiamento que o PSD defende na saúde?

Que modelo de Escola defende o PSD? Uma escola Pública prioritariamente? Um modelo misto? Haverá incentivos e financiamento para o aumento da cobertura do pré-escolar? Que modelo de financiamento propõe o PSD? Defende o PSD o modelo de escolas auto-sustentáveis?

Que política fiscal defende o PSD e qual o seu impacto nas famílias e na economia? Quais são as linhas vermelhas na política fiscal que o PSD não ultrapassará? Que impostos deverão descer? Que impostos não deverão descer?

Nas contas públicas vai o PSD defender com firmeza a manutenção do défice abaixo dos 3% defendendo a implementação de uma medida travão para o crescimento da divida pública na Constituição?

No emprego quais são as políticas activas de emprego defendidas pelo PSD? Que incentivos à empregabilidade devem ser estimulados e defendidos? As empresas que promovam a contratação sem termo vão ter incentivos fiscais e financeiros?

Quais as políticas de apoio às famílias que o PSD defende? Em que medida pretende financiar estas políticas e através de que mecanismos?

Quanto ao papel do Estado,  defende o PSD um Estado menos interventivo e mais regulador? Deverão as entidades reguladoras ver as suas competências aumentadas?

E poderia dar-vos muito outros exemplos que com certeza preocupam todos e cada um dos portugueses. É desta forma que poderá o PSD promover o seu debate interno dando prioridade à discussão de medidas concretas e políticas objectivas

O PSD só tem a ganhar se apresentar de forma clara aquilo que defende e quando o fizer deve ser abrangente tanto quanto pretenda conquistar eleitorado, sem ver nisso alguma perversão mas sim uma atitude pragmática e objectiva no sentido de satisfazer (de forma responsável) os portugueses.

Quanto à defesa de debates inconsequentes sobre as derivas ideológicas e principalmente à defesa de medidas demagógicas e que promovem o facilitismo - tão populares hoje em dia - deixemos esse papel para o Bloco de Esquerda, para o PCP e o para PS de António Costa.

Aos críticos devemos agradecer pois é graças a eles que se promove o debate interno e o pluralismo de ideias que é a alma e a essência do PSD de Francisco Sá Carneiro. O Pluralismo de ideias e o debate interno, estes sim são legados de Sá Carneiro mas, independentemente dos anos passados, são intemporais e a eles devemos regressar sempre que internamente seja necessário ou sempre que se esteja perante desvios de autoritarismo muito próprios de quem tem o poder absoluto.

Um manifesto eleitoral não será com certeza, mas pode ser um bom contributo ao debate que aqui vos deixo e deixo principalmente para os elementos de “facção” que vêm sempre nas disputas as questões pessoais como entrave ao entendimento sem tentarem, em primeira instância, perceber a essência das ideias e o valor acrescentado que cada um pode aportar ao projeto e ao futuro do PSD.







terça-feira, 13 de outubro de 2015

Professor Chibanga e a dor de cabeça do Cavaco

De acordo com o estudo realizado pela aximage para o Jornal de Negócios (vê aqui):
  • 32,1% dos portugueses preferem um bloco central;
  • 26,6 uma coligação à esquerda;
  • 20,4% um governo minoritário do PSD/CDS;
  • 11,2% não tem opinião;
  • 5,9% governo PS/BE
  • e por fim, com 3,8% um governo minoritário do PS.
Se pensarmos que o Livre foi o único defensor de uma coligação à esquerda com o PS e teve 0,72% dos votos, podemos ter uma ideia do conceito de democracia que paira pelo Largo do Rato.

Democracia à parte, numa perspectiva de realpolitik, a posição do PS é compreensível, ou pelo menos entendível. Estão a minimizar estragos e qualquer que seja a saída, o resultado é sempre mau.

Depois de ter ficado entalado entre a Coligação PAF e a esquerda radical, ou seja, entre a manutenção das políticas de consolidação económica e as políticas anti-austeridade, o António Costa está entalado entre perder votos para a esquerda, ou perder votos para a direita, ou mesmo, perder para ambos os lados e tornar-se o PASOK português.



No dia das eleições, poucas horas antes do discurso de derrota, o António Costa deve ter analisado os seguintes cenários:

Bloco Central, PSD/CDS/PS - Aqui o PS arrisca-se a perder o seu eleitorado de esquerda. Sendo o cenário mais natural para um partido humanista e democrático, é a única opção que garante um governo estável para 4 anos. Mesmo assim, o PS sabe que perderá o apoio da sua ala esquerda, muito provavelmente para o BE. A médio prazo ganha o país, perde o PS, ganha PSD, CDS, BE e eventualmente a CDU.

Governo apenas da coligação PSD/CDS, viabilizado pelo PS - neste cenário o risco mantém-se para o PS e, como tal, a probabilidade do PS se ver obrigado a roer a corda ao fim de um ano é elevada. Nesta situação o PS corre ainda o risco de não ter uma boa desculpa, ou uma desculpa que o eleitorado aceite, para fazer cair o governo. Esta situação poderá levar à repetição do sucedido em 1987 e a coligação vir a garantir uma maioria absoluta na sequência do incumprimento do PS. Havendo uma boa desculpa, o PS será novamente governo. A médio prazo podem ganhar PSD/CDS, ou mesmo o PS.

Governo maioritário de coligação PS/BE/CDU - A perda de votos do centro do PS para a coligação parece-me óbvia. As restantes consequências são pouco previsíveis, mas uma coisa é certa, nada será como dantes. Aqui o PS corre o risco de absorver grande parte da esquerda que apoia o BE. É o cenário mais perigoso para a CDU, correndo o risco de ser finalmente absorvida pelo BE, à imagem do que aconteceu no resto da Europa.

Governo maioritário coligação PS/BE - cenário mais favorável para a CDU que poderá capitalizar o voto de esquerda, após aquele que será, tal como os outros, e como aconteceu com o Syriza, um governo alinhado com as diretrizes europeias. Aqui surgirá provavelmente um novo partido, ou uma coligação duradoura, mais distanciada do centro e de difícil gestão. A probabilidade de queda e substituição por uma maioria absoluta de direita é elevada. A médio prazo ganha o PSD/CDS e a CDU.

Governo minoritário do PS - viabilizado pelo BE e pela CDU, trata-se do melhor cenário para a coligação PSD/CDS. A probabilidade de um dos partidos viabilizadores saltar é muito elevada. O PS pouca alternativa terá se não manter as politicas de austeridade, em particular porque este cenário trará uma enorme instabilidade dos mercados. É o cenário ideal para quem quer uma maioria absoluta de direita. A médio prazo ganha o PSD/CDS.

Resumindo, numa perspectiva de médio prazo: 
  1. O melhor cenário para o PS é a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS;
  2. O melhor cenário para o PSD/CDS é um governo minoritário do PS viabilizado pelo BE e CDU;
  3. O melhor cenário para o BE é um governo de Bloco Central
  4. O melhor cenário para a CDU é um governo PS/BE.
  5. O melhor cenário para o país é uma coligação de Bloco Central.
O cenário com menos risco para o PS enquanto partido, e por isso mais provável, será o da coligação minoritária do PSD/CDS, viabilizado pelo PS. 
Considerando o histórico de António  Costa, ainda há a possibilidade deste estar a tentar deixar para o Presidente da República o odioso da questão, ou seja, perante o chumbo do governo liderado pelo partido mais votado, a bem da preservação do espírito democrático, acabar por não dar posse ao Governo liderado pelos derrotados... Neste caso volta a pairar o fantasma de 1987. 

Retirada do Jornal de Negócios, 13/10/2015