Mostrar mensagens com a etiqueta Brexit. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brexit. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Europa mudou o rumo

A eleição do Ministro das Finanças, Mário Centeno, para presidente do Eurogrupo é uma boa notícia. Mas, não pela razão mais óbvia.

Para um povo que apanhou com 41 anos de ditadura ,com a narrativa do "orgulhosamente sós", assente numa cultura consolidada sob os princípios do Sermão da Montanha e da valorização dos mansos e dos pobres de espírito, é perfeitamente natural que este reconhecimento internacional seja algo difícil de explicar, pelo menos fora da intervenção divina. E, por isso, digno de festejos.

É perfeitamente natural que a maioria da malta ande com o ego em alta, afinal de contas tratou-se da eleição de mais um português para um alto cargo internacional. Depois de Freitas do Amaral ter presidido à Assembleia Geral das Nações Unidas, de Durão Barroso ter Presidido à Comissão Europeia e mais recentemente, António Guterres ter sido eleito para Secretário-Geral das Nações Unidas, no mesmo ano em que Portugal foi campeão europeu de futebol, é natural que o orgulho luso ande à flor da pele. Não tendo em mim grande espírito nacionalista, tenho que reconhecer que também gosto de ver portugueses a assumir cargos internacionais de elevada responsabilidade.

Apesar de tudo, a eleição de Mário Centeno, para Presidente do Eurogrupo, não deixa de ser irónica, quando, dias antes, era o próprio coordenador da candidatura portuguesa à Agência Europeia do Medicamento que criticava a falta de influência política do governo para garantir a vitória da opção Porto. Aparentemente, não teve influência para uma coisa, mas terá tido para a outra. 

Se estas eleições de portugueses para altos cargos internacionais são a demonstração que a globalização é positiva, a verdadeira vitória, e provavelmente a principal razão por trás da escolha de Centeno, foi a alteração de paradigma na União Europeia. O modelo economicista, por trás da austeridade e da frieza que a União Europeia transmitiu nos últimos anos, representada por burocratas como Jeroen Dijsselbloem, caiu definitivamente por terra.


A União Europeia, ao escolher o "dragonslayer" português da austeridade, transmite de forma muito clara que o caminho é outro. E, com isto, acalma os nacionalismos e as críticas crescentes sobre o rumo da UE e possível efeito dominó do Brexit.

Acima de tudo, são boas notícias para a Europa e indiciam mais passos para a consolidação política da União. O reforço defesa é um passo importante, mas espera-se muito mais da União para que consiga sobreviver, passando pela união política efetiva, com eleição direta dos diversos órgãos executivos, com um orçamento e uma política fiscal comum. Ou seja, transformar a União Europeia numa verdadeira união.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Daqui de cima não se veem fronteiras...

As desculpas podem ser as que quisermos, a segurança, a preservação da cultura, razões económicas, ou qualquer outra, mas a realidade é que daqui de cima não se distinguem fronteiras.

(foto retirada daqui)

Ainda é difícil imaginar um planeta com livre circulação de pessoas e mercadorias, apesar de em 97 se ter dado um pequeno passo com o acordo de Schengen. 

Apesar dos recuos, com as vitórias do Trump e do BREXIT, continuo a acreditar que a tendência continuará a ser a globalização e o desaparecimento das fronteiras.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Foi chão que já deu uva

A estabilidade enquanto argumento a favor da monarquia parece ter sido chão que já deu uva.

Em 2014 escrevi sobre a fragilidade dos argumentos a favor da monarquia (podes reler aqui), agora, com o Brexit, tudo indica que a monarquia de pouco tem valido para manter a unidade do Reino Unido...


Assim:
  1. Nicola Sturgeon, primeiro-ministro da Escócia anunciou há poucos dias mais um referendo para se tornar independente do Reino Unido(lê mais aqui);
  2. O partido Sinn Féin, da Irlanda do Norte, exigiu também um referendo para a independência do Reino Unido (lê mais aqui);
  3. E até no País de Gales se começam agora a ouvir vozes a defender um referendo pela independência, mas aqui apenas no caso da Escócia também sair (Lê mais aqui)
Espera-se pelas cenas dos próximos capítulos....


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Esta Europa não está pronta para um projeto Europeu

Quando leio notícias como a das reuniões apenas com os países fundadores da União Europeia para debater as consequências BREXIT, (lê mais aqui), não consigo deixa de me sentir incomodado. 

Mas somos uma união ou não? Porquê? Qual é a lógica de relegarem os restantes países para segundo plano?

Uma União que tinha como principal objetivo mitigar as diferenças existentes entre os diversos estados e evitar as guerras constantes que assolaram o continente europeu, parece estar mais preocupada em acentuar estas diferenças. 

Definitivamente esta não é a Europa do Adenauer, do Churchill, do Kohl, do d'Estaing, ou do Mitterrand. 

É incompreensível como é que em pleno século XXI continua a existir a necessidade de mostrar aos mais fracos quem manda, especialmente num momento em que a Europa é atacada e onde mais do que nunca deveria prevalecer a união (já escrevi sobre isto aqui).

Esta conversa das sanções é outra idiotice de uma Europa sem rumo. Ou seja, parece que esta Europa quer transmitir uma ideia simples: "Depois do BREXIT, vamos lá é garantir que aumenta o desconforto da opinião pública contra a União Europeia". 

Se o caminho natural do projeto europeu é o federalismo, onde o poder é partilhado, e onde largamos este estado de "chove mas não molha", os atuais cabecilhas desta coisa a que alguns chamam união estão mais preocupados em evitar que o Nigel Farage seja fotografado (já escrevi sobre o Brexit aqui).


Como é que é possível alguém pensar em sancionar qualquer país neste momento? (lê mais aqui)

Eu sei que esta coisa não é recente, já em 1919, no Tratado de Versalhes, a Europa e o Mundo se preocuparam mais em castigar, em sancionar, do que em resolver o problema. Mas acho que a história nos deveria ter ensinado que a hipocrisia não traz bom resultado.

É que se  houve 114 incumprimentodo pacto orçamental desde 1999, 11 vezes pela França, 10 vezes por Portugal, Polónia e Grécia, 8 pela Itália e 5 pela Alemanha, porque é que só agora se fala de sanções? O que é que esta malta pretende?

  (retirado da sic notícias, Comentário do Francisco Louçã)


Em Portugal, só há um beneficiado com isto, o Partido Socialista. Por isso, custa-me muito a acreditar que haja no PSD quem defenda, ou se sinta minimamente satisfeito com estas ameaças de sanções. A acontecer, esta será a desculpa que faltava para justificar a forma irresponsável com que o António Costa tem governado. 

Mesmo que não aconteça, a simples ameaça, na forma e momento em que está a ocorrer, indicia que a Europa pode estar perto do fim.


Esta Europa não está pronta para um projeto Europeu

Quando leio notícias como a das reuniões apenas com os países fundadores da União Europeia para debater as consequências BREXIT, (lê mais aqui), não consigo deixa de me sentir incomodado. 

Mas somos uma união ou não? Porquê? Qual é a lógica de relegarem os restantes países para segundo plano?

Uma União que tinha como principal objetivo mitigar as diferenças existentes entre os diversos estados e evitar as guerras constantes que assolaram o continente europeu, parece estar mais preocupada em acentuar estas diferenças. 

Definitivamente esta não é a Europa do Adenauer, do Churchill, do Kohl, do d'Estaing, ou do Mitterrand. 

É incompreensível como é que em pleno século XXI continua a existir a necessidade de mostrar aos mais fracos quem manda, especialmente num momento em que a Europa é atacada e onde mais do que nunca deveria prevalecer a união (já escrevi sobre isto aqui).

Esta conversa das sanções é outra idiotice de uma Europa sem rumo. Ou seja, parece que esta Europa quer transmitir uma ideia simples: "Depois do BREXIT, vamos lá é garantir que aumenta o desconforto da opinião pública contra a União Europeia". 

Se o caminho natural do projeto europeu é o federalismo, onde o poder é partilhado, e onde largamos este estado de "chove mas não molha", os atuais cabecilhas desta coisa a que alguns chamam união estão mais preocupados em evitar que o Nigel Farage seja fotografado (já escrevi sobre o Brexit aqui).


Como é que é possível alguém pensar em sancionar qualquer país neste momento? 

Eu sei que esta coisa não é recente, já em 1919, no Tratado de Versalhes, a Europa e o Mundo se preocuparam mais em castigar, em sancionar, do que em resolver o problema. Mas acho que a história nos deveria ter ensinado que a hipocrisia não traz bom resultado.

É que se  houve 114 incumprimentodo pacto orçamental desde 1999, 11 vezes pela França, 10 vezes por Portugal, Polónia e Grécia, 8 pela Itália e 5 pela Alemanha, porque é que só agora se fala de sanções? O que é que esta malta pretende?

  (retirado da sic notícias, Comentário do Francisco Louçã)


Em Portugal, só há um beneficiado com isto, o Partido Socialista. Por isso, custa-me muito a acreditar que haja no PSD quem defenda, ou se sinta minimamente satisfeito com estas ameaças de sanções. A acontecer, esta será a desculpa que faltava para justificar a forma irresponsável com que o António Costa tem governado. 

Mesmo que não aconteça, a simples ameaça, na forma e momento em que está a ocorrer, indicia que a Europa pode estar perto do fim.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Ilariante.... o preço do populismo #BorisJohnson #JohnKerry


É delicioso ver como reage o Boris Johnson, em frente ao John Kerry, quando é confrontado por um jornalista norte americano, sobre as mentiras que disse e sobre os comentários que fez sobre o Obama  e a Hillary. Divinal.... (reparem na cara do Kerry)

A introdução foi esta:
"Sr. Boris você tem uma história invulgarmente longa de enormes exageros e de mentiras descaradas, pergunto-me como pode o Sr Kerry e os outros acreditar no que diz considerando o seu historial?"

A dada altura o jornalista pergunta ainda:

"Sr. Boris você disse em tempos que o atual presidente dos EUA, Obama, trazia em si uma parte Queniana de "antipatia ansestral pelo império britânico", e descreveu a possível futura Presidente dos EUA, Hillary Clinton como uma "mulher de cabelo tingido de loiro e lábios aguçados, com um olhar azul de aço, semelhante ao de uma enfermeira sádica num hospital psiquiátrico". Retira estes comentários, ou pretende mantê-los no seu novo cargo, como uma espécie de indicador do tipo de diplomacia que vai implementar?"




sexta-feira, 24 de junho de 2016

O lado positivo da saída do reino Unido #Brexit #EstorilGlobal

Ao contrário do que parece ser a tendência da maioria, decidi olhar para o resultado do referendo britânico pelo lado positivo. 

Na realidade, esta relação entre a União Europeia e o Reino Unido era cansativa. Já pareciam aqueles casais que já dormem em quartos separados, mas que apenas continuam casados por causa dos miúdos. 

Se pensarmos bem, o Reino Unido nunca esteve 100% no projeto europeu. 

  • Rejeitou o sistema monetário europeu em 78. 
  • Em 1984 maribou-se para a solidariedade entre países e exigiu o retorno da diferença entre a sua contribuição para os fundos europeus e o que recebia em troca
  • Rejeitaram o fim das fronteiras com o acordo de Schengen em 1995.
  • Em 2002 rejeitou a moeda comum.
  • Em 2011 foi o único estado-membro  que se opôs ao reforço da disciplina fiscal para combater a crise económica.
  • E em 2012 recusou o Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária. 
Em suma.  O Reino Unido nunca quis um projeto europeu. Com o Reino Unido nunca poderia existir um projeto europeu.



Olhando para o lado positivo dos resultados do referendo, pelo menos as águas ficaram clarificadas. E se no futuro vier a existir nova intenção de reconciliação, certamente que já não haverá espaço para as birras a que habituaram a Europa.


E aqui entra outro ponto positivo. Com as votações na Escócia, na Irlanda do Norte e em Londres, com a divisão entre as gerações mais novas que os mais velhas (lê mais aqui), é fácil pensar que poderá ser reacendida a chama da contestação à monarquia e que se venha a tornar efetiva a independência da Escócia.

Em 2014 escrevi neste blogue (abre post aqui) as razões que fazem das monarquias sistemas injustos. Mas, ao tentar sobreviver politicamente, David Cameron pode mesmo ter garantido um lugar na história, o de Oliver Cromwell 2.0, 350 anos depois da Inglaterra ter sido uma República. David Cameron pode ter desencadeado o processo de implosão do Reino Unido tal como o conhecemos. 

E até pode ser que a Escócia decida aderir à UE.

O fim de uma monarquia e o início de uma República é sempre um acontecimento democrático positivo.

Resta saber se a União Europeia vai olhar de frente para o que aconteceu, tomar as decisões que tem de tomar e conseguir garantir que o projeto Europeu sai fortalecido deste processo.







Fui só eu que se lembrou do Chamberlain ao ouvir ontem o Nigek Farage? #Brexit #EstorilGlobal



O discurso do Nigel Farage onde efusivamente festejava a saída do Reino Unido da UE, fez lembra o Chamberlain em 1938, que acreditou ter garantido a "paz dos nossos tempos" ao assinar o acordo de Munique, dando aos nazis o controlo da Checoslováquia.





quinta-feira, 23 de junho de 2016

BREMAIN #EstorilConf

O populismo associado ao nacionalismo bacoco é uma formula que resulta. E a história demonstrou-o várias vezes, aliás foi uma formula que o Goebles implementou muito bem na Alemanha na primeira metade do século XX.

Seja qual for o resultado do referendo de hoje no Reino Unido, será um mau momento para a Europa. Resta saber se pode ser transformado numa oportunidade para aprofundar a relação com o Reino unido, caso a permanência ganhe. Ou se este será o momento zero do fim do sonho europeu, caso o Reino Unido saia.

Para os indecisos fica aqui um link onde podem tirar algumas dúvidas (Remain



terça-feira, 21 de junho de 2016

Brexit ou Bremain?

Esta quinta-feira vamos estar com o Estoril Institute for Global Dialogue a acompanhar em direto os resultados do referendo sobre o destino do Reino Unido na União Europeia. Esta é a primeira iniciativa com a chancela Conferências do Estoril intitulada “Diálogos das Conferências do Estoril”. 

Este evento, de acesso livre, terá início às 21h do dia 23 de Junho, no Auditório Maria Jesus Barroso da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais e contará com a presença de António Perez Metelo, Jorge Braga de Macedo, João Carlos Espada, Pedro Magalhães e Alexandra Abreu Loureiro no painel de intervenientes.