Mostrar mensagens com a etiqueta troika. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta troika. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Precisamos de agarrar o futuro enquanto é tempo


Excelente artigo do Pedro M A Duarte, indicando as ameaças e também as oportunidades que a transformação digital coloca à sociedade e à economia. Este fenómeno está a eliminar rapidamente milhares de empregos em mercados retalhistas e nas estruturas administrativas das empresas e do Estado.
Urge responder a este fenómeno oferecendo aos cidadãos novas soluções focadas no desenvolvimento de novas competências que lhes permitam aceder às novas necessidades do mercado de trabalho.
Esta realidade obriga os partidos e o governo a combaterem a cultura oportunista e imediatista que se instalou na vida política, em que alguns governam exclusivamente a pensar no presente (algumas notáveis exceções como o caso da Justiça e da PCM), e se faz uma oposição casuística, de exercícios de retórica "à bolina" sem uma palavra sobre o futuro, sem visão estratégica para o país (algumas notáveis exceções, não vou nomear deputados e dirigentes para não prejudicar ninguém, já que são uma minoria).
Um desabafo sobre o PSD, que foi o partido que liderou o país para uma saída limpa da troika mas ao contrário do CDS ficou preso no discurso dela.
Companheiros, "tirámos" a troika do país, falta ainda "tirarmos" a troika do partido.

Se o PSD não soltar o passado, com que mãos é que quer agarrar o futuro?



sábado, 23 de janeiro de 2016

Este é o governo que vai ainda além do governo que foi além da troika!


Este é o governo que vai ainda além do governo que foi além da troika!

Conheceu-se agora o esboço do orçamento de Estado para 2016. E, surpreendentemente, o “Tempo Novo”, afinal, é o tempo de ir além do governo que foi além da troika.

Vejamos:

Os combustíveis irão aumentar 5 cêntimos por litro! Ao mesmo tempo o IVA da eletricidade mantém-se nos 23% e os combustíveis têm um dos maiores aumentos de impostos de sempre. Ou seja, aquilo que é básico e fundamental, para todos, fica igual ou tem um aumento brutal de impostos. Por outro lado a “necessidade básica” de ir a um restaurante baixa 10% (mas só em julho...)!

Vamos então ver os tópicos resumidos:

A receita total do Estado passa de 42,9 para 43,8% do PIB, um aumento de 0,9%, considerando o aumento do PIB em 2,1% (como o governo prevê). Trocando por miúdos (sem maçar muito com contas): um aumento de impostos de 5.000 Milhões de euros (qualquer coisa como mais 500 euros por português)!

A despesa com remunerações dos funcionários públicos passa de 11,1% (em 2015) para 10,9% do PIB (em 2016), no entanto os salários brutos sobem 2,4%... Alguém explica como?

A despesa com prestações sociais baixa de 19 para 18,6% do PIB...

Subsídios baixam de 0,5 para 0,4% do PIB...
Exportações baixam de 5 para 4%...

É só ler aqui o esboço ... Se preferir rir um bocado, nesse caso veja ISTO !


Para terminar, em 2015 o FMI, CE, OCDE e BdP previram um aumento do PIB entre 1,6 e 1,7%, a previsão do Ministério da Finanças era 1,5%.

Para 2016 essas mesmas instituições prevêem um aumento do PIB entre 1,5 e 1,7%, mas a previsão do Ministério das Finanças é de 2,1%. Pensamento positivo faz bem à saúde!

Previsão para a economia portuguesa, constante do esboço do Orçamento de Estado para 2016

Ficou confundido? Afinal a austeridade acabou? Ou este governo quer ir ainda além do governo que foi além da troika? Não se preocupe em estar confundido, não é certamente o único...

Precisa refletir sobre a sua “confusão”? Fica aqui um conselho: Vá jantar fora! O jantar vai ficar 10% mais barato (isto se os restaurantes refletirem a baixa do IVA no consumidor)!
Mas vá a pé, porque, além de ser melhor para a saúde, com 5 cêntimos de aumento nos combustíveis, se o restaurante for longe, fica a perder...

Enquanto caminha, até ao restaurante, pense sempre que “Palavra dada é palavra honrada”.

Boa caminhada.

Caminhar (altamente recomendado pelos médicos) faz bem à saúde, e, pese embora o SNS tenha, segundo este governo, sido “devastado”, ficamos hoje a saber que o orçamento para a saúde vai descer (Mas os profissionais de saúde vão ganhar mais 2,1% que em 2015)! Se não acredita em milagres, evite problemas de saúde! Caminhe!

Artigo de Alberto Moura e Joana Barroso Calisto Valério.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Uma ideia para a Teresa Leal Coelho

É a oitava greve do metro.... a oitava. (vê mais aqui)

Palavra que não compreendo estes "organismos sindicais". Convocam greves para defender o serviço público, o mesmo serviço publico que hoje se recusam a prestar pela 8ª vez este ano, sim este ano.

8 dias de ordenado que os trabalhadores do metro não recebem, 8 dias que as estradas são invadidas por mais carros, 8 dias de atrasos a chegar ao trabalho, para quê?

O mais vergonhoso nisto é que os "organismos sindicais" sabem que não vão conseguir nada, a não ser ganhar mais um dia livre para compras de Natal.

Para além desta ideia de "defesa do serviço público" (lê mais aqui) ser um conceito vago e difuso onde tudo cabe, até as compras de Natal.

Todos somos contra a intervenção da TROIKA, todos somos contra a austeridade. Ninguém gosta de receber menos ao fim do mês, ninguém tira prazer em apertar o cinto, mas não nos podemos esquecer que houve uma razão para isto acontecer... 

Até porque não acredito que o PS tenha pedido a intervenção da TROIKA por prazer, mas por falta de alternativa...(lê mais aqui).



Estranho que a Teresa Leal Coelho ainda não tenha exigido a declaração de interesses aos sindicalistas, é que talvez aqui se encontre uma relação com significado estatístico entre o interesse dos partidos onde militam e a convocação de greves... 

Não acredito que a Teresa Leal Coelho perca o seu tempo com este blogue, mas pelo sim pelo não faço aqui uma declaração de interesses.

Não defendo a declaração de interesses de sindicalistas, uma vez que acredito que uma ideia idiota é sempre uma ideia idiota, seja ela aplicada a deputados ou a sindicalistas.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os portugueses gostavam de sair "à escocesa"!




Hoje o insurgente confronta António José Seguro com a incoerência das suas declarações de ontem, em que defendeu que Portugal deve ter um programa cautelar, e evitar uma "saída à Irlandesa".
Estas declarações surgem muito próximas de outras, feitas em Janeiro, em que Seguro exigia ao Governo que levasse o país para uma saída limpa.

Eu percebo que Seguro ande confuso. 

Não sabe se deve ser oponente ou proponente, não sabe se deve escolher Maria de Belém ou Francisco Assis para as europeias, não sabe se deve defender o Governo Sócrates ou repudiá-lo, não sabe se saímos à irlandesa, ou não.

Não sabe. 
Sobretudo porque Seguro quer o apoio do país, mas não sabe o que o país quer.
E o país é um pouco complexo, porque sabe o que quer, mas também sabe o que tem que fazer, e aí reside o dilema.
O problema todo é que o comum dos portugueses gostava mais de uma "saída à escocesa".
Seria épico ver o país todo unido, junto às partidas do Aeroporto da Portela , gritando que nem uns animais e ostentado as nossas "bochechas rosadinhas" aos credores, enquanto brindávamos a troika e C&A com um chorrilho de vitupérios altamente injuriosos.

Era bom não era? Quem é que não concorda com isto?

Afinal, Portugal já "mostrou o dedo" à comunidade internacional no passado, quando nos afirmámos "Orgulhosamente Sós", uma aventura que   custou quase 9 mil mortos, 25 mil deficientes, mais de 100 mil feridos e doentes e 140 mil vítimas de stresse pós traumático. 
Do ponto de vista económico, basta perguntarmos aos nossos avós como se viveu em Portugal nesses anos de guerra e sanções internacionais, nem precisamos de ir aos livros.

13 de Março, 1961
Os portugueses, como sangue que corre nas veias desta velha nação, sabem bem o preço duro que pagamos, quando tomamos atitudes que nos isolam da comunidade internacional.

A gritaria histérica, os discursos inflamados, as correntes patrióticas, nacionalistas, da esquerda à direita, são o prato do dia dos pseudo-intelectuais que pululam na comunicação social, mas não representam um caminho que os portugueses queiram seguir.

Por tudo isto o país, como criatura pragmática que é, também sabe o que tem que fazer para regressar a tempos mais prósperos, e reconhece que precisa dos credores, dos parceiros europeus, dos chineses, brasileiros, angolanos, enfim... todos serão poucos para vir investir em Portugal.

Curiosamente, a retórica de António José Seguro não lhe permite olhar em volta, e ver que os portugueses têm demonstrado, pelos seus actos, o que decidiram fazer a respeito desta crise.
E decidiram não desistir, decidiram que a sua maior vitória está em sobreviver esta tempestade, aguentando "o barco" e resistindo a todas as provas.

Só os intelectuais sonham com um climax de sacrifício heróico em nome de princípios assentes num lirismo que nunca vingou em lado nenhum.
O português, o "tuga" que a esquerda caviar corteja com um desprezo mal contido, esse escuta as suas palavras inflamadas no jornal da noite, e depois apaga a luz para dormir, porque amanhã é dia de resistir mais um bocadinho. 
Como um bom escocês.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"As eleições não se ganham, perdem-se" e ninguém sabe bem porquê...

2014 é o ano em que a TROIKA sai de Portugal. 

A TROIKA entrou em Portugal no seguimento do pedido de intervenção externa feito pelo primeiro-ministro da altura, em Abril de 2011 e ao que tudo indica vai sair a 17 de Maio de 2014… 3 anos depois. 

Desses tempos primordiais ficam as memórias, já vagas, de um governo que apenas tinha reservas financeiras para assegurar o funcionamento do sector público para meia dúzia de semanas, de um endividamento externo de 110%, e de um país incapaz de se financiar com taxas de juro a bater recordes (entre 7% e 9%). 

É difícil esquecer que o país estava na bancarrota. 



A moda na altura era dizer que o caminho era “cortar”, era “reformar”. A moda na altura era entendimento para tirar o país do buraco. Ao ponto do PS, PSD e CDS terem assinado um memorando de entendimento com a TROIKA que condicionaria os orçamentos e a governação para os 3 anos seguintes. 

Em troca conquistaríamos credibilidade nos mercados financeiros e, com alguma sorte, conseguiríamos implementar reformas estruturais que de outra forma nunca se conseguiriam realizar.

E assim chegámos a 2014.

Agora Portugal está a sair da recessão, a economia cresce, o PIB aumenta e o desemprego desce. Estamos com crescimento sólido nas exportações, com a produção Industrial a aumentar, ouvimos a OCDE a confirmar o cenário de retoma da economia portuguesa e temos os juros da dívida a descer. 

É assim que começámos o ano. Com um deficit em 2013 de 5%, ou seja, abaixo do limite a que Portugal estava obrigado.

No entanto, o ano de 2013 terminou com as sondagens a derreterem literalmente o governo. Se as eleições fossem em Dezembro passado o PSD e Pedro Passos Coelho perderiam as eleições.

Apesar de poder parecer estranho este fenómeno é bastante natural. 

Quanto pesa no orçamento de uma família 5% de deficit?

Até agora apenas falámos de números, indicadores e siglas que poucos sabem bem o que são. 

O efeito dos resultados positivos que Portugal tem conseguido ao nível das suas finanças não são imediatos. Os dados estatísticos que surgem na OCDE, no INE, ou no EUROSTAT demoram muito tempo a ter reflexo efetivo na vida dos portugueses. 

Até ao momento a única coisa que os portugueses têm sentido é o impacto da austeridade, em particular os reformados (que são pais e avós de muitos portugueses) e os funcionários públicos, também eles pais, filhos e familiares de muitos eleitores. Ou seja, para além de haver muita gente a ter razões para repudiar a austeridade, porque custa, há muito mais gente a ouvir familiares e amigos a explicar como a austeridade entrou na sua vida. E este efeito replicativo influencia a decisão de voto. A opinião da mãe reformada, do filho desempregado, ou da irmã professora influencia o voto. 

Se a isto associarmos o descrédito da classe política, podemos facilmente compreender os resultados das sondagens, que não dando maioria absoluta a ninguém anteveem uma derrota do partido do governo que conseguiu tirar Portugal da crise, abrindo espaço ao partido que mais contribuiu para termos sido sujeitos à austeridade (não esquecer que nos últimos 20 anos, o PS governou 14).

Esta aparente injustiça é mais comum na história da democracia do que poderíamos pensar. 

Um dos casos mais emblemáticos é o do próprio Churchill que depois de ter liderado o Reino Unido durante a II Grande Guerra perde as eleições nas vésperas da vitória, uma injustiça aparente, mas que tem razão de ser. 

Provavelmente o facto de considerar que não era preciso fazer campanha ajudou, mas provavelmente a maior razão foi a de não compreender o sentimento das pessoas e continuar a insistir na ideia do “sangue, trabalho árduo, suor e lágrimas”, tão verdade para o período da guerra, mas incompreensível para os ingleses que já olhavam para o pós-guerra e queriam mais do que isso. 

De longe querer comparar um ao outro, até porque não consta que o nosso PM nutra a mesma simpatia por whisky e por charutos, mas é um facto que Pedro Passos Coelho não é adepto de campanha e que mantém um discurso de esforço e sacrifício (que todos reconhecem como necessários, mas que já ninguém quer).

A verdade é que a última sondagem publicada (ver aqui) dá ao PSD um resultado inferior ao que o PS e José Sócrates tiveram no auge da contestação ao PS, razão pela qual apenas nos resta saber se a retoma e o reflexo dessa retoma, nas famílias portuguesas, será célere o suficiente para evitar mais uma injustiça.