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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Quando os momentos são difíceis há os que fogem e há os que ficam.

As bases dos partidos, quaisquer que eles sejam, têm uma conotação bastante negativa na opinião pública. No entanto, não deixa de ser estranho que esta ideia seja especialmente promovida por aqueles que sistematicamente utilizam as ditas bases para se elegerem e autopromoverem, ou por aqueles que num ou noutro momento da sua carreira política tenham procurado o seu apoio e não o tenham recebido.

Na realidade, as bases partidárias são aquilo que o nome indica, os militantes de base dos partidos, aqueles anónimos que defendem o seu partido em todos os momentos e que periodicamente se enganam nos líderes que escolhem. 

São aquela massa de apoiantes que têm porta-vozes, de quem as elites partidárias desdenham tratando por caciques. 

Ou seja, são aquele grupo de militantes que são muito úteis e que requerem a máxima atenção, sendo tratados como a última coca-cola fresca no deserto quando precisam deles, e que são uns bandidos quando ousam chamar à atenção que rei vai nu.  

Deixo aqui uma parte do Forum TSF de hoje, onde a candidata do PSD optou por não estar presente e tiveram de ser as ditas bases a defender o partido... como sempre.




sexta-feira, 31 de março de 2017

Nome de Código: #édosnossos

A sala é escura e o calor abafado mata por um golo de água que faça refrescar uma garganta seca.
- Esta feito – Disse ele com a certeza de quem assume o que faz.
- Mas são todos dos nossos?
- Sim. Está feito.
- Algum tem hipóteses de ganhar?
- Que diferença faz! Conseguimos o objectivo não conseguimos?
- É um facto. Mas como achas que o resto vai reagir se afastámos quem de certeza ganhava?
- Não interessa. Esta feito. O que importa não é ganhar, mas sim assegurar o futuro.
- Que futuro?
- O futuro, Bolas! O futuro…dos nossos caramba!
- O que pensas fazer no dia seguinte?
- Logo se vê, uma certeza é que vamos continuar. Foi por isso que colocámos lá os nossos. Esta feito.
No fundo da sala, alguém sussurra: - O que é feito de nós?
- Quem disse isso? – Retoma ele com um ar transtornado de quem já tinha encerrado o tema.
Aproximando-se da pequena luz que ilumina um pouco da sala, um jovem. O rosto desiludido transmite a pureza de quem acredita que o importante é estar ao serviço das pessoas pelo seu bem.
- Fui eu. Estava ao fundo da sala e ouvi a vossa conversa. Sei que nunca me pediram opinião e que nada conto para a vossa decisão. Mas o que é a verdade?
- A verdade!? Pergunto-te eu antes meu pequeno, o que é a realidade?

- A realidade? Já entendi…está feito. 

P.S - O diálogo é uma ficção, fraca muito fraca e qualquer semelhança com a realidade ou com a verdade é simples coincidência


quarta-feira, 29 de março de 2017

A escolha certa, sem dúvida.

No post que escrevi sobre a escolha da Teresa leal Coelho tive oportunidade de valorizar os seus atributos (lê mais aqui). Esqueci-me deste, é uma excelente comunicadora, sempre focada e com uma linguagem acessível a qualquer um.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Teresa Leal Coelho - A Bomba Atómica

Dita o bom senso que em período pré eleitoral haja alguma contenção nas palavras, especialmente para quem tem responsabilidades partidárias. O que não é o meu caso.

São processos tão complexos, que mexem com tantas sensibilidades, com as aspirações de tanta gente, que uma vez tomadas as decisões, a esmagadora maioria dos dirigentes partidários opta por esperar pelo resultado das eleições para tirar os dividendos políticos dos erros dos seus líderes.

Se há pouco tempo atrás o Fernando Medina era visto como um candidato fraco, sem notoriedade, um autarca incapaz de planear as obras na cidade, (lê mais aqui), e era visto como um presidente diminuído na legitimidade pela forma como o António Costa lhe deixou o poder nas mãos, hoje em dia as coisas já não são assim tão claras.  

Apesar disso, o CDS apostou pesado, apresentou a sua líder, Assunção Cristas, uma mulher que tem vindo a subir nas sondagens. Uma candidata que não perdeu tempo a posicionar-se como a candidata das famílias, a candidata que coloca a família à frente de tudo, a candidata que finalmente põe os problemas do setor financeiro na posição que merecem, uma candidata que preferiu assinar sem ler a resolução do BES a interromper as férias em família (lê mais aqui).

Mais estratégico, como sempre, Pedro Passos Coelho também jogou forte e acabou por trocar as voltas a todos.

Sendo Lisboa essencial para a estratégia autárquica do PSD, Pedro Passos Coelho deixou que as estruturas locais partidárias e a coordenação autárquica se convencessem que mandavam alguma coisa e foi gerindo o tempo como quis. Para poupar tempo, pediu ao José Eduardo Martins para escrever o programa eleitoral e ao mesmo tempo deixou que os nomes de Santana Lopes, Morais Sarmento, Jorge Moreira da Silva, José Eduardo Moniz, Pedro Reis, Carlos Barbosa, e Maria Luís Albuquerque (lê mais aqui) circulassem para assim garantir que ninguém descobria a sua estratégia.

Como sempre a estratégia estava acima de tudo.

Mesmo quando um milhar de lisboetas reconheceram o líder o PSD como o único capaz de ganhar as eleições em Lisboa e lhe pediu para dar a cara pela cidade capital do país, nem assim ele cedeu (lê mais aqui). Mas afinal tudo tinha um sentido.

A escolha do líder do PSD é Teresa Leal Coelho, e percebe-se porquê (lê mais aqui). Pedro Passos Coelho escolhe a única candidata capaz de condicionar tanto o posicionamento da Assunção Crista como o do Medina.

Se não vejamos:

No combate com Cristas, ambas são mulheres, licenciadas em Direito e ambas se posicionam como as candidatas da família. Aqui Teresa Leal Coelho evidencia-se pela forma como liderou a contestação à co-adoção por casais homossexuais, ao ponto de se ter demitido da liderança de bancada do PSD. A idade e a experiência profissional, tanto académica como pela diversidade (passagem pelo CCB e pela administração de Vale e Azevedo na SAD do Benfica) são pontos a favor da candidata anunciada por Pedro Passos Coelho.

No combate com Medina, a candidata do PSD consegue sair valorizada por ser mulher e por conseguir condicionar de forma muito eficaz a diversidade do percurso político do Medina. É que se este é nascido e criado no Porto e foi eleito deputado em 2011 pelo distrito de Viana do Castelo, a Teresa Leal Coelho foi eleita deputada, nesse mesmo ano, pelo distrito do Porto e na legislatura seguinte, em 2013, pelo distrito de Santarém. Como autarca, apesar de se fazer substituir a maior parte das vezes por ser deputada, a candidata do PSD tem ainda a seu favor o facto de ter sido eleita vereadora em Lisboa.

Com esta escolha, que apanhou as estruturas do PSD de surpresa (lê mais aqui), Pedro Passos Coelho mantém viva a sua estratégia e nisto há que reconhecer que Pedro Passos Coelho não brinca, apoiando alguém da sua inteira confiança, casada com o seu ex-chefe de gabinete (lê mais aqui), professora na Universidade Lusíada, onde Passos terminou o curso, e sua vice-presidente, uma apoiante incontestável...

Claramente Pedro Passos Coelho continua a preparar as próximas eleições legislativas.










terça-feira, 13 de dezembro de 2016

INCONFORMISMO e o PSD



Escrevo este texto na qualidade assumida de militante do PPD/PSD.

Por estes dias, em alguns meios do PPD/PSD, tentam vender o conformismo e a reverência como se o futuro estivesse já desenhado e decidido pelos que não acreditam (ou não querem acreditar) que se pode fazer melhor.

O PPD/PSD, que eu e a maioria dos militantes com quem tenho falado conhecemos, representa exatamente o contrário. Nos momentos difíceis foi o inconformismo que nos fez vencer.

Nos momentos em que o caminho não era claro foi a irreverência que nos fez encontrar soluções e vencer.


Para os que enchem a boca com o legado de Francisco Sá Carneiro, lembrem-se que não se faz a regeneração anulando as referências e os exemplos do passado. A isso chama-se invasão ou, para usar um termo mais moderado, colonização.

Hoje, no PPD/PSD, os que são irreverentes, que não se conformam e acreditam em soluções diferentes, correm o real risco de serem perseguidos, anulados, excluídos e até prejudicados.

Talvez até eu, tal como os irreverentes e os que não se conformam, já esteja no "livrinho" dos que têm de ser perseguidos, anulados, excluídos e até prejudicados.

Parecem querer conduzir o PSD, enquanto maior referência autárquica portuguesa, para um precipício onde só alguns, por sinal os que estão ao leme, parecem poder sobreviver.

Triste estratégia daqueles que apostam na derrota para poder vencer.

É urgente apelar aos melhores de entre nós (e temos muitos) para que combatam esta forma lenta de "eutanásia" a que alguns estão a submeter o PPD/PSD.

A aposta só pode ser na vitória. Não conhecemos qualquer outro resultado positivo. O inconformismo não nos pode deixar aceitar qualquer objetivo.

A bem do futuro do PSD e da Democracia...

sábado, 26 de novembro de 2016

A Lisboa do "Marquês" Medina

Na Lisboa de Fernando Medina é hoje mais do que evidente que as obras em curso, por toda a cidade e até algumas já realizadas, revelam prejuízos enormes para a circulação viária e pedonal dos que aqui vivem, trabalham, estudam e também dos que a visitam.



Para que se perceba bem a dimensão do transtorno da política “obreira” de Fernando Medina devemos tomar nota de que em execução atual temos as seguintes dez obras:
Eixo central (Av. Da República, o Saldanha, a zona de Picoas e a Av. Fontes Pereira de Melo), Rossio de Palma (freguesia de São Domingos de Benfica), Rua de Campolide, Largo da Igreja de Santa Isabel, Largo da Memória, Largo de Santos, Largo da Graça, Campo das Cebolas, Cais do Sodré e Terminal dos Cruzeiros.

Mas o “terror” que Medina nos impõe ainda vai aumentar pois até ao final do ano, deverão arrancar mais quatro obras de dimensão relativa:
No Largo de Alcântara, Largo do Calvário/Fontainhas, Alameda Manuel Ricardo Espírito Santo (mais conhecido como zona do Fonte Nova), Alameda das Linhas de Torres e Estrada do Lumiar.

Mas para que acabe em verdadeira “catástrofe” para a vida da cidade de Lisboa alerto para o facto de estarem ainda sem data prevista, mas já programadas, dezanove obras que são as seguintes:
Bairro de Santa Clara, Praça Viscondessa dos Olivais, Rua Padre Américo, Largo da Igreja de Benfica, Rua da Centieira, Av. da Igreja, Av. de Roma, Sete-Rios, Rua Atriz Palmira Bastos, Largo do Leão, Praça do Chile, Alto de São João, Largo do Rato, Largo Boa Hora à Ajuda, Largo do Rio Seco, Rua de Belém, Praça da Alegria, Praça da Figueira e Largo Conde Barão.

Ou seja, teremos trinta e três obras a massacrar os lisboetas e os seus visitantes que serão o legado – até agora inexistente – de Fernando Medina. Aliás já o anterior Vereador de António Costa em Lisboa, Arq. Fernando Nunes da Silva, que tinha o pelouro da Mobilidade assume que se trata de uma estratégia puramente eleitoral e que prejudica a cidade.

Nunes da Silva refere que “Trata-se de incompetência técnica”. E reforça afirmando que “Foi uma decisão política que se sobrepôs aos pareceres dos técnicos.” O professor do Instituto Superior Técnico e especialista em mobilidade, vai mais longe afirmando que “Não havia qualquer necessidade. É contraproducente fazer em simultâneo estas obras.”

Este é o caos atual no entanto e depois de termos todos estes dados importa refletir sobre uma questão muito relevante e que parece não ocupar o tempo dos que se debruçam sobre o futuro de Lisboa: Depois do incómodo diário das obras quais serão os constrangimentos e limitações futuras causadas pelas mesmas obras?

Ora, pensando bem nesta questão façamos aqui um exercício que nos pode ajudar a definir estes constrangimentos e limitações.

Fica claro para quem passa, por exemplo, no Eixo central que haverá uma maior dificuldade de circulação por consequência de uma diminuição de largura de vias, largura de ângulos das curvas e diminuição do comprimento e largura dos lugares de estacionamento.

Fica também claro para todos que a diminuição de lugares de estacionamento será uma realidade (aliás já assumida pela CML), transtornando assim, ainda mais, a vida de quem vive, trabalha e visita a cidade.

Outro dado que parece óbvio será o aumento do trânsito por consequência da diminuição das faixas de rodagem, em grande parte das obras lançadas e a lançar. Aliás uma das causas desta redução das faixas de rodagem tem relação direta com o excesso de oferta de ciclovias uma vez que em alguns casos o “iluminado” Fernando Medina colocará ciclovias, pasme-se, nos dois sentidos da via, reduzindo assim o espaço das faixas de rodagem.

Outra consequência desta deriva do “Marquês” Fernando Medina – esta uma das mais graves – será uma drenagem de superfície deficiente consequência do adiamento, para 2018, das principais medidas do plano de Drenagem, uma vez que a prioridade não é a segurança da cidade (nomeadamente no que toca a cheias), mas sim as obras para Lisboeta ver em ano de eleições.

Compete a muitos de nós lembrar a todos os que possam ter acesso à informação que veiculamos, que as obras de Lisboa não serão, todas elas, necessariamente muito melhores para a cidade. Além disso importa cada vez mais denunciar as fragilidades com que nos vamos deparar no futuro, devido às obras em Lisboa.

Por fim, para além do transtorno atual e dos constrangimentos futuros convém nunca deixar de relembrar que todas estas obras estão a ser financiadas com os impostos dos lisboetas e com empréstimos pedidos pela CML.

Por um lado, a famosa “taxa de proteção civil”, a “taxa turística” e outras tantas taxas que transformam os Lisboetas nuns dos Munícipes com um índice de carga fiscal dos mais elevados de Portugal. Por outro lado, o empréstimo de 230 Milhões de euros que endividará os lisboetas para os próximos 20 a 30 anos.

Convém denunciar e estar preparados, mas o mais importante é dar toda a informação possível para que os lisboetas, em consciência, escolham o que é melhor para Lisboa. Não creio que precisemos de mais nenhum “Marquês” (pretensão de Medina). Creio sim que precisamos de alguém que goste, realmente de Lisboa.


Assim vai Lisboa… Mal.