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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A Tolerância à Portuguesa

Os organizadores da Web Summit decidiram (des)convidar a Presidente da Frente Nacional Francesa, Marine Le Pen, e isso revelou a (in)tolerância de alguns politiqueiros e comentadores.


Embora não perceba o propósito de terem Le Pen como convidada numa Convenção onde a tecnologia e a comunicação associadas à Web são o propósito, verifiquei que a onda de choque nas redes sociais e nos média foi equivalente a um 7.5 na escala de Richter.

Os representantes da esquerda - a extrema e a tradicional - levantaram a voz e indignados apelaram aos mais básicos princípios do Totalitarismo. Silenciar, calar, banir, excluir, impedir e atacar.

Infelizmente assistimos a este exercício de demagogia e desonestidade intelectual por parte daqueles que, por ausência seletiva de memória, tentam branquear as visitas, em 1998 e 2000, do Ditador Cubano, Fidel Castro, recebido com honras de estado por António Guterres.

Falamos dos mesmos que esquecem a aprovação, pela esquerda parlamentar, de um voto de pesar pela morte de Fidel em 2016, onde referia que era “Uma referência incontornável que consagrou a sua vida aos ideais do progresso social e da paz”, pasme-se.

Será aceitável termos injeções de intolerância dos mesmos que, em silêncio e com vénias, viram José Sócrates receber em 2008 o seu “Bom amigo” Hugo Chavez, Presidente da Venezuela e um dos mais duros ditadores que perduraram no século XXI?

Mas ainda temos o paradigma da falta de bom senso que é omitirem a visão de Sócrates aos abracinhos a Khadafi, que foi mais um dos Ditadores que ainda resistiu no século XXI e que os moralistas desta esquerda (in)tolerante consideravam um parceiro fundamental para Portugal.

Fazem ruído mediático para rejeitar a participação de uma representante da extrema direita francesa num evento privado. Mas, em contrapartida, veneram alguns dos maiores ditadores da história considerando isso um sinal de elevação e maturidade intelectual. Que mau exemplo para a democracia.

Os que fazem este ruído nunca devem ter lido o Tratado sobre a tolerância, obra que François Marie Arouet, filósofo francês mais conhecido por Voltaire, publicou em 1763. Se tivermos como base a intolerância o que nos pode esperar não é a convivência pacífica entre indivíduos que pensam de forma diferente, mas sim a divergência permanente.

Não se vencem os adversários com intolerância, calando-os, banindo-os ou excluindo-os. Só se pode vencê-los, ouvindo-os e enfrentando-os em debate para assim desmascarar as suas contradições, expor as suas fragilidades, denunciar o seu populismo e arrasar os seus valores desvirtuados.

Não nutro nenhuma simpatia pelas ideias que defende Marine Le Pen. Mas nutro ainda menos simpatia pelos “donos” da moralidade, esses intolerantes que inundam o nosso panorama político e vagueiam pela nossa comunicação social, tentando fazer e influenciar a opinião.

O antídoto para combater estes demagogos é precisamente a tolerância com o recurso a outro princípio básico da democracia…permitir que usem da liberdade de expressão.

Como dizia Voltaire: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito a dizê-las.”


Artigo Publicado no Jornal Público de 18 de Agosto de 2018:



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Recomendação de leitura - Política de A a Z


Um livro fácil de ler e útil para todos os que de alguma forma têm curiosidade pela política. Uma explicação simples e muito bem conseguida, que recorre a exemplos reais para definir os diferentes conceitos associados à política.


domingo, 1 de janeiro de 2017

A Dura Realidade




Devemos desejar que 2017 seja melhor que os anos anteriores, isto para bem de todos nós e das futuras gerações.

Aqui fica uma foto que exemplifica a dura realidade da evolução da dívida pública portuguesa de 2008 a 2016. 

Isto não se trata de uma opinião. São factos! 


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Contranatura




É um advérbio que significa algo que se opõe ou contraria as leis naturais; que está em contradição com as leis da natureza.

O exemplo de coligação contranatura na "gíria" futebolística...

É colocar o Belenenses a jogar contra o Porto, mas a usar o equipamento do Benfica.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Carta Aberta a Fernando Medina



Partilho convosco a transcrição de uma carta de um Lisboeta, que recebi por e-mail, dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa...



  
“Nos termos da Lei 83/95, e do artigo 52 da Constituição, os subscritores incitam o actual Presidente da Câmara de Lisboa a "promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infracções contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida, a preservação do ambiente e do património cultural". Não é isso o que tem acontecido desde maio de 2016, momento em que se iniciaram um conjunto diversificado de obras ao mesmo tempo, nos mais diferentes locais, causando o caos na circulação rodoviária da cidade. Vemos que a cidade vive hoje uma situação caótica e absurda de obras sem sentido, ou que não têm sentido definido, ao sabor da cabeça de alguns vereadores da Câmara, que assim vão lentamente sabotando a vida das pessoas que precisam de trabalhar. Somos cidadãos preocupados com o que se está a passar de forma incompreensível e vimos assim lançar um alerta ao Presidente da Camara que ninguém elegeu como tal, mas que agora é Presidente e ‘governa’ a cidade sem critério.

Temos estado sob um ataque cerrado a todos os que utilizam viatura para as suas deslocações já que os transportes públicos continuam a funcionar mal. Estamos perante um estado de emergência não declarado contra os lisboetas e perante a surpresa deste plano megalómano de obras que incluía inicialmente também a famigerada arborização da Av. General Norton de Matos (2ª.Circular), felizmente cancelada. Dizem-nos que isto foi obra de paisagistas e ambientalistas, sem consulta dos especialistas da mobilidade geral, mas com a aprovação e o apoio do Presidente Medina. A verdade é que as obras continuam por todo o lado e já excederam os prazos de conclusão, tornando a época de natal num calvário.

Não são estas obras dispensáveis? São todas elas úteis?? Trata-se de resolver problemas essenciais, relativos a uma emergência pública? Ou está em causa uma infra-estrutura vital, a instalar ou reparar (água, gás, eletricidade, fibra ótica, etc.)? Na verdade, nada disso. O que aparece como justificação primordial para a quase totalidade dos trabalhos é a criação de "passeios mais amplos e confortáveis" e "mais ciclovias". E, como se pode começar a ver, passaremos a ter ruas mais estreitas, em que a circulação de veículos será mais difícil, mais lenta, mais arriscada. O trânsito vai fluir menos e o consumo de combustíveis aumentar.

O caso mais exemplar é o chamado Eixo-Central e em especial o da Avenida da República.
Será que já viu bem o que a Câmara de Lisboa anda a fazer nessa Avenida?
Suprimiu inúmeros lugares de estacionamento. Onde havia lugares em número razoável, permitindo o estacionamento em espinha oblíqua, de um lado e doutro da via, encontramos agora uma verdadeira aberração.

Vejamos então:
- a via de circulação de duas faixas deu lugar a um estreito ‘carreiro’ com uma única faixa;
- ainda em Entrecampos o passeio junto ao muro da antiga Feira Popular, que já era bastante largo, e onde se situam as entradas para a passagem subterrânea e para o METRO, passou a ser ainda mais largo sem que se veja necessidade para tal, a menos que queiram pôr um parque de bicicletas ou algo do género...
- o estacionamento no sentido do Saldanha passou a ser paralelo (em linha), o que, para além de reduzir o número de lugares disponíveis, torna mais demorado o acto de estacionar, exigindo uma manobra de marcha-atrás ; e como só há uma faixa de circulação, quem vem atrás que espere ... os táxis já não querem circular nessa ultra estreita faixa;
- não foram previstos ‘refúgios’ para largada e tomada de passageiros à porta dos hotéis, nem para descargas de medicamentos junto às farmácias e, pior, no caso de clinicas que recebem doentes o local reservado para paragem das ambulâncias é do outro lado da via e não junto ao passeio…. uma completa aberração…
- como é que as ‘novas’ laterais da Avenida da Republica vão permitir agora a passagem de carros dos bombeiros quando um carro normal quase não tem espaço para circular.??? O Regimento de Sapadores Bombeiros fez uma vistoria de segurança e aprovou este modelo??

É inadmissível que as faixas laterais da Av. da República tenham sido transformadas em autênticas veredas de uma aldeia do interior. Numa cidade de sete colinas não se pode generalizar a ciclovia. Nem a saúde pública, nem o tempo calculado de viagem, nem a mobilidade exigida, nem a configuração da cidade o aconselham. Alargaram-se passeios estupidamente, construíram-se ciclovias em todos os lados, pensando que o povo trabalhador em Lisboa poderá ir de bicicleta para o trabalho, e reduziu-se estupida e drasticamente os espaços de circulação e estacionamento. Absurdo e inacreditável!

Não é só criando corredores ciclo-pedonais ou plantando nova relva e alguns arbustos nos espaços subtraídos à circulação viária que se melhora o ambiente.  O ambiente somos todos nós e isso inclui, além dos peões, todos os que não dispõem de viaturas oficiais para, com ou sem motorista privativo, poderem aceder a corredores especiais de circulação e a parques de estacionamento privativos dessas entidades, mas pagos por todos nós.

Há muitos anos tivemos em Lisboa um Presidente eleito, Krus Abecassis, que também decidia só pela sua cabeça e concordou com a demolição do emblemático edifício do Monumental para aí se construir um ‘mamarracho’ vulgaríssimo de gosto duvidoso; também mandou colocar uns bancos de cimento monstruosos no meio da Rua da Carmo, não obstante os alertas para a dificuldade que originava na passagem dos carros de bombeiros, como ficou dramaticamente demonstrado durante o incêndio de 1988... o terrível incêndio do Chiado agravado pela impossibilidade verificada de passagem dos carros de bombeiros mais pesados na Rua do Carmo, situação que deve agora ser insistentemente recordada.

Tudo o que tem sido feito em matéria de trânsito é um primado de incompetência e de total falta de consideração pelos utentes! Não há a mínima consideração pelos munícipes que votam e vivem na cidade. Muitas das obras são de gosto duvidoso e utilidade nula ou mesmo negativa (tornam a situação pior do que estava) …e sempre feitas à custa do dinheiro dos contribuintes…embora a maioria não concorde com estas obras.

Do pior centralismo que já se viu! Os ‘senhores’ da Câmara detestam que os munícipes tenham liberdade de escolha e outorgam-se o direito de escolher por nós. Porque se acham donos da coisa pública, atitude típica dos seguidores dos princípios da ‘velha esquerda’. Estes ‘monopolistas’ das ideias autárquicas prejudicam seriamente a vida a todos os utentes das vias públicas, desrespeitando completamente aquilo que já existia (e as razões por que existia) e sem qualquer justificação nem demonstração do mérito as mudanças que se propõem fazer e seus custos, e mesmo assim pretendem ir a votos nas próximas eleições. Ignorar as queixas dos utentes são um sério sintoma de autismo, próprio de quem já se deixou encantar pelo poder, seja ele eterno ou furtivo.

Os partidos da dita oposição e o ACP têm aqui (em Lisboa) muita matéria para mostrar serviço, sem esquecer o espaço de manobra do atual PR e seus afetos. Estes ‘senhores’, eleitos ou não, estão no poder, chegaram à administração do município e acham que são donos da cidade para fazer o que bem entendem, regra geral em prejuízo da vida das pessoas... Não basta ‘reclamar’, é preciso ‘não’ votar neles nas próximas autárquicas. É necessário denunciar vigorosamente todas estas aberrações e estimular as candidaturas daqueles que se comprometam a reverter esta situação.

 Em complemento, há que denunciar também outra enorme aberração, que é a recente proibição de circulação no bairro entre a Rua Artilharia 1 e a Rua Castilho! Foram colocados sinais de transito proibido, exceto a ‘transito local’ que restringem a ‘entrada’ no bairro onde há um Liceu nacional e um grande Hotel!! Uma malha de ruas quadrículas deveria servir para desembaraçar o transito...! Esta gente que decide na CML detesta a liberdade de escolha, até do trajeto de um utente da via!!!”


Assim vai Lisboa…Mal!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

INCONFORMISMO e o PSD



Escrevo este texto na qualidade assumida de militante do PPD/PSD.

Por estes dias, em alguns meios do PPD/PSD, tentam vender o conformismo e a reverência como se o futuro estivesse já desenhado e decidido pelos que não acreditam (ou não querem acreditar) que se pode fazer melhor.

O PPD/PSD, que eu e a maioria dos militantes com quem tenho falado conhecemos, representa exatamente o contrário. Nos momentos difíceis foi o inconformismo que nos fez vencer.

Nos momentos em que o caminho não era claro foi a irreverência que nos fez encontrar soluções e vencer.


Para os que enchem a boca com o legado de Francisco Sá Carneiro, lembrem-se que não se faz a regeneração anulando as referências e os exemplos do passado. A isso chama-se invasão ou, para usar um termo mais moderado, colonização.

Hoje, no PPD/PSD, os que são irreverentes, que não se conformam e acreditam em soluções diferentes, correm o real risco de serem perseguidos, anulados, excluídos e até prejudicados.

Talvez até eu, tal como os irreverentes e os que não se conformam, já esteja no "livrinho" dos que têm de ser perseguidos, anulados, excluídos e até prejudicados.

Parecem querer conduzir o PSD, enquanto maior referência autárquica portuguesa, para um precipício onde só alguns, por sinal os que estão ao leme, parecem poder sobreviver.

Triste estratégia daqueles que apostam na derrota para poder vencer.

É urgente apelar aos melhores de entre nós (e temos muitos) para que combatam esta forma lenta de "eutanásia" a que alguns estão a submeter o PPD/PSD.

A aposta só pode ser na vitória. Não conhecemos qualquer outro resultado positivo. O inconformismo não nos pode deixar aceitar qualquer objetivo.

A bem do futuro do PSD e da Democracia...

sábado, 26 de novembro de 2016

A Lisboa do "Marquês" Medina

Na Lisboa de Fernando Medina é hoje mais do que evidente que as obras em curso, por toda a cidade e até algumas já realizadas, revelam prejuízos enormes para a circulação viária e pedonal dos que aqui vivem, trabalham, estudam e também dos que a visitam.



Para que se perceba bem a dimensão do transtorno da política “obreira” de Fernando Medina devemos tomar nota de que em execução atual temos as seguintes dez obras:
Eixo central (Av. Da República, o Saldanha, a zona de Picoas e a Av. Fontes Pereira de Melo), Rossio de Palma (freguesia de São Domingos de Benfica), Rua de Campolide, Largo da Igreja de Santa Isabel, Largo da Memória, Largo de Santos, Largo da Graça, Campo das Cebolas, Cais do Sodré e Terminal dos Cruzeiros.

Mas o “terror” que Medina nos impõe ainda vai aumentar pois até ao final do ano, deverão arrancar mais quatro obras de dimensão relativa:
No Largo de Alcântara, Largo do Calvário/Fontainhas, Alameda Manuel Ricardo Espírito Santo (mais conhecido como zona do Fonte Nova), Alameda das Linhas de Torres e Estrada do Lumiar.

Mas para que acabe em verdadeira “catástrofe” para a vida da cidade de Lisboa alerto para o facto de estarem ainda sem data prevista, mas já programadas, dezanove obras que são as seguintes:
Bairro de Santa Clara, Praça Viscondessa dos Olivais, Rua Padre Américo, Largo da Igreja de Benfica, Rua da Centieira, Av. da Igreja, Av. de Roma, Sete-Rios, Rua Atriz Palmira Bastos, Largo do Leão, Praça do Chile, Alto de São João, Largo do Rato, Largo Boa Hora à Ajuda, Largo do Rio Seco, Rua de Belém, Praça da Alegria, Praça da Figueira e Largo Conde Barão.

Ou seja, teremos trinta e três obras a massacrar os lisboetas e os seus visitantes que serão o legado – até agora inexistente – de Fernando Medina. Aliás já o anterior Vereador de António Costa em Lisboa, Arq. Fernando Nunes da Silva, que tinha o pelouro da Mobilidade assume que se trata de uma estratégia puramente eleitoral e que prejudica a cidade.

Nunes da Silva refere que “Trata-se de incompetência técnica”. E reforça afirmando que “Foi uma decisão política que se sobrepôs aos pareceres dos técnicos.” O professor do Instituto Superior Técnico e especialista em mobilidade, vai mais longe afirmando que “Não havia qualquer necessidade. É contraproducente fazer em simultâneo estas obras.”

Este é o caos atual no entanto e depois de termos todos estes dados importa refletir sobre uma questão muito relevante e que parece não ocupar o tempo dos que se debruçam sobre o futuro de Lisboa: Depois do incómodo diário das obras quais serão os constrangimentos e limitações futuras causadas pelas mesmas obras?

Ora, pensando bem nesta questão façamos aqui um exercício que nos pode ajudar a definir estes constrangimentos e limitações.

Fica claro para quem passa, por exemplo, no Eixo central que haverá uma maior dificuldade de circulação por consequência de uma diminuição de largura de vias, largura de ângulos das curvas e diminuição do comprimento e largura dos lugares de estacionamento.

Fica também claro para todos que a diminuição de lugares de estacionamento será uma realidade (aliás já assumida pela CML), transtornando assim, ainda mais, a vida de quem vive, trabalha e visita a cidade.

Outro dado que parece óbvio será o aumento do trânsito por consequência da diminuição das faixas de rodagem, em grande parte das obras lançadas e a lançar. Aliás uma das causas desta redução das faixas de rodagem tem relação direta com o excesso de oferta de ciclovias uma vez que em alguns casos o “iluminado” Fernando Medina colocará ciclovias, pasme-se, nos dois sentidos da via, reduzindo assim o espaço das faixas de rodagem.

Outra consequência desta deriva do “Marquês” Fernando Medina – esta uma das mais graves – será uma drenagem de superfície deficiente consequência do adiamento, para 2018, das principais medidas do plano de Drenagem, uma vez que a prioridade não é a segurança da cidade (nomeadamente no que toca a cheias), mas sim as obras para Lisboeta ver em ano de eleições.

Compete a muitos de nós lembrar a todos os que possam ter acesso à informação que veiculamos, que as obras de Lisboa não serão, todas elas, necessariamente muito melhores para a cidade. Além disso importa cada vez mais denunciar as fragilidades com que nos vamos deparar no futuro, devido às obras em Lisboa.

Por fim, para além do transtorno atual e dos constrangimentos futuros convém nunca deixar de relembrar que todas estas obras estão a ser financiadas com os impostos dos lisboetas e com empréstimos pedidos pela CML.

Por um lado, a famosa “taxa de proteção civil”, a “taxa turística” e outras tantas taxas que transformam os Lisboetas nuns dos Munícipes com um índice de carga fiscal dos mais elevados de Portugal. Por outro lado, o empréstimo de 230 Milhões de euros que endividará os lisboetas para os próximos 20 a 30 anos.

Convém denunciar e estar preparados, mas o mais importante é dar toda a informação possível para que os lisboetas, em consciência, escolham o que é melhor para Lisboa. Não creio que precisemos de mais nenhum “Marquês” (pretensão de Medina). Creio sim que precisamos de alguém que goste, realmente de Lisboa.


Assim vai Lisboa… Mal.



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Lisboa...

...





Lisboa está na “moda” e mais inundada de turistas do que alguma vez estivera. A barafunda na cidade, o ano inteiro, não engana. Os rankings e os números comprovam-no. Em 2015, Lisboa teve 5,2 milhões hóspedes. Mas tudo tem um preço e também esta “moda”, que para alguns é positiva, tem um custo muito alto para outros que a consideram menos positiva. E esses são os Lisboetas que vivem, de facto, na cidade.

Os lisboetas não são, concerteza, contra o turismo. Aliás antes deste enorme fluxo de turistas, Lisboa e principalmente a baixa da cidade, estava abandonada, portanto é concerteza um fator positivo e foi preponderante para a revitalização da Baixa Pombalina o Turismo. É evidente que a cidade melhorou.

O problema não é o Turismo, mas sim a forma como tem sido promovido e essencialmente como tem sido gerido, tanto pela Autarquia como pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL). A falta de regras claras para as atividades económicas associadas ao turismo tem sido um dos grandes fatores de desestabilização das gentes que vive em Lisboa.

Posso dar alguns exemplos, como a estratégia de promoção de alojamento local sem limites, que transformou a baixa lisboeta num mega Hotel; a proliferação dos tuk-tuk que andam pela zona da baixa e bairros históricos promovendo o ruído e poluição, até recentemente, sem limite horário (prejudicando assim os Lisboetas); a ausência de fiscalização de cafés e bares que promovem também o ruido e têm como chamariz a promoção do excesso de álcool nas ruas, como é o caso do Bairro Alto e algumas zonas da freguesia da Estrela. Estes são só alguns exemplos.

Quem sofre com tudo isto e que tem sido passado para segundo plano é o(a) lisboeta que ainda consegue viver na capital. A política da Câmara Municipal de Lisboa e de Fernando Medina aposta na exclusão dos lisboetas da sua cidade em detrimento de turistas que aqui vêm de quando em vez.

Quando deveria apostar em força no repovoamento da cidade, Fernando Medina promove a descaraterização da cidade expulsando os lisboetas, que são substituídos por turistas, que por via do alojamento local, nomeadamente os hostels e hotéis, estão a ocupar tudo. Ou seja, falta equilíbrio na política de promoção do turismo e na politica de repovoamento da cidade.

Mas é natural que não exista qualquer equilíbrio racional pois Fernando Medina não parece ter uma visão integrada para a cidade. Basta ver como, por motivos evidentemente eleitorais, Medina colocou a cidade em estado de sítio com obras por todo o lado, em simultâneo, demonstrando um enorme desprezo, uma vez mais, pelos Lisboetas.

A descaracterização a que a Câmara Municipal de Lisboa e a ATL têm obrigado Lisboa, está a levar a uma evidente substituição dos lisboetas por turistas ou moradores temporários que não pretendem fixar-se na cidade e por isso não pretendem fazer parte da vida de Lisboa, da sua valorização como referência de qualidade de vida e muito menos do seu eterno e patrimonial “bairrismo”.

O “patrono” de Fernando Medina, António Costa, dizia enquanto Presidente da CML que, queria devolver a cidade aos Lisboetas, no entanto António Costa e Fernando Medina têm feito exatamente o contrário. Lisboa perde a cada dia, mais e mais lisboetas e com isso os nossos bairros e freguesias perdem mais vida própria. Naturalmente que temos de ter em conta que o turismo favorece a economia local, mas este turismo massificado e agressivo não consome no comércio tradicional, portanto não o estimula. Pelo contrário, arrasa-o e promove cada vez mais as grandes cadeias de fast-food, as grandes superfícies comerciais, etc.

A política adotada nos últimos anos não só está a expulsar os lisboetas para a periferia com tem tido um efeito perverso no mercado imobiliário transformando o centro da cidade num dos mais caros por m2 da Europa, promovendo a especulação imobiliária, o que obriga a maioria dos lisboetas a procurar casa fora da sua cidade.

Ora desta forma, o cidadão lisboeta médio está longe de tudo aquilo de que poderia usufruir em Lisboa, desde serviços, lazer, etc. Mas parece que esta preocupação não ocupa o tempo do Presidente da Câmara Municipal que em vez de gerir a cidade de forma a equilibrar a convivência entre quem aqui vive e quem visita, ao contrário, está a favorecer e trabalhar, aparentemente, para os turistas.

O afastamento dos lisboetas e a descaracterização da cidade é tão gritante que basta vermos a evolução do nosso comércio local e tradicional. Onde tínhamos uma livraria do bairro temos mais um bar; onde tínhamos aquela sapataria que nos garantia o atendimento generoso e atencioso, além de bons preços, temos mais um bar; a famosa drogaria lá do bairro que tudo tinha, passou a restaurante Gourmet; a oficina que ficava no prédio de esquina e sempre nos desenrascava é hoje a receção de um Hostel onde se fala mais Inglês, Holandês e Alemão do que Português. Ora tudo está a ser substituído por comércio que não corresponde às necessidades dos lisboetas, mas corresponde apenas e só às necessidades dos turistas.

Ora de que serve uma cidade – atualmente em obras por todo o lado – com novo comércio, novos espaços de lazer, passeios renovados (com dimensões dignas de uma metrópole Árabe), etc., se é apenas para turista ver/utilizar?

O Lisboeta médio foi empurrado para fora da cidade nos últimos anos e com isso a cidade tem vindo a perder população fixa, no entanto, diariamente mais do que duplica a população de Lisboa com as pessoas que se deslocam em trabalho ou em visita. Será que poderemos chamar a Lisboa um bom exemplo?

Os Lisboetas que hoje preenchem a periferia da cidade, engrossando assim as fronteiras de Lisboa, apenas podem visitar a sua cidade como se de estranhos se tratassem. A provar esta tese estão os números. Nos últimos anos a população de Lisboa passou de cerca de 800 mil moradores para apenas 500 mil. Enquanto, por exemplo, Berlim e Barcelona estão a impor restrições ao alojamento local e a estimular políticas de repovoamento, Lisboa está a tomar medidas no sentido oposto.

Com a aposta de Fernando Medina e de António Costa no Turismo desenfreado, os papéis dos lisboetas invertem-se. Hoje os que sempre viveram em Lisboa são os “turistas” na sua própria cidade, cada vez mais despovoada e descaracterizada.

Lisboa parece ir num caminho em que perde a cada dia a sua identidade, as suas gentes, o seu bairrismo, o seu sangue quente e acolhedor e principalmente a sua alegria. 

Assim vai Lisboa… Mal!

sábado, 5 de novembro de 2016

É difícil explicar, mas acontece...

Em 2010 Governava o PS de José Sócrates com António Costa como n.º 2 do Partido Socialista. Nesse ano (como comprova o gráfico da primeira foto) foi atingido um nível de dívida pública de mais de 25.000 Milhões de Euros.

Com a entrada do PSD para o Governo em 2011, a dívida pública desceu todos os anos. O PSD deixou o Governo em 2015 com a dívida pública em pouco mais de 5.000 Milhões de Euros, conseguindo reduzir a dívida criada pelo PS em cerca de 20.000 Milhões de Euros. Uma descida de 80% da dívida pública.




O Melhor é que já em 2016 com a Geringonça a Governar a dívida pública passou para mais de 10.000 Milhões de Euros. 

É portanto difícil explicar os dados do Barómetro de Novembro que dão uma queda ao PSD dos 35,3% para os 28,7% (foto Abaixo). 

Importa de facto perceber o que está de errado na mensagem que o PSD está a passar para os portugueses, pois com a evidência aqui demonstrada (e existem muitas mais) este cenário nunca se poderia pôr. Fica aqui a nota para reflexão de todos, mas principalmente para reflexão da atual liderança do PSD.




terça-feira, 30 de agosto de 2016

Pior cego é o que não quer ver



Chegamos ao final de agosto e temos a noticia de que a dívida pública portuguesa subiu para os 131,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre, acima dos 128,9% registados no final de 2015, segundo dados do Banco de Portugal. Estes dados são também confirmados pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), o que não deixa margem para qualquer dúvida.

A dívida pública estimada no primeiro semestre terá atingido, em termos absolutos, os 240.100 milhões de euros, um acréscimo de 8700 milhões de euros face ao final de 2015.

No Programa de Estabilidade 2016-2020, o atual Governo comprometeu-se com uma redução da dívida pública para os 124,8% este ano, um objetivo que está 6,8% abaixo do valor registado na primeira metade do ano. Também quanto ao crescimento, a previsão do Governo que era de 1,6%, falhou redondamente atingindo apenas 0,8%.

Para agravar o cenário macroeconómico temos a agência canadiana DBRS a alertar para a possibilidade de rever o “rating” de Portugal, o que colocaria o país numa situação muito fragilizada. Recordo que uma descida do “rating” para o nível “lixo”, por parte da DBRS, fará automaticamente com que as obrigações soberanas de Portugal deixem de ser elegíveis para a compra do Banco Central Europeu (BCE). Ou seja, deixamos de ter acesso ao financiamento, por via da aquisição de dívida soberana que o BCE vem fazendo. 

Começa a ficar claro que a estratégia defendida pelo atual Governo não está a dar resultado. A inversão de reformas chave, a implementação de medidas que aumentam a despesa (sem a respetiva compensação de acréscimo de receita), o estímulo ao consumo como solução (falhada) para a revitalização da economia (que tem aumentado o endividamento das famílias), o aumento de impostos indiretos (exemplo dos combustíveis), as alterações ao IMI que agravam ainda mais a tributação, a manutenção da taxa do IRC (prejudicando as empresas e retraindo o investimento privado), consubstanciam, factualmente, o fracasso da atual política económica e financeira do Governo.

Por mais que venham os partidos que suportam o Governo referir que estamos no caminho certo, a inevitabilidade dos resultados negativos não deixa margem para populismo barato. Até as melhores previsões sobre a dívida pública do FMI e OCDE de 128,9% do PIB e a previsão da Comissão Europeia de 126% do PIB foram já ultrapassadas e ainda vamos a meio do ano.

António Costa estará a preparar uma estratégia para encarar a negociação do Orçamento de Estado de 2017, que poderá culminar na demissão do Governo, garantindo assim eleições antecipadas enquanto ainda goza de alguma popularidade.

Catarina Martins, por seu turno, já está a ensaiar o discurso de rutura e revela-nos agora (pasme-se o descaramento) que se arrepende todos os dias de fazer parte da geringonça. Também Jerónimo de Sousa já veio avisar que dificilmente aprovará um Orçamento que traga mais constrangimentos “à classe trabalhadora”.

Ora, só falta mesmo uma oposição que comprove aquilo que as evidências têm feito. A forma envergonhada como se apresentam alternativas são demasiado confrangedoras. Não bastam as evidências de que o anterior Governo estava a garantir mais estabilidade económica, financeira e (a médio prazo) social. É necessário apresentar de novo um projeto alternativo, adaptado às novas realidades e sem receio de algumas mudanças.

Este é o tempo de começar a preparar uma alternativa credível para apresentar aos portugueses em contraponto à atual política da geringonça. Depois dependerá da escolha dos eleitores.
Diz o ditado popular que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Para reforçar este sábio ditado deixo aqui uma reflexão que define claramente a gravidade da situação atual.


Com este Governo a dívida pública cresce 1,4 milhões de euros por hora e 33,6 milhões por dia. Só não vê quem não quer.


Artigo publicado no Jornal Económico OJE:

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

As palavras de Marcelo: "Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie..."

Depois de visionar os debates da presente campanha eleitoral, em que se busca um presidente para a República, revisitei, nas minhas memórias mais negras, a "gestão" que a classe política tem aplicado ao País nos últimos 42 anos. Uma gestão sempre marcada pelo despesismo, pelos investimentos ruinosos, pelas despesas debochadas, pela bancarrota, pelos naufrágios financeiros, pelas intervenções externas, pelo desnorte político, pela amnésia crónica do eleitorado e pelos escândalos de corrupção de que Sócrates é o principal arauto.
 
Foram, sem dúvida, lembranças sombrias que normalmente surgem estimuladas em períodos de disputa eleitoral e que mais uma vez me assolaram o pensamento. Reconheço que facilitei o ressurgimento dos sintomas, cheguei ao ponto de acompanhar algumas das inúmeras declarações de candidatos e putativos candidatos, sem esquecer os pitorescos tempos de antena do Tino de Rãs, facilitados pela nossa democrática e independentíssima comunicação social.
 
É verdade, já lá vão quase 42 anos, desde que Marcelo Caetano a propósito do 25 de Abril disse: "Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava no caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa."
 
"Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes da República.”
 
Será? Seja como for dá que pensar!