segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Regressão civilizacional

Tive a sorte, ou o azar, de ter nascido ainda na dita geração X, poucos anos antes da Y, dos millenials. O que na prática quer dizer que ainda me lembro de ver notícias sobre o IRA, sobre a ETA, sobre a União Soviética, e de assistir às notícias da queda do muro de Berlim.

Naquela altura, com 13 anos, lembro-me do orgulho que se sentia com a evolução que o mundo estava a ter. Aliás, ainda três anos antes tínhamos aderido à CEE, hoje União Europeia, o que representava finalmente a entrada de Portugal no mundo desenvolvido.

Na realidade, com alguma ingenuidade à mistura, não deixava de ter razão: aquele tempo foi um tempo de saltos civilizacionais muito positivos. Durante os anos seguintes o comunismo faliu, o Pacto de Varsóvia dissolveu-se e muitos países da antiga Europa de Leste deram os primeiros passos em democracia. 

Mesmo a China, após o massacre dos estudantes em Tiananmen, é verdade, começou a abrir-se ao Ocidente. A eterna luta nacional pela independência de Timor conseguiu chegar a bom porto, após o massacre de Santa Cruz. Foi uma causa que mobilizou particularmente os portugueses.

Isto tudo aconteceu à mistura com tantos outros acontecimentos negativos, como o Iraque e os Balcãs, mas a ideia que se tinha era que, apesar de tudo, o terrorismo na Europa estava a diminuir e a democracia finalmente prevalecia sobre os totalitarismos que ainda restavam da 2ª Guerra Mundial.

Hoje, dá-se o impensável.

O terrorismo atingiu novo auge, com o ISIS e outros grupos radicais, que, perante uma vida miserável, acabam por se refugiar na certeza que o Alcorão lhes dá. Tal como já tinha acontecido no passado na Europa, mas na altura por causa de outro livro, a Bíblia.



Por outro lado, se olharmos para a Venezuela, vemos o comunismo regressar na sua pior forma, com o crescente controlo do Estado, mascarado de democracia, e com a desculpa que é para garantir a paz, tal como os soviéticos fizeram no passado. Neste país vemos todos os dias a população a ser reprimida e as instituições democráticas a serem destruídas. Uma espécie de doutrina Brejnev, onde tudo vale. Prender, matar, não é importante, o que importa é que Maduro consiga libertar o seu povo e assim garantir vidas miseráveis para todos. Sim, porque há coisas que não mudam. O comunismo, à semelhança de vários outros ismos, propaga-se bem na miséria.



Nos Estados Unidos, a extrema-direita perdeu a vergonha e assassinou mais uma pessoa. Ali, apesar da crise, não será tanto por causa da miséria, até porque não existe nos EUA um Maduro a arrastar a população para filas intermináveis em busca de bens essenciais, mas terá também muito a ver com a cultura, ou a falta dela.

Como é que depois de terem morrido 416 mil soldados americanos a combater o nazismo, alguém tem coragem de levantar uma suástica nos Estados Unidos? Como é que um indivíduo chamado Peter Cvjetanovic tem a lata de se achar um defensor do nacionalismo branco? Ele é branco, até aí é óbvio, mas tenho muitas dúvidas de que Cvjetanovic seja um nome assim tão típico dos Estados Unidos. Os imigrantes, antepassados deste tonto, corariam de vergonha ao verem o seu descendente fazer esta triste figura.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Oeiras vai escolher...e ainda bem.

Como se previa a candidatura de Isaltino Morais foi validada pelo tribunal de Oeiras depois da reclamação que o mesmo fez. Três ideias ficam claras:

1- Neste caso em concreto um magistrado, que deveria ser a maior referência de independência, provou que a justiça é por vezes gerida em função de critérios e interesses pessoais. É o extremo sórdido e desonesto da justiça que deveria agora terminar com uma exemplar "pena" para o Juiz em causa, a bem da credibilidade da justiça;


2- Fica claro que os adversários de Isaltino Morais tudo fazem para que não vá a jogo. Neste caso Paulo Vistas, atual Presidente do Município de Oeiras, sai mal na fotografia acompanhado do seu compadre, o Juiz. Na política não vale tudo, desde as conspirações "judiciais" de um indivíduo (que foram, eventualmente, favores bem pagos/caros), mas muito menos vale a quebra da lealdade e amizade que se deve a quem fez desse indivíduo "alguém". Aqui o "julgamento" ficará a cargo dos eleitores de Oeiras;

3- Por fim fica claro que a justicialização da política só fragiliza a nossa democracia e com isso a escolha dos eleitores também sofre. A famosa frase "á política o que é da política e á justiça o que é da justiça", não passa de retórica de agentes políticos e agentes de justiça travestidos de falsos moralistas que promovem, na sombra, a morte da democracia. Porém fica uma garantia suprema...vivemos num estado de direito e isso é o caminho para melhorar a nossa democracia.

A bem dessa democracia (e ainda bem) dia 1 de Outubro serão os eleitores a escolher os seus eleitos. Em Oeiras e no País.


domingo, 6 de agosto de 2017

Momento Chave




A menos de 3 meses das eleições autárquicas, o ruído em volta das candidaturas e candidatos começa a aumentar.

Convém relembrar que o PS detém 150 câmaras municipais das 308 espalhadas pelo território nacional detendo por isso a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Para o PS a vitória nas autárquicas só pode ser reconquistar a ANMP.

O mesmo critério deve aplicar-se ao PSD, como, aliás, já o admitiu o próprio líder do partido em várias ocasiões e sem que qualquer social-democrata, esteja ou não mais ligado a Passos Coelho, tenha discutido essa premissa.

Nesta matéria os Socialistas partem em vantagem, mas nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando desde já a inevitabilidade de uma vitória do PS.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição social-democrata se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva.

Mas é preciso considerar que em Portugal não são os diretórios partidários que se submetem a eleições. Antes dos diretórios estão as estruturas locais que têm sabido afirmar-se ao longo de mais de 40 anos de Poder Local.

No caso do PSD, excluindo os erros de casting óbvios do líder e do coordenador autárquico, as estruturas locais, salvo “Leais” excepções, submetem a eleições mulheres e homens que acreditam que podem fazer algo melhor pelas suas populações e que são herdeiros de uma obra incontornável nas freguesias, vilas e cidades de Portugal, no continente e nas regiões autónomas.

Os autarcas escolhidos que se entregaram ou vão entregar a esta difícil missão em nome do PSD têm nas suas mãos o futuro de um partido chave da democracia portuguesa e essencial do poder local, enquanto primeira entidade a velar pelas populações.

À falta de energia e de estratégia ganhadora que a liderança manifestamente revela, cabe aos autarcas um esforço redobrado para garantir o único resultado aceitável que é a vitória em termos de câmaras e freguesias.

É um fardo pesado que infelizmente não se pode partilhar com todos. Mas, é preciso dizer agora, que conquistar mais câmaras do que o PS e sobretudo assegurar a liderança da Associação Nacional de Municípios não é uma missão impossível.

Neste momento chave os autarcas precisam de um Partido inclusivo, representativo e não de um Partido sectário, populista e maniqueísta como, por vezes, se tem visto.

É essencial concentrar esforços nas eleições autárquicas, deixando de lado um discurso que não tem adesão à realidade e uma retórica que vagueia entre o Diabo e os Reis magos.

Importa deixar de lado também a demagogia, o populismo e a falta de vergonha de quem vê na desgraça alheia 64 oportunidades de sucesso mediático.

Importa deixar claro - na acção - quem são as cigarras e quem são as formigas. Não basta a retórica de um líder desgastado.

O PSD só pode ambicionar a vitória. É essa exigência que qualquer social democrata deve fazer a Passos Coelho. Contentar-se com as vitórias do passado é continuar a viver numa redoma de vidro que apenas garantirá que nada muda.

Neste momento chave nenhum líder de nenhum partido combate os seus adversários apresentando derrotas. Neste momento chave para o PSD só a vitória importa porque só ela trás e garante futuro e estabilidade.

A não concretização desse objectivo seria um rude golpe não só para a direcção, mas para todo o coletivo social-democrata. 

Há momentos em que é preciso apelar à mobilização geral, ignorando momentaneamente divergências internas, por muito profundas que possam ser.


Assim deve ser em nome de valores mais altos.



Artigo publicado na edição on-line do Jornal Publico de 6 de Agosto:





terça-feira, 1 de agosto de 2017

SILLY SEASON



Começa hoje oficialmente a "Silly Season". 
Traduzido para a língua de Camões teremos então a "época Tola". 

Esta expressão anglo-saxónica está associada a um período de férias que determina uma ausência de notícias. 

Nessa ausência de notícias os órgãos de comunicação social têm a tendência para publicar uma série de matérias com pouca substância e relevância, mas sempre aparece uma ou outra que foge à regra.

Aqui deixo o meu contributo com uma convicção que pode ser notícia neste período "Tolo" e assim fugir à regra. Já agora mata-se o efeito surpresa:

Passos Coelho vai antecipar as eleições diretas no PSD para Novembro.

Bem vindos à "Silly Season"

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Era só o que faltava o Presidente da República Portuguesa andar a comentar listas de falecidos com nomes repetidos, ou suicídios que não existiram.

Depois do que se passou durante a Presidência do Jorge Sampaio, que dissolveu a Assembleia da República e convocou as eleições que fizeram de José Sócrates Primeiro Ministro. Depois de um Presidente da República ter tirado o tapete a um Primeiro Ministro com maioria parlamentar (lê mais aqui), é no mínimo  infantil existirem claques dentro dos partidos de direita a criticar o atual Presidente da República por ser diferente de Jorge Sampaio. Depois do que aconteceu com Santana Lopes, ninguém deveria defender a parcialidade da mais alta figura do Estado.

Esta atitude de querermos eleger um do nosso clube, para cumprir uma missão para o nosso clube (e não para o país) é de uma irresponsabilidade atroz.

Era só o que faltava o Presidente da República Portuguesa andar a correr à pressa a comentar listas de mortos que afinal tinham nomes repetidos (lê mais aqui e aqui), ou suicídios que na realidade não existiram (lê mais aqui). 

Mas, sejamos sinceros, não devia o Presidente da República, nem ninguém com cargos de responsabilidade no Estado, lideres partidários incluídos. 



Isto tudo apenas para recordar que ser militante não é a mesma coisa que ser adepto.

Quando assinamos a ficha de militância de um partido é suposto estarmos conscientes que o fazemos porque nos identificamos com os seus princípios ideológicos, ou com as pessoas que o lideram.

Por outro lado, a adesão a sócio de um clube de futebol assenta em princípios diferentes. Assenta na cor da camisola, nas preferências dos nossos familiares e amigos, ou até na frequência com que aquela equipa ganhou enquanto éramos crianças.  - O que não quer dizer que para alguns as razões para a filiação sejam muito diferentes destas.
 
Ou seja, eu sei porque me filiei no PSD, mas sinceramente não faço a mínima ideia porque me tornei adepto do Benfica - (apesar de saber porque continuo - #CarregaBenfica). 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

EFICÁCIA (?)

 



A eficácia da oposição reflecte-se na forma com consegue marcar a agenda e o debate político, garantindo aos portugueses que os temas mais importantes para as suas vidas são realmente discutidos.

Neste momento particular em que temos assuntos comno o roubo de Tancos, o SIRESP, os incêndios e as suas vitimas, Secretários de Estado que se demitem no âmbito do chamado GALPGATE, o PSD e Passos Coelho definem como prioridade debater o futebol???

Ora, não consigo perceber a eficácia de colocar como prioridade da agenda política a alteração do regime jurídico das federações desportivas e quem deve, ou não, elaborar os regulamentos de disciplina e arbitragem.

Não é, com certeza, a grande prioridade nacional. Enfim!

domingo, 2 de julho de 2017

Aceitam-se apostas. Antes ou depois das legislativas?

Ontem decorreram as eleições para a distrital do PSD de Lisboa. Como era de esperar, o Pedro Pinto foi eleito presidente da Comissão Política. 

Do que conheço dele, acredito que será um bom presidente.

Mas até aqui, tudo bem, se a notícia principal de ontem tivesse sido esta.

Pelo que tenho lido, a notícia que mais se lê foi a da vitória do movimento Lisboa Sempre no concelho de Lisboa (lê mais aqui). O tal movimento que contesta a forma como Pedro Passos Coelho tem conduzido o processo autárquico. Neste caso, em particular, o veto dos seus opositores e as suas escolhas pessoais. 

Este aumento do peso eleitoral do movimento Lisboa Sempre, na maior concelhia do Distrito de Lisboa, tem sido lido como um sinal do que pode vir a acontecer no resto do país, pois a lista de delegados encabeçada por Nuno Morais Sarmento e apoiada por Rodrigo Gonçalves, obteve cerca de 60% dos votos, contra os apoiantes de Pedro Passos Coelho.

Mas, se o desconforto com o processo de escolhas de candidatos na capital do país não fosse suficiente, também a forma como estas eleições foram marcadas pode ter sido um dos motores para esta derrota de Pedro Passos Coelho. 

A escolha da data das eleições e a seleção das concelhias autorizadas a ir a votos, parece, também, ter indignado os militantes da capital do país. Pois, segundo dizem, estas escolhas tiveram mais a ver com o condicionamento das concelhias, antes da entrega das listas autárquicas, do que com a organização das eleições de outubro. 

Se a concelhia de Lisboa pediu a antecipação de eleições ainda em abril (lê mais aqui,ou aqui), porque é que apenas foram permitidas eleições para as concelhias de Cascais, Mafra, Odivelas, Amadora e Vila Franca de Xira?

Assim, não é de estranhar o facto da única lista apresentada para a comissão política distrital, (ligada a Pedro Passos Coelho), ter perdido, no concelho de Lisboa, para os votos brancos e nulos (que representaram 51% dos votos).  


Apesar do PSD de Lisboa ter assumido que irá cumprir a sua obrigação e apoiar a candidata escolhida por Pedro Passos Coelho, aos olhos das bases de Lisboa, fica a ideia que todo o processo autárquico foi pouco transparente e que provavelmente haverá consequenciais. 

Resta saber se antes ou depois da definição dos candidatos a deputados, pois ficou claro que no resto do país as criticas se vão manter nos bastidores...

(imagem retirada daqui)


Nisto o Passos é coerente...

No PSD pede-se a demissão da Ministra da Administração Interna (lê mais aqui).

Pelo menos nisto o Passos é coerente. Não interessa se é culpado, ou não, não interessa se é "dos seus" ou não, quando há bronca o assunto resolve-se com uma demissão. Já o Costa, por outro lado, parece que não tem o hábito de deixar assim cair os seus.




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Votam mas não sabem o quê...


Em relação à vinda da sede da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), considerando-a como de interesse nacional, foi aprovado na Assembleia da República, por unanimidade, um Voto de Saudação de Apoio à candidatura de Portugal, no dia 10 de maio. 


No voto de saudação estava expresso claramente que a colocação deveria ser em Lisboa e sem reservas de nenhum deputado foi aprovado, repito, por unanimidade. 

Ver agora os partidos criticarem a mesma decisão do Governo (de quem não sou especial adepto) é de uma enorme hipocrisia. 

No tempo certo (a 10 de Maio) nenhum dos seus deputados do Porto, Braga ou Coimbra, que aprovaram o Voto de Saudação na Assembleia, levantou a mínima questão e agora vêm, como mártires de um "centralismo intolerante", criticar na praça pública aquilo que aprovaram sem reservas! 

Esta é uma das causas do afastamento dos cidadãos da política. Esta é uma das causas que não ajuda a credibilizar a classe política e o parlamento em particular.


Além disso devemos também alertar para a acção pouco esclarecedora da nossa comunicação social que já devia ter passado esta informação. 

Ao contrário, tem vindo a alimentar este espectáculo que em nada favorece a imagem de Portugal e diminui as hipóteses de atrair esta Agência para o nosso País.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Quando os momentos são difíceis há os que fogem e há os que ficam.

As bases dos partidos, quaisquer que eles sejam, têm uma conotação bastante negativa na opinião pública. No entanto, não deixa de ser estranho que esta ideia seja especialmente promovida por aqueles que sistematicamente utilizam as ditas bases para se elegerem e autopromoverem, ou por aqueles que num ou noutro momento da sua carreira política tenham procurado o seu apoio e não o tenham recebido.

Na realidade, as bases partidárias são aquilo que o nome indica, os militantes de base dos partidos, aqueles anónimos que defendem o seu partido em todos os momentos e que periodicamente se enganam nos líderes que escolhem. 

São aquela massa de apoiantes que têm porta-vozes, de quem as elites partidárias desdenham tratando por caciques. 

Ou seja, são aquele grupo de militantes que são muito úteis e que requerem a máxima atenção, sendo tratados como a última coca-cola fresca no deserto quando precisam deles, e que são uns bandidos quando ousam chamar à atenção que rei vai nu.  

Deixo aqui uma parte do Forum TSF de hoje, onde a candidata do PSD optou por não estar presente e tiveram de ser as ditas bases a defender o partido... como sempre.




sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Política de A a Z" em Viseu



CONVITE | Viseu será o próximo destino onde eu e o Pedro Correia faremos a apresentação do livro "Política de A a Z". O evento terá lugar na Livraria Bertrand Palácio do Gelo, na sexta-feira, dia 19 de maio, às 18h30. António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu, apresentará o livro. Todos os seguidores do blog Kapagebe estão convidados.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Política com Valores

Os valores determinam a forma como a pessoa se comporta e interage, constituindo um conjunto de regras estabelecidas para uma convivência saudável dentro de uma sociedade.

Mas além dos valores em geral temos os valores políticos que podem ter origem genética, social (educação, religião e opinião pública) ou até na história de vida de cada um. São um resultado de valores morais, conhecimentos, crenças, sentimentos e opções de fundo.


Na política de hoje existe cada vez mais a necessidade dos que a protagonizam apresentarem um código de valores e compromissos. Só o assumir de compromissos formais e não conjunturais pode reaproximar os cidadãos da política. E só isso pode impor, por vontade própria, ao político uma coerência e uma linha de ação baseada na convicção dos valores que defende e acima de tudo garante conteúdo à sua ação.


Na qualidade de ator político, defendo que existem várias formas de posicionamento e políticas não cristalizadas, que devemos estar dispostos a discutir e até aceitar que suscitem circunstancialmente mudanças. No entanto, existem valores políticos e compromissos de que, independentemente do posicionamento presente ou futuro, não devemos abdicar de defender sob pena de perdermos o sentido de servir a comunidade em prol do bem estar.


O meu código de valores e compromissos assenta em cinco temas chave que são a base da sociedade portuguesa:  Crianças, Idosos, Famílias, Sistema Político e Subsidiaridade.


Crianças - A garantia de acesso à saúde de todas as crianças, independentemente do seu extrato social, religião ou raça, com reforço no apoio e comparticipação financeira às crianças que tenham grau de invalidez, necessidades especiais ou comportamentos desviantes;


Idosos - A garantia de apoios á inclusão e combate ao isolamento dos mais velhos, através do financiamento de residências assistidas, apoio a atividades de promoção do envelhecimento ativo, comparticipação às famílias com dependentes idosos e melhoria e acompanhamento do acesso à saúde;


Famílias - O reforço do apoio e de benefícios fiscais às famílias numerosas garantindo o suporte necessário para aquisição de habitação própria, a isenção de IMI em 25% por filho (para famílias com 3 ou mais filhos), apoio nas despesas escolares, tarifa familiar na água, luz e gás e outras formas de apoio adquiridas com base na insuficiência de rendimentos;


Sistema Político - A reforma do sistema político e eleitoral como promoção de cidadania e aproximação dos portugueses à decisão política. Por exemplo a implementação do Executivo municipal escolhido pelo 1º eleito, eleição direta dos representantes intermunicipais, criação de círculos uninominais e um grande circulo nacional para a eleição de deputados e o voto eletrónico;


Subsidiaridade - Aposta numa descentralização assente no principio da subsidiaridade, garantindo a transferência, da Administração central para a Administração local, de competências acompanhadas dos recursos humanos, patrimoniais e financeiros necessários à sua concretização, em áreas como a Acção Social, Educação, Saúde, Mobilidade, Cultura e Habitação.


Este é o meu código de valores e compromissos políticos que definem uma conduta política e um caminho para a política nacional e local. Estar na política sem nada defender e sem compromissos é negativo e perverso, mas o mais nefasto da práxis política é defendermos algo em que não acreditamos.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Daqui de cima não se veem fronteiras...

As desculpas podem ser as que quisermos, a segurança, a preservação da cultura, razões económicas, ou qualquer outra, mas a realidade é que daqui de cima não se distinguem fronteiras.

(foto retirada daqui)

Ainda é difícil imaginar um planeta com livre circulação de pessoas e mercadorias, apesar de em 97 se ter dado um pequeno passo com o acordo de Schengen. 

Apesar dos recuos, com as vitórias do Trump e do BREXIT, continuo a acreditar que a tendência continuará a ser a globalização e o desaparecimento das fronteiras.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Primárias no PSD


As primárias são o processo de escolha dos candidatos a eleições nacionais (presidenciais, legislativas ou autárquicas) através do sufrágio dos militantes e simples simpatizantes dessas forças políticas.
Tem-se vulgarizado na política europeia dos últimos anos, sobretudo em partidos socialistas (como o francês e o espanhol). Também o Partido Democrático, em Itália, e o PASOK, na Grécia, elegem os seus candidatos recorrendo a eleições primárias.
Nos Estados Unidos existe uma tradição mais antiga, que se foi enraizando ao longo do século XX, de designação de candidatos à Presidência através de um complexo processo de primárias com regras que variam conforme os Estados.
Em Portugal, o primeiro partido com representação parlamentar a optar por primárias abertas para escolher o líder foi o PS, em 2014, com António Costa a derrotar o secretário-geral em funções, António José Seguro.
Existe, porém, uma diferença considerável entre eleições diretas e eleições primárias. No primeiro caso (diretas), trata-se de um processo de escolha dos dirigentes máximos de partidos e, portanto, restrito aos militantes.
No segundo caso (primárias) trata-se de um processo de escolha de candidatos a eleições nacionais através do sufrágio dos militantes, mas também de simpatizantes dessas forças políticas. Estes simpatizantes são escolhidos em conformidade com critérios internos definidos pelos partidos que adotam esta fórmula.
Atualmente no nosso País tanto PSD como PS elegem os seus líderes em eleições diretas, no entanto o PSD ainda não reconheceu a necessidade de aderir ao processo de eleições primárias para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro. 
É, porém, tempo de começar a pensar nessa hipótese ou solução. Numa altura em que as sondagens revelam um afastamento do eleitorado e principalmente numa fase em que é necessário voltar a falar para as pessoas dando-lhes esperança e apresentando uma alternativa, a solução é a adoção de uma estratégia de estímulo da cidadania.
Uma estratégia que promova a aproximação dos cidadãos da política permitindo-lhes participar, de facto, nas decisões do maior partido com assento parlamentar. A possibilidade de escolha de um candidato a primeiro-ministro tem grandes vantagens e enriquece a nossa democracia.
Naturalmente que conta com a resistência de algumas estruturas internas e principalmente daqueles que constituem o “status quo”. Mas quem, realmente, pretende que o PSD se apresente como uma alternativa ganhadora deve desejar que se possa atrair o máximo de eleitores possíveis.
Esta é uma reflexão que deve começar a ser feita dentro do PSD, sem tabus e com a coragem de quem quer ver o PSD voltar a dirigir os destinos do País. O sectarismo, que cria limitações e barreiras à abertura à sociedade civil, pode ser o maior inimigo desta reforma.
No entanto a evolução do PSD deve ser encarada como um processo dialético de crescimento que pode perfeitamente conviver com as estruturas do partido, assim queiram evoluir, crescer e ser mais abrangentes. 
O atual PSD, não pondo em causa nem os valores nem a sua matriz social democrata, deve perceber o sentido do conceito de “realpolitik” que significa a adequação da política à realidade, com o pragmatismo estratégico de quem tem como prioridade a eficácia dos seus atos.
No caso da inclusão das primárias no PSD é fundamental refletir e debater esta possibilidade para poder crescer de novo e aproximar os cidadãos da política e do partido. O futuro é algo que não devemos temer. O futuro, pode até ser incerto, mas é inevitável.
Artigo publicado no Jornal i
Segue o link da notícia: Primárias no PSD.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pacto de Regime...Porque não?



Pela primeira vez desde o início da grande recessão, a União Europeia (UE) teve recentemente um crescimento económico superior aos EUA. No entanto o legado da crise ainda se manifesta com os défices económicos instáveis e principalmente com enormes défices sociais que foram gerados durante a última década em muitos países sob a forma de desemprego, empobrecimento e baixa proteção social.

Para corrigir estes défices a Europa terá que resolver um problema político que não é apenas a crise de representação (que tem dado espaço aos partidos extremistas), mas o da boa governação (a eficácia das políticas). A par da boa gestão económica e financeira deve haver uma procura em aproximar o cidadão da política e para isso importa reduzir os desequilíbrios provocados pelos défices sociais.

Na lista da Comissão Europeia dos países com maiores desequilíbrios Portugal lá está na companhia da França, Itália, Bulgária, Chipre e Croácia. Os desequilíbrios de Portugal ao nível do desemprego, empobrecimento e baixa proteção social, estão entre os mais altos da Europa e devem ser alvo de atenção redobrada.

Apesar de alguns sinais positivos estamos num mundo mais incerto, mais volátil e com muitos riscos para as economias frágeis como a de Portugal. As incertezas vindas das alterações drásticas da política externa Americana, aliadas ás incerteza das eleições em França, Alemanha e Portuguesas (autárquicas) devem preocupar os nossos governantes.

Não podemos deixar de ser exigentes. A Comissão Europeia (CE) reviu em alta as suas previsões para o crescimento económico de Portugal. No entanto a mesma CE admitiu que existem riscos negativos para a previsão, considerando que a fragilidade do setor bancário pode diminuir a recuperação do investimento, sendo a economia com crescimento anémico um dos principais desafios que Portugal enfrenta.

António Costa tem ainda por resolver o elevado nível de dívida pública (que atingiu 243,49 mil milhões de euros em Fevereiro deste ano) e os desequilíbrios sociais que continuam a ser obstáculos a ultrapassar para atingir a estabilidade necessária. A vontade de resolução dos problemas pode e deve aproximar o governo e o PS do centro político, posição onde as políticas económicas e sociais andam em paralelo e de forma equilibrada. É tempo de entendimentos que encontrem soluções de médio e longo prazo.

Os entendimentos com origem no centro-direita (PSD) e centro-esquerda (PS), devem representar uma alternativa real para encontrar um modelo de estabilidade com prazo alargado e assente em pactos de regime. O regresso do PS ao Socialismo Democrático e o regresso do PSD à Social democracia tendem a ser a solução futura natural.

Será com os actuais protagonistas? Isso é entrar no campo da futurologia. O essencial é ter coragem de aceitar o desafio e o PSD não deve deixar de pensar nesta solução, que não o impede de ser alternativa. Repito, não o impede de ser alternativa.

Na perspectiva de quem governa e de quem tem ambições de vir a governar, é tempo de reformar e não de gerir equilíbrios e expectativas que apenas asseguram o “ego cheio” de alguma esquerda (mais à esquerda) ou de alguma direita (mais à direita), em troca de um apoio que poderá sair muito caro aos portugueses…a todos os portugueses.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

O Duarte Pio no protocolo de estado. Porquê?

Li e reli esta notícia (lê aqui) que dá nota da vontade de alguns em dar ao Duarte Pio lugar de relevo no protocolo de Estado. Porquê? Esta foi a pergunta que me fiz várias vezes e que continuo a não conseguir responder.

Na notícia há quem fale que o país tem de ter memória, que se trata de uma questão de cortesia, pelo facto dele ser convidado com regularidade. Mas porquê?

Memória? E os descendentes dos presidentes da República que lugar têm no protocolo de estado? Nenhum. Porque é que é que um primo afastado (aliás, bastante afastado) do último Rei de Portugal tem de ter tratamento especial no protocolo de estado?

Pessoalmente não tenho nada contra a que alguém o convide, por cortesia, para estar presente em algumas cerimónias, da mesma forma como, por cortesia, pode convidar qualquer outro cidadão.

(foto retirada daqui)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Assim de repente lembro-me de uma geração de políticos que sabia tirar consequências de resultados eleitorais. Outros tempos....

O trabalho escravo, por imposição legal, não é solução.

É incompreensível esta conversa do possível retorno do Serviço Militar Obrigatório (lê mais aqui

O facto de existirem mais chefias militares do que praças é a única razão plausível para o tema vir à baila, mas este problema só tem duas soluções possíveis:
  • Ou se diminuem as chefias militares, com os evidentes benefícios paras as contas públicas;
  • Ou se melhoram as condições para a contratação de praças (aumentos salariais, contratos mais longos), com as implicações óbvias para as contas públicas;
Tentar resolver o problema do excesso de oficiais recorrendo a trabalho escravo, por imposição legal, continua a não ser solução.



quarta-feira, 5 de abril de 2017

Precisamos de agarrar o futuro enquanto é tempo


Excelente artigo do Pedro M A Duarte, indicando as ameaças e também as oportunidades que a transformação digital coloca à sociedade e à economia. Este fenómeno está a eliminar rapidamente milhares de empregos em mercados retalhistas e nas estruturas administrativas das empresas e do Estado.
Urge responder a este fenómeno oferecendo aos cidadãos novas soluções focadas no desenvolvimento de novas competências que lhes permitam aceder às novas necessidades do mercado de trabalho.
Esta realidade obriga os partidos e o governo a combaterem a cultura oportunista e imediatista que se instalou na vida política, em que alguns governam exclusivamente a pensar no presente (algumas notáveis exceções como o caso da Justiça e da PCM), e se faz uma oposição casuística, de exercícios de retórica "à bolina" sem uma palavra sobre o futuro, sem visão estratégica para o país (algumas notáveis exceções, não vou nomear deputados e dirigentes para não prejudicar ninguém, já que são uma minoria).
Um desabafo sobre o PSD, que foi o partido que liderou o país para uma saída limpa da troika mas ao contrário do CDS ficou preso no discurso dela.
Companheiros, "tirámos" a troika do país, falta ainda "tirarmos" a troika do partido.

Se o PSD não soltar o passado, com que mãos é que quer agarrar o futuro?